Geral

Abrigo para menores

Ieda Rodrigues
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Menor de rua vai ser abrigado na Gilgal

Texto: Ieda Rodrigues

A partir de sexta-feira, Bauru terá onde abrigar os menores que vivem nas ruas, incluindo dependentes químicos e autores de pequenos delitos, para recuperação e reintegração

à família e à sociedade. A viabilização do abrigo será possível graças a um convênio que será firmado entre o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e a Gilgal - Centro de Recuperação e Reintegração de Menores.

Pelo convênio, a Gilgal vai abrigar, em regime de internato e por períodos que variam de acordo com a necessidade de cada caso, até 20 meninos simultaneamente. O tratamento será pago pelo Conselho da Criança e do Adolescente, que vai desembolsar R$ 10,00 por dia por menor internado. A Sebes, por sua vez, vai empregar R$ 7 mil por mês para pagar funcionários e, assim, aumentar o quadro de profissionais da Gilgal, segundo contou Sandra Scriptore, secretária do Bem-Estar Social.

A prioridade para internação será dada aos sete menores identificados como moradores de rua pela pesquisa feita recentemente por alunos da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), explicou Sandra. E também os menores que, apesar de terem famílias, têm dificuldade de retornar para suas casas por problemas de relacionamento, num total de 12, segundo explicou Maria Perroni, presidente do Conselho da Criança e Adolescente.

Os menores serão encaminhados para a Gilgal pelo Conselho Tutelar, órgão responsável para viabilizar a proteção dos menores. A Gilgal, entidade localizada no Jardim Cruzeiro do Sul, atua na recuperação de dependentes químicos há muitos anos. No entanto, por limitação financeira, sem o convênio, não teria condições de aumentar o número de menores atendidos - ontem havia 34 menores internados.

Por mês, cada menor internado na Gilgal deverá custar cerca de R$ 300,00 para o Conselho da Criança. A conta será paga com o dinheiro depositado no Fundo Municipal da Criança e do Adolescente fruto da destinação de 1% do Imposto de Renda (IR), por parte das empresas, e 6% do IR por parte das pessoas físicas - ontem o Conselho da Criança tinha R$ 22 mil em caixa.

Há cerca de dois anos, Bauru não tem abrigo para menores de rua. O Centro de Convivência, órgão mantido pela Prefeitura e que atendia os menores de rua, foi fechado em 1998 por desvio de finalidade. Os menores iam para o local apenas para tomar banho, comer e dormir, chegando a consumir drogas na casa.

Maria Perroni aproveita para pedir à população para destinar parte do IR para o Fundo da Criança e Adolescente. Ela explicou que o dinheiro da Campanha do IR vem sendo usado para pagar internações de menores dependentes químicos em clínicas da região, para equipar o Conselho da Criança, inclusive na aquisição de viaturas, e manutenção do curso de capacitação oferecido pelo Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips).

Serviço

A guia para destinação do Imposto de Renda pode ser adquirida no Conselho da Criança e Adolescente (rua Agenor Meira, 13-62), Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e Conselho dos Contabilistas.

Na Gilgal, menores tem atividades o dia todo

A Gilgal oferece um leque grande de atividades, para que os menores tenham o que fazer o dia inteiro. A proposta é que, ao mesmo tempo que deixa a dependência, o menor se interesse por outras atividades que possa dar continuidade quando deixar a entidade.

Conforme explicou Nilce Padovino Mucherone, diretora interna da Gilgal, a equipe de profissionais da entidade é formada por psicólogo, assistente social, médico, professor de informática, professor de música, professor de artesanato, professor de dança, professor de ensino convencional

(português, matemática, etc), entre outros.

Alguns dos profissionais, como os médicos, trabalham voluntariamente na Gilgal. Com o dinheiro da Sebes, o quadro de profissionais será reforçdo. Dentro da entidade funciona uma fábrica de artigos para pet shop (coleiras, guias casinhas e roupas para cachorros) e os menores têm aulas de ensino religioso, terapia ocupacional e períodos de recreação.

O índice de recuperação de menores dependentes químicos atendidos na Gilgal ao final da internação fica entre 75% e 80%. Nilce ressaltou que os profissionais da entidade também desenvolvem um trabalho com as famílias dos menores, para que estejam preparadas a receber seus filhos. Os menores podem receber visitas duas vezes por mês.

Os internos são distribuídos em dois alojamentos

(de acordo com a fase de recuperação) e têm a companhia, inclusive à noite, de monitores que dormem no mesmo local. O período de internação varia dependendo do nível de dependência química ou problema apresentado por cada menor, mas a média mínima

é de três meses, de acordo com Nilce.

Ontem, 34 menores estavam internados na Gilgal. Nilce explicou que é rara a família que tem condições de pagar pela internação e que e entidade é mantida pela população, que contribui através de carnês mensais. Mesmo com o convênio com a Sebes e Conselho da Criança, a Gilgal vai continuar precisando da contribuição dos carnês para manter os demais menores internados - a entidade tem capacidade para 50 vagas. (IR)

Expectativa é que abrigo resolva problema do menor de rua

A expectativa de Sandra Scriptore e Maria Perroni é que o convênio entre o Conselho da Criança, Sebes e Gilgal resolva o problema de menores de rua de Bauru. Elas explicaram que, enquanto o menor estiver internado, a família dele será contactada e incentivada a participar de programas que vão desde ajuda no relacionamento familiar até geração de renda.

O objetivo é que o menor tenha uma família estruturada para voltar quando sair da Gilgal e, assim, não retorne

às ruas. Os que não tiverem famílias, devem ser inseridos em programas sociais ao receber alta da entidade. A titular da Sebes disse que a Prefeitura optou por firmar o convênio com a Gilgal e não a abrir um abrigo próprio porque acredita que, utilizando a estrutura já existente da entidade, os resultados podem ser melhores.

No entanto, Sandra Scriptore ressaltou que não é fácil a recuperação de menores de rua. "Temos que mostrar aos menores que existem outras possibilidades de vida e dar condições para isso. Mas é difícil porque concorremos com a rua, com a liberdade que eles têm nas ruas", disse.

A titular da Sebes ressaltou que a Gilgal funciona ininterruptamente, dia e noite, já tem estrutura e quadro de funcionários qualificados. Ficaria mais caro para a Prefeitura montar um abrigo com a estrutura necessária para atender os menores de rua. Então, decidiu-se por firmar o convênio e implementar a entidade. (IR)

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