PC do B fica na aliança com Tuga
Texto: Nélson Gonçalves
Com trânsito em quase todos os partidos, o PC do B também viveu resistência contra aliança que inclui Majô Jandreice
O PC do B confirmou, anteontem, coligação na eleição majoritária e proporcional com PSB, PV e PMN, mesmo com a aliança que também reúne PPB e PL no apoio formal à candidatura a prefeito de Tuga Angerami (PSB). Ontem, Majô Jandreice comentou que o PC do B viveu um dilema. A legenda tinha trânsito político com todas as legendas mas, ao mesmo tempo, conviveu com a resistência em relação a uma aliança. Vereadora em um partido pequeno, Majô Jandreice sempre soube que mantém muito mais condições de ser reeleita ao formar aliança com uma ou mais legenda, na construção de uma chapa conjunta.
O problema é que a solução para o PC do B sempre foi recepcionada como um incômodo pelos demais partidos que enxergavam nessa alternativa uma vaga a menos na disputa por uma cadeira na Câmara Municipal. Sem tempo para a articulação com outros partidos, no último dia do prazo estipulado para convenções, o PC do B acabou confirmando o que registrou na ata: aliança "Mais Bauru", com o PV, PSB e PMN. Leia os principais pontos da entrevista:
Jornal da Cidade - Afinal, o PC do B está ou não na aliança "Mais Bauru"?
Majô Jandreice - A definição foi feita durante um processo longo, porque a coligação "Mais Bauru" começou antes da aliança XXI. No final do ano passado já havia o primeiro grupo político da cidade a formalizar uma aliança, ainda no mês de setembro do ano passado, com a perspectiva de aglutinar forças progressistas, de esquerda, para que pudéssemos desempenhar um papel de contraposição em relação ao que Bauru viveu nos últimos anos. Nós trabalhamos na constituição dessa aliança. Num período curto ela foi integrada pelo PSB, PV, PC do B e até o PPS. Depois veio o PMN. E não existia nem a figura de Tuga Angerami ainda, neste período. A preocupação era constituir um grupo e trazer até o PT e o PSTU.
JC - Mas os partidos acabaram se distanciando, com diferentes intenções e candidatos?
Majô - Houve um distanciamento primeiro pelo PPS, que passou a ter candidato, e ficou um grupo que pretendia configurar um grupo de esquerda, já com a indicação do Tuga como pré-candidato. Isso veio até perto das convenções, com o PT optando pela candidatura própria. Mas nós formalizamos uma aliança antes da aproximação do PPB. Neste momento, o PC do B recuou, no entendimento de que o processo inicial não seria cumprido. Chegamos a nos afastar da aliança no mês de junho, mas o PSb colocou a possibilidade de apoio do PPB à candidatura do Tuga e o candidato a prefeito tem o direito de aceitar o apoio de quem quer que seja. Inicialmente não haveria a coligação, mas de última hora houve a convenção e a decisão pela aliança na eleição majoritária com o PC do B.
JC - Na última hora, vocês ficaram sem alternativa?
Majô - O PC do B rediscutiu o assunto às pressas e com o prazo já se esgotando. Nós discutimos internamente e conversamos com o diretório estadual, porque o PPB não faz parte do arco de alianças em nível nacional e estadual. Mas o comitê estadual avalia caso a caso e, diante da data limite, o comitê estadual liberou o PC do B em Bauru para tomar sua decisão sem correr o risco de ficar de fora do processo eleitoral. Avaliamos que não havia mais tempo hábil para o lançamento de outras candidaturas, para montar uma chapa só na proporcional. Confirmamos o que estava na ata. O PC do B faz a coligação com o PV, PSB e PMN. O apoio do PPB na aliança ao candidato majoritário é uma escolha do PSB. Nós vamos fazer campanha pelas nossas três candidatas e buscar votos para o Tuga, o nosso candidato majoritário. O PSB tem o direito de aceitar, escolher quem o apóia.
JC - O dilema vivido pelo PC do B, na aliança que inclui o PPB, confirma que Bauru não digeriu o processo político anterior?
Majô - Nós esperávamos que o processo eleitoral traria outra configuração de candidaturas, após o processo de cassação do Izzo. Mas até causou surpresa para muita gente do jeito que ficou. Fragmentou demais e tem gente ligada ou participante da gestão passada em todos os lugares. Não ficou dividido. Tem gente da gestão política passada em todos os segmentos, em todas as tendências e alianças. Talvez vamos tirar o PT, mas ainda assim sobrou alguma coisa. Muito disso não
é culpa dos partidos. Veja que o PCB não é o que a sigla significa, mas é um partido que tem uma parcela. Tem um pouco para todo mundo do que restou para a cidade do pós-cassação de Izzo Filho. É um processo ainda em construção, ainda não acabado.
JC - O PC do B viveu um dilema. Buscou a aliança, mas teve resistência porque compor era ajudar a te reeleger?
Majô - O PC do B acabava causando duas reações. Ao mesmo tempo em que o partido foi disputado por muitas lideranças, conversou com todos do campo progressista, sofria uma resistência. Somos um partido pequeno, somos importante para essa cidade, atraímos a atenção das candidaturas majoritárias, mas tivemos dificuldades em conversar para a eleição proporcional. Na discussão de integrar um grupo para disputar vagas na Câmara Municipal, a Majô era vista como alguém que iria tomar uma vaga na aliança. Eu tenho potencial de voto e em crescimento e acho que todos reconheceram isso nas conversações. Os outros candidatos se sentiam prejudicados. Mas a visão nossa, do PC do B, é que sempre fazemos conta de somar, quando conversamos com outro partido ou grupo político, e não conta de dividir.
JC - O PC do B e a Majô ficam na coligação com resquícios, juntos mas brigados?
Majô - Quando se tem um processo que corre sem nenhuma dificuldade sempre é mais fácil. Mas a gente retoma, vamos para a campanha e esperamos que ela seja vitoriosa. Para isso, é preciso diluir mágoas, dificuldades, porque quando se tem um grupo político sempre ocorrem diferenças. O importante é não perder de vista o objetivo comum, que é vencer a eleição. Temos uma campanha curta, que vai exigir muito trabalho. Então, da nossa parte, bola pra frente.