Trabalhadores estão assustados com o arremesso de pedras
Texto: Rita de Cássia Cornélio
O fenômeno pode ser provocado pela mente de alguma pessoa, como acreditam os estudiosos materialistas, ou um espírito brincalhão, como acreditam os espiritualistas
Trabalhadores de uma obra no Jardim do Contorno estão assustados com um fato que eles afirmam que vem ocorrendo desde a última segunda-feira. Toda vez que os pedreiros e serventes sobem em um determinado andaime são atingidos por pedras. O mais intrigante é que não se sabe de onde partem as pedras.
Intrigados, eles deixaram um deles como vigia e não conseguiram ver e nem saber de onde parte as pedras. O fenômeno se repete desde a última segunda-feira, quando um dos serventes fez a limpeza de um telhado de fibra na casa vizinha. "Depois que eu limpei o telhado, fui atingido por uma pedra, ainda sobre o andaime", conta Dejair Brito Ferreira.
De início, ele achou que a pedra teria sido atirada por um companheiro de trabalho ou por alguém que passou na rua. Mas, depois de procurar, chegou a conclusão que não era isso que estava ocorrendo. O pedreiro Luiz Carlos dos Passos não acreditou muito na história do amigo, porém, quando menos esperava, disse que foi atingido por uma pedra que provocou um pequeno ferimentos em suas costas.
Posteriormente, ele foi atingido de novo, desta vez na cabeça. O pedreiro acha que as pedras partem de um depósito ao lado da casa, fechado e que não tem ninguém. "A impressão que eu tenho é que as pedras saem do depósito. Porém, se fosse alguém, não teria força suficiente para arremessar a pedra a tão longa distância", disse.
Em três dias de fenômeno, os trabalhadores da obra já recolheram mais de 30 pedras de tamanhos diversos. "Hoje
(ontem), foi atirado um pedaço de tijolo. Isso é que está assustando a gente", confessa o pedreiro.
O pedreiro José Maria de Souza contou que colocou o filho para vigiar. "Fiquei intrigado e coloquei ele para ver de onde partiam as pedras. Ele não conseguiu ver", ressaltou. Souza acha que deve terminar o serviço daquela parede o mais rápido possível, para trabalhar em paz. "O pessoal não quer subir no andaime para terminar o serviço", disse.
O vizinho da obra, Manoel Oliveira Souza, diz que mora no local, quadra 1 da rua João Batista Garcia, há 11 anos e nunca viu coisa parecida. "Nunca vi. Achei estranho porque assim que eles são apedrejados, a gente corre para todo lado e não vê nada", contou.
Fenômeno de poltergeist
O professor do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, Hernani Guimarães Andrade, aponta três hipóteses para o caso: "Pode ser que alguém esteja atirando as pedras. Descartada essa hipótese, pode ocorrer o fenômeno conhecido por Poltergesist, interpretado de duas maneiras pelos parapsicólogos", contou.
Para os parapsicólogos materialistas, o fenômeno
é da mente. "Seriam pessoas dotadas de certas faculdades que, mesmo sem saber, usam a mente para movimentar objetos. Para os parapsicólogos espiritualistas, o fenômeno é provocado por espíritos espertalhões ou brincalhões que aproveitam da existência do epicentro, um agente capaz de fornecer uma energia especial, para movimentar objetos", explicou.
Segundo o professor, o fato de o local ter abrigado, há muitos anos, um bordel, pode influenciar ou não na ocorrência do fenômeno. "Seria preciso estudar profundamente a situação. Eu já estudei 34 casos de Poltergesist. Em Bauru há uma casa onde o fenômeno acontece", ressaltou.
Andrade lembra que a palavra Poltergesist é formada de duas palavras. "Polter significa brincalhão, em alemão. Já "Gesist" é espírito. "O fenômeno é comum de ocorrer", disse.