Hepatite C atinge 1% dos bauruenses
Considerada também como a epidemia do novo milênio, a hepatite do tipo C (doença que degenera o fígado, podendo levar à cirrose ou câncer hepático) está atingindo 1% da população bauruense. Dos 1.124 doadores do Banco de Sangue, da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) entre 20 de maio e 20 de junho, 11 são portadoras do vírus da hepatite C, o que revela a incidência considerada preocupante da doença.
Cláudia Mariana Soares Assato, hematologista e hemoterapeuta do Banco de Sangue, explicou que o número de doadores de sangue com hepatite C é uma amostragem da população de Bauru. Portanto, supõe-se que o índice de portadores da doença na cidade se mantém. Sendo assim, três mil dos 300 mil habitantes, teriam a doença.
Especialistas estão preocupados com a doença, que consideram uma epidemia sem controle e que pode levar a graves conseqüências. "É uma preocupação nossa porque se temos dez casos dessa doença por mês, por exemplo, no final do ano teremos 120 pessoas infectadas e os recursos para o tratamento são caros", afirma Cláudia Assato.
Ela ressaltou que o índice de incidência (1%) não
é tão alto, mas preocupante porque o tratamento da doença é caro - em alguns casos é necessário transplante de fígado, cuja tecnologia é cara. Os medicamentos indicados para pacientes da hepatite C também são carros, chegando a R$ 1.200,00 por mês. Em Bauru, ainda não há um centro de transplantes de fígado e os pacientes recebem medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa, os medicamentos que o paciente necessita usar após o transplante são os mais caros. "O tratamento de quem fez o transplante é para a vida toda e os medicamentos têm um valor alto", relata.
A hepatite C age silenciosamente (cerca de 90% dos pacientes não têm sintomas) e de forma crônica, podendo evoluir para uma cirrose ou câncer hepático, aproximadamente de 20 a 30 anos após o contágio, em 85% dos casos. A contaminação é mais rara por meio de relação sexual e durante a gestação (de mãe para filho). Já o uso de drogas injetáveis é um dos meios mais comuns de contaminação do vírus.
Os sintomas são muitos como fadiga e indisposição geral, dores de cabeça, falta de apetite, febre baixa (veja quadro). O fígado é o maior órgão do corpo humano, ele é responsável por várias funções vitais. Devido as muitas funções, quando o fígado adoece, todo o organismo fica seriamente prejudicado. Manter esse órgão saudável, portanto, é essencial. Muitos pacientes desconhecem que são portadores do vírus
O maior problema verificado pelos especialistas é que o paciente, normalmente, não sabe que é portador do vírus da hepatite C devido a doença não apresentar sintomas no início. Ele só descobre a doença quando ela já está num estágio avançado ou mesmo por coincidência, quando, por exemplo, faz exame de sangue.
Segundo Cláudia Mariana, é muito comum as pessoas descobrirem que têm o vírus quando vão ao Banco de Sangue doar sangue. "Há todo um processo de triagem para sabermos se o doador tem alguma doença ou não e o que percebemos é que muitos não sabiam que tinham", conta.
João Carlos Amâncio Franco, 42 anos, é um portador do vírus da hepatite C e descobriu a doença quando estava fazendo um exame de sangue para ser admitido em uma empresa. "No primeiro exame o diagnóstico acusou algo no sangue e quando fiz um mais específico descobri que tinha o vírus da hepatite C. Como a doença estava avançada, acabei tendo que fazer transplante de fígado", contou.
Costa salienta que atualmente as possibilidades de cura são grandes, no entanto, é necessário descobrir a doença rapidamente, para que não haja um agravamento e leve o portador à morte. E alerta: "É importante que as pessoas se previnam, fazendo exames específicos de sangue para ver se o diagnóstico apresenta alguma doença", disse.
Há uma série de fatores que determinam o resultado positivo. Um deles é o exame anti-HCV. Na doação de sangue, dá para descobrir se há alguma doença no sangue, porque o Banco de Sangue faz uma triagem. Se no diagnóstico o vírus da hepatite C ou qualquer outro é detectado, a equipe do Banco de Sangue envia uma carta ao doador pedindo novo exame, para ter a um resultado 100% eficaz.
