Bancários definem pauta da campanha salarial
Texto: Patrícia Zamboni
Conferência serviu para a definição de reivindicar reajuste salarial entre 22% e 25%, além de outras prioridades
Durante a 2ª Conferência Nacional Unificada dos Bancários, realizada em São Paulo, foram definidas as diretrizes para a pauta de reivindicação da campanha salarial deste ano. De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru, Marcos Silvestre, a luta será por um reajuste que ficará entre 22% e 25%, sendo cerca de 16% referentes
à produtividade e com estimativa de inflação girando em torno de 6%. "Também definimos que não aceitaremos abrir mão de nenhum direito; iremos trabalhar no sentido de unificar a categoria bancária em suas reivindicações, entre funcionários de bancos estatais e privados; priorizar a cobrança das questões de saúde, sobretudo na questão da LER (Lesão por Esforços Repetitivos); e na questão do desemprego. Estamos reivindicando a estabilidade do emprego nos bancos", diz Silvestre.
Em relação aos bancos federais - Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal -, o índice de reivindicação será definido durante o congresso dos funcionários, que está marcado para este mês. Segundo Silvestre, no ano passado os dois bancos reivindicaram cerca de 30%, cada um. O total, este ano, deverá ficar em torno de 40%, já que os funcionários dessas duas instituições estão sem receber reajuste salarial há seis anos, segundo informa Marcos Silvestre.
De acordo com ele, este é um dos primeiros passos para o desenvolvimento da campanha como um todo. Até o final deste mês estarão sendo realizadas assembléias nos bancos para, então, a campanha ser deflagrada definitivamente.
"Um dos motes principais da campanha é denunciar a exploração dos banqueiros sobre a população e sobre os bancários", afirma Silvestre.
Apreensão
De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários, os funcionários do Banco Bandeirantes estão apreensivos com a venda da instituição para o Unibanco. "Os funcionários estão apreensivos, principalmente, devido ao histórico de outras fusões e aquisições já ocorridas nos diversos setores da economia, não somente no setor bancário. Sempre que houve fusão ou aquisição, houve demissão em massa ou fechamento de agências. Então, nas próximas semanas estaremos entrando em contato com a direção do Unibanco para saber qual será a postura do banco. Porém, quando o Unibanco adquiriu o Banco Nacional, a postura foi péssima e houve demissão em massa dos funcionários", observa Silvestre.
De acordo com ele, há preocupação entre a categoria também em relação à possibilidade do Governo Federal privatizar a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Em relação a essa questão, Silvestre diz que, na avaliação do sindicato, tudo o que vem ocorrendo nesses bancos nos últimos anos, como o arrocho salarial e a retirada de direitos, é uma preparação para a privatização dessas duas instituições.
"Tudo o que vem acontecendo mostra que o caminho é a privatização. A situação está sendo moldada para que chegue o momento em que se tornará insustentável e, aí, será anunciada a privatização. Por isso, a defesa desses bancos passa pela campanha salarial. A história do Banespa é um divisor de águas. Se o Banespa for privatizado, será aberta uma grande porta para a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Se conseguirmos que o Banespa não seja privatizado, esses outros bancos também não serão", avalia Marcos Silvestre.