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Aliciamento

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Indícios de aliciamento levam à internação de menina de 11 anos

Texto: Ieda Rodrigues

Após constatar indícios de que a menina P.A.B., 11 anos, estava sendo aliciada e ameaçada de morte por um adulto, o Conselho Tutelar decidiu abrigá-la em uma entidade de Bauru. A mãe da garota, a passadeira V.A.A., 30 anos, receia que sua filha já tenha mantido relações sexuais com adultos e consumido drogas, apesar da negativa da menor.

Darlene Martins Têndolo, vice-presidente do Conselho Tutelar, explicou que decidiu-se por abrigar a menina numa entidade como meio de protegê-la. Ela explicou que, na entidade, a menor terá acompanhamento psicológico e atendimento terapêutico, para que os vínculos familiares sejam preservados e possa retornar para sua família.

A mãe da menina, V.A.A., moradora no Mutirão 9 de Julho, disse que sua filha já chegou a ficar cinco dias fora de casa sem que a família soubesse onde estava, costuma chegar em casa de madrugada e há mais de 20 dias não vai à escola. Sem saber o que mais fazer para mudar o comportamento da filha, V.A.A. acha que a melhor opção foi interná-la.

Ontem pela manhã, quando fazia 24 horas que P.A.B. havia saído de casa, sua mãe registrou boletim de ocorrência e, com a ajuda da polícia e do Conselho Tutelar, resgatou a menina na casa de uma amiga dela, também menor de idade. Agora, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que registrou a ocorrência, vai averiguar se houve ou não o aliciamento da menor e a ameaça de morte que ela disse ter sofrido de um homem adulto, fato confirmado pela mãe dela.

A menor, segundo a mãe, saía de casa e, em companhia de mais três amigas, todas menores de idade, iam a um bar e a outros lugares, onde teria ocorrido o aliciamento. V.A.A. disse que sua filha chegou a retornar para casa com marcas no pescoço, o que a leva a achar que a menina manteve relação sexual com adulto, e com os olhos vermelhos - possível efeito do uso de drogas.

V.A.A procurou ajuda no Conselho Tutelar, pela primeira vez, há cerca de dois meses porque sua filha estava agressiva, não se interessava pela escola e apresentava comportamento estranho, conforme contou Darlene. Desde então, a família vem sendo acompanhada, e a garota, orientada.

No entanto, apesar de concordar com as orientações das conselheiras, P.A.B. continuou agressiva e a passar noites fora de casa. A vice-presidente do Conselho Tutelar explicou que, como a situação foi piorando, optou-se por abrigar a menor numa entidade, apesar dessa medida ser considerada de

último caso.

Darlene Têndolo disse que os indícios de aliciamento da menor abrigada e a ameaça de morte serão averiguados pela polícia. Os pais das amigas de P.A.B. vão ser convocados pelo Conselho Tutelar, para que tomem providências com relação a suas filhas. Caso os pais sejam coniventes, eles poderão ser denunciados ao Ministério Público.

Sem noção de errado

A vice-presidente do Conselho Tutelar, Darlene Têndolo, ressaltou que crianças não têm noção do risco que correm, caindo facilmente em falsas promessas, e de que envolver-se sexualmente com adultos é errado. Principalmente se passam horas na rua, ficam suscetíveis ao envolvimento com drogas, prostituição e outros delitos, como furtos e roubos.

Por isso, Darlene Têndolo ressalta que qualquer alteração de comportamento que o menor venha a apresentar deve ser observada mais atentamente. Se a família não conseguir resolver o problema, deve buscar ajuda do Conselho Tutelar e outros órgãos competentes de imediato. O resgate e a recuperação do menor já envolvido em situações de prostituição, drogas e delitos são muito mais difíceis, dolorosos e caros, de acordo com Darlene.

O número de ocorrências atendidas pelo Conselho Tutelar envolvendo menores e prostituição tem aumentando, de acordo com a vice-presidente do órgão. Ela chamou a atenção, também, para a redução da idade das crianças envolvidas. Até há algum tempo, eram mais adolescentes, mas agora casos de crianças com 10, 11 e 12 anos nessas situações não são tão raros.

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