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Prisão

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Estela Almagro é presa por 5 horas

Texto: Daniela Bochembuzo*

Candidata à Prefeitura pelo PT ficou detida por ser depositária infiel; dívida é saldo da campanha de Batata à Assembléia

A candidata à Prefeitura Estela Almagro (PT) permaneceu, ontem, detida por cinco horas na Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra). A prisão civil foi determinada pelo juiz Arthur de Paula Gonçalves, da 4.ª Vara Cível de Bauru, que considerou a petista depositária infiel por não ter apresentado um veículo Caravan, penhorado judicialmente, no prazo estipulado pela Justiça.

A penhora deve-se a uma dívida de R$ 5 mil contraída por Estela em 1998, para custear as despesas de José Carlos Pereira Batata (PT), seu marido, com a sua campanha eleitoral para a Assembléia Legislativa.

De acordo com Batata, o valor foi emprestado por Jackson Magalhães. Em troca, Estela deu um cheque de R$ 6.200,00 como garantia da dívida. O cheque seria resgatado mediante o pagamento de dez parcelas de R$ 620,00, as quais seriam efetuadas a partir de 1999.

O cheque também poderia ser resgatado se Estela pagasse metade da dívida em setembro de 1998 - o valor restante seria quitado em parcelas -. Segundo Batata, o credor não cumpriu o acordo prévio e executou o cheque, resultando em dívida bancária de Estela.

O caso foi parar na Justiça, que abriu processo de execução contra Estela. O juiz mandou penhorar os bens da petista e, como ela nada possui em seu nome, penhorou uma Caravan ano 78 e um terreno, localizado em Piratininga, de propriedade de Batata.

Com a discordância sobre o valor dos juros da dívida, o processo se alongou até a segunda estância da Justiça. Neste ano, o juiz pediu mandato de constatação para checar se o terreno e o veículo continuavam no nome de Batata.

Constatado a propriedade dos bens, foi expedida notificação para que Estela apresentasse o veículo. Como ela não o fez (a Caravan está emprestada ao diretório do PT, em São Paulo), o juiz Arthur de Paula Gonçalves expediu mandato de prisão civil, que resultou na prisão da candidata por mais de 5 horas, na DIG/Garra.

Batata questiona a prisão e diz que em nenhum momento Estela foi intimada pessoalmente. "Mesmo assim, a Justiça expediu esse mandato de prisão, que foi cumprido com uma agilidade elogiável", ironizou.

A candidata petista conseguiu deixar a delegacia às 17 horas, após os advogados Márcio Candin e Carlos Roberto Pittolli terem obtido o contramandado mediante o depósito em juízo de R$ 1.900,00, referente ao valor da Caravan.

"Se o juiz tivesse dado um prazo para a apresentação do carro, certamente teríamos cumprido a exigência, mas isso não aconteceu", completa Batata.

Para Estela, o processo que culminou em sua prisão civil deverá ser questionado judicialmente. Ela garante ter o apoio do diretório estadual do PT. "Recebi telefonemas de apoio de Paulo Frateschi e outras lideranças petistas e tenho certeza que isso não me afetará politicamente", disse, em entrevista coletiva concedida uma hora e trinta minutos após sua liberação da delegacia.

Questionada sobre a possibilidade de sua prisão ser usada pelos adversários políticos, a candidata garantiu estar tranqüila. "Discuto com tranqüilidade um débito pessoal com quem tem somas milionárias e pessoas extremamente comprometidas com esses desvios de dinheiro público. Caberá ao eleitor fazer a diferenciação e nós teremos a competência de demonstrá-la", afirmou. (*Colaborou Rita de C. Cornélio)

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