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Redação
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Significados da paz

Colocada como um direito do ser humano, o que significa hoje a paz?

O sentido mais comum que conhecemos de paz é aquele que indica ausência de guerras, conflitos armados, violência física etc. Este o sentido negativo de paz construído na história ocidental européia. Assim, grupos e povos aspiram a uma convivência tal em que seus interesses conflitantes possam ser administrados por meio de negociações para evitar - ou ao menos manter sob controle - os confrontos armados.

Foi precisamente este sentido de paz que permaneceu nos objetivos de muitos organismos internacionais fundados neste século a partir das dolorosas experiências dos conflitos armados

contemporâneos. Para evitá-los duas ações básicas foram desencadeadas: de um lado montaram-se organizações internacionais com o poder de administrar interesses conflitantes e mesmo intervir neles militarmente; de outro, procurou-se investir na formação de uma mentalidade de paz na humanidade atual e nas futuras gerações. A educação para a paz garantiria a harmonia do homem com a natureza por meio de um desenvolvimento sustentado e a harmonia entre os homens pelo espírito de solidariedade entre as nações.

A paz, como ausência de conflitos armados, ainda tem hoje forte apelo em razão do agravamento da criminalidade nos grandes centros urbanos. A violência dos assaltos, dos seqüestros, do narcotráfico, do trânsito, dos assassinatos gratuitos provocam com freqüência passeatas, shows e cerimônias em favor da paz. A mobilização é geralmente comandada pelos grupos sociais mais ricos que, sobressaltados, não vêem mais segurança em seu condomínio privado, em seu automóvel blindado, na escola particular de seus filhos, na sua praia, em seu shopping center.

Esta visão reducionista do conceito de paz privilegia dois tipos de atitudes reformistas: uma educacional que busca mudanças de comportamento nas pessoas como prevenção da de ações violentas e outra, política, voltada para a organização de sistemas internacionais para resolver e manter a paz.

A noção de paz positiva surge da compreensão mais ampla e profunda da própria violência. É uma abordagem transformadora que visa rechaçar todas as formas de violência e não apenas a guerra entre nações e violência física entre indivíduos, mas também aquela instaurada na própria estrutura social e inserida na própria política externa das nações.

A paz positiva, além da ausência de guerras, compreende o bem-estar da humanidade como um todo e de cada indivíduo na sua dignidade como ser humano. Esse estar bem passa necessariamente pela conquista concreta dos direitos humanos fundamentais: alimentação, habitação, educação, cultura, lazer, liberdade de expressão, meio ambiente saudável. Por exemplo, o Brasil - como outros países da América Latina - não se encontra em guerra civil, apesar de toda a violência e criminalidade. Todavia, em razão da péssima distribuição de renda

que exclui de uma vida digna milhões de pessoas, está longe de ser um país de paz e harmonia social, imagem que muitos insistem em vender.

Assim, a justa distribuição das riquezas entre os grupos sociais e entre as nações é fator decisivo para a construção de sociedades pacíficas e democráticas. O conceito de justiça global implica

mudanças nos sistemas sociais e econômicos, como também uma redefinição das relações entre os seres humanos e desses com o planeta em função da qualidade de vida e da conquista da paz.

* CARDOSO, C.M. Tolerância e seus limites: um olhar latino-americano sobre identidade e diversidade cultural - algumas implicações na educação. Tese (Doutorado em Educação) UNESP / Marília, 2000. p. 123-6. (texto adaptado)

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