Estatuto prevê ação política da Igreja
Texto: Fábio Grellet
Líderes da Igreja do Evangelho Quadrangular negam acusação de manipulação dos pastores com objetivos políticos
A direção da Igreja do Evangelho Quadrangular refutou, ontem, a denúncia exposta pelo candidato a vereador Alan Carlos Ursulino de Paula, o Alan Tapeceiro (PSB), de que líderes religiosos da 3.ª Região Eclesiástica da Igreja estariam sendo coagidos a pedir votos para a pastora Celina Rosa do Nascimento Gobbi. Candidata a vereadora pelo PTB, ela é irmã de Celso Nascimento, superintendente da 3.ª Região da Igreja Quadrangular.
A denúncia de Alan se fundamentou numa fita cassete que contém gravações de conversas supostamente registradas durante uma reunião ocorrida entre a direção da igreja e pastores. Essa fita teria sido entregue a Alan por um integrante da Igreja, que prefere se manter anônimo. Ela foi encaminhada ao Ministério Público, para que este avalie o teor das conversas e tome as providências que considerar cabíveis.
Segundo alegou, ontem, o pastor Fernando Pereira, presidente da Coordenação Política da 3.ª Região Eclesiástica da Igreja do Evangelho Quadrangular, a entidade instituiu, no último dia 4 de maio, uma nova versão de seu Estatuto, ao qual foram integradas orientações referentes à atuação política da Igreja. O documento indica procedimentos que a Igreja deve adotar em relação
às eleições, e estipula que cada região
(segmento que engloba certa quantidade de templos), através do voto direto dos pastores titulares (no caso das eleições municipais), deve escolher um candidato, a quem a instituição vai oferecer apoio. Diz o art. 14 do Estatuto: "Os candidatos a cargo político-partidário, no âmbito federal e estadual, são escolhidos pelas convenções estaduais e, no âmbito municipal, em uma prévia pelos pastores titulares da região ou campo missionário". No parágrafo 1.º, o artigo continua: "Nos municípios onde existe a criação de mais de uma região, os candidatos são escolhidos em reunião convocada pelo Conselho Estadual". E, no parágrafo 2.º:
"Os membros do ministério devem manifestar seu apoio aos candidatos oficiais, demonstrando sua fidelidade à igreja".
Segundo o pastor Fernando Pereira, durante a reunião em que houve a conversa registrada pela fita cassete, essas normas recém-incluídas no Estatuto estavam sendo apresentadas aos líderes da 3.ª Região da Igreja Quadrangular. O evento foi presenciado por aproximadamente 300 pessoas. Antes, atendendo as regras impostas pelo documento, os pastores titulares dessa região eclesiástica haviam escolhido, entre três candidatos, aquele que receberia o apoio da Igreja. Concorreram a pastora Celina Gobbi e os pastores Júlio César e Marcos Batista. Celina venceu, obtendo 12 votos, enquanto Júlio César somou nove e Marcos Batista, quatro. Por isso, ela foi oficializada como a candidata que vai receber o apoio da 3.ª Região da Igreja.
O reverendo Celso Nascimento, superintendente da 3.ª Região, alegou que não há nada de anormal na postura da Igreja Quadrangular. Conforme o pastor Fernando Pereira, "se as demais entidades, como sindicatos, discutem seu apoio a alguns candidatos, por que nós não podemos fazer isso também?".
Tanto Nascimento como Pereira disseram que Alan Tapeceiro não
é frequentador da igreja: "Se ele estivesse registrado como membro de nossa comunidade e se apresentasse como candidato a vereador, também poderia se inscrever para disputar o apoio oficial da instituição, concorrendo com os demais candidatos", explicou Nascimento.