Aumenta procura por Legião Mirim e Cips
Texto: Erika de Lima
Nos últimos anos, para não deixar os filhos ociosos na rua e ser mais uma fonte de renda, pais estão procurando mais por entidades como Legião Mirim e Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips), que profissionalizam os jovens, ocupando o tempo.
Conforme representantes dessas entidades filantrópicas, estima-se que cinco pessoas ficam diariamente nas filas de espera das entidades à procura de vagas para adolescentes.
O presidente do Cips, Roberto Previdello, relata que já chegou a ter 40 pessoas na fila de espera em uma semana. "As entidades assistenciais prestam serviço à sociedade, dando oportunidade às crianças que não têm condições financeiras de se profissionalizarem", argumenta.
Na Legião Mirim (também chamada de Escola de Cidadania e Labor Social), por exemplo, para cada 100 vagas existentes há entre 500 e 600 pessoas na fila de espera.
Neste ano, as três turmas da Legião Mirim já estão completas comportando 330 alunos, além dos 500 que são atendidos normalmente. Para se ter uma idéia há um cadastramento de 220 jovens, mas que só serão atendidos no próximo ano. Embora o quadro de adolescentes na Legião Mirim esteja completo, a entidade continua cadastrando os interessados.
De acordo com a assistente social da Legião Mirim, Luciana Aguiar, todos cadastrados serão atendidos, mesmo que demore um ano, como é o caso dos 220 matriculados, que só serão atendidos em 2001. Eles foram cadastrados em abril deste ano e só entrarão para a entidade, provavelmente em fevereiro.
Os profissionais que trabalham nessas entidades afirmam ainda que a procura por vagas a cada ano é maior. "Todo ano há muitos pais, mães e avós pedindo vagas para os filhos, mas a entidade não tem condições de comportar mais alunos", salienta Previdello.
O Cips já chegou a atender 800 adolescentes, no entanto, hoje, atende a metade. O presidente do Cips reclama pela falta de apoio e incentivo do Governo, e também das empresas que não colaboram com o trabalho filantrópico, através de empregos. "Precisamos de colaboração do Governo para que as crianças sem condições financeiras não fiquem ociosas e na rua, mas sim tenham uma qualificação profissional", ressalta.
O presidente da Legião Mirim, Antônio Carlos Martins, também confirma o aumento pela procura dos cursos. "Há grande busca pela entidade porque nela são desenvolvidas as aptidões dos jovens", completa.
Segundo Luciana, houve uma mudança na preocupação da família que vai até a entidade solicitar uma vaga. Ela afirma que, antigamente os pais se preocupavam mais com a profissionalização dos filhos enquanto um meio de subsistência. "Já hoje, vemos que a família tem a preocupação de não deixar os filhos na rua à toa", relata.
Ela explica que muitos pais têm medo do filho ficar sem fazer nada e acabar até saindo da escola. "Percebemos que a família quer o crescimento do filho, sua profissionalização", acrescenta a assistente social.
Ambas entidades trabalham com a formação dos jovens entre os 12 e 17 anos, tanto profissional quanto socialmente. No Cips há aulas em áreas como marcenaria e informática. Já a Legião Mirim oferece cursos de línguas
(Inglês e Espanhol), além de reforço escolar. Ambos objetivam ajudar o jovem a ter competitividade no mercado de trabalho.