Quando o resultado for positivo, devem ser realizados outros exames mais específicos, como biopsias ou exames de imagens, para avaliar o estágio da doença. Após isso, o portador é encaminhado a um especialista, que dará início ao tratamento quando a doença não estiver avançada. Caso contrário, o paciente deve entrar na fila de transplantes de fígado do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Mesmo após o transplante, o paciente deve continuar tomando medicamentos anti-rejeição do fígado "novo". Cada comprimido de uma miligrama custa R$ 5,00 e há pacientes, como Franco, que precisam tomar seis miligramas por dia, portanto, o custo é de R$ 30,00 diariamente. (EL)
Doença
O vírus da hepatite C foi identificado relativamente há pouco tempo - em 1990. Para o infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa, isso significa que a população ficou exposta
à doença muito tempo sem saber. "Hoje, o Banco de Sangue faz triagem do sangue doado, mas há alguns anos isso não acontecia e muitos acabaram recebendo sendo portadores do vírus, através de transfusões de sangue contaminado", afirmou.
A hepatite C preocupa os especialistas na mesma proporção que a aids. Uma grande diferença é que o vírus da aids não sobrevive fora do organismo humano, enquanto que o vírus da hepatite sim. Portanto, numa gotícula de sangue seco pode haver vírus vivos. (EL)
Portador de hepatite C quer formar associação
Com o objetivo de informar a população sobre a doença, João Carlos Amâncio Franco, 42 anos, pretende formar uma associação em Bauru dos portadores do vírus da hepatite C. Por meio dessa associação, Franco pretende fazer reivindicações, como a solicitação de transporte gratuito aos portadores da doença para a Prefeitura.
Ele salienta que há uma lei que ampara os pacientes no que garante o transporte deles para cidades que tenham hospitais que façam transplante de fígado - os pacientes de Bauru têm que se deslocar para Campinas ou São Paulo. Franco, que é um portador do vírus, e já recebeu um fígado "novo", disse que a população precisa saber mais sobre a doença.
"Queremos conscientizar a população sobre os problemas que o vírus traz e diminuir os preconceitos existentes com relação aos portadores desse vírus", afirma Franco. Material que inclui fitas de vídeo e panfletos está sendo colhido e guardado por Franco para ser apresentado aos possíveis futuros associados.
Serviço
Os interessados devem entrar em contato com João Carlos através do telefone: 239-7144.
Justiça libera FGTS para tratar doença
Vale lembrar que a Justiça Federal, conforme matéria publicada no JC no último domingo, deferiu sentença liberando o dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) de um trabalhador de Jaú para custear o tratamento da hepatite crônica do tipo C.
Essa hepatite está fora do rol de doenças da lei 8.036/90, sobre Fundo de Garantia. No entanto, o juiz federal Heraldo Garcia Vitta, que proferiu a sentença, entendeu que a conta do trabalhador pode ser movimentada quando for acometido de neoplasia maligna (câncer).
A partir dessa sentença, a lei garantirá a liberação do FGTS no caso de aids e neoplasia maligna, para que o doente tenha um tratamento adequado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a hepatite C seja mais estrondosa que a aids nesse século.
Campanha de doação de órgãos já começou
Através do slogan "Transplante de órgãos. Essa via tem duas mãos", a Central de Captação de Órgãos e Tecidos do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) lançou uma campanha. Essa campanha visa conscientizar as pessoas a doarem
órgãos, já que cerca de 30% dos pacientes que precisam de transplantes morrem aguardando um órgão.
Qualquer pessoa que não tenha doenças infecto-contagiosas, como a aids e hepatites dos tipos B e C, podem ser doadoras de
órgãos. Para isso, basta levar o RG ou a Carteira Nacional de Habilitação ao Setor de Indentificação da Delegacia Seccional, localizado na rua Azarias Leite, e fazer uma identificação de que é doador.
Rins, fígado, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, válvulas do coração, pele, cartilagem, ossos e tendões podem ser doados. O órgão só é captado quando o estado da pessoa é de morte encefálica. O infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa salienta que é muito importante a colaboração das pessoas com a campanha. "É necessário que as pessoas se conscientizem do valor que seus órgãos podem ter para quem está numa fila de espera de transplante", afirma. Vale lembrar que a família também deve ser comunicada sobre o desejo da pessoa ser doadora. (EL)
Sintomas mais comuns das hepatites A e B
* Fadiga e indisposição geral
* Dores de cabeça
* Falta de apetite
* Febre baixa
* Icterícia - pele o olhos ficam amarelados
* Colúria - urina fica mais escura, cor de chá preto
* Acolia fecal - as fezes ficam mais claras, cor de areia