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Álcool combustível

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

Para Sindicato, compra de álcool prejudica postos

Texto: Márcia Buzalaf

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo

(SincoPetro) acredita que a compra ilegal de álcool para diminuir a incidência do Imposto sobre Mercadorias e Serviços

(ICMS) prejudica os postos de combustíveis que atuam corretamente, comprando aqui no Estado de São Paulo e arcando com 25% do devido imposto.

A posição do presidente do SincoPetro de Bauru e região, Sebastião Homero Gomes, é que não há como controlar a postura das distribuidoras que faturam a compra do álcool para o Estado da Bahia, conforme denúncia feita ontem no Jornal da Cidade pelo diretor-presidente da Flag Distribuidora de Petróleo, Francisco Simões Barbosa. E a prática estaria prejudicando os donos de postos que tentariam acompanhar o preço praticado por quem compra o litro do combustível mais barato.

Mesmo assim, Gomes assume que os donos de postos que compram das distribuidoras irregulares - aquelas que faturam a nota para a Bahia - também são co-responsáveis deste problema, já que adquirem o combustível a preços mais baratos do que se estivesse sendo faturado em São Paulo e comercializam o produto próximo ao preço de mercado.

A denúncia prestada pelo distribuidor demonstra que, de acordo com o preço das usinas da região, seria impossível comercializar o álcool a R$ 0,76 o litro, como pode ser visto em alguns postos da cidade. A prática de faturar a compra de combustível na Bahia, que tem ICMS de 7%, também estaria sendo investigada pelo próprio governo baiano.

Barbosa, da Flag, disse que a repercussão da denúncia foi grande e que, ontem mesmo, entraria em contato com a Procuradoria da República em Bauru.

Gomes afirma que a sede do sindicato em São Paulo tem denunciado a questão há tempos. Entretanto, várias das distribuidoras que fazem a compra para a Bahia são fechadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas retornam ao mercado com outro nome e rapidamente. "Tem uma que fechou de manhã e a tarde voltou a funcionar. É complicado", diz.

A assessoria de imprensa do Sindicato dos Distribuidores de Petróleo em São Paulo afirmou que o órgão tem informações de que o problema realmente existe. Já a Secretaria Tributária do Estado de São Paulo não retornou ao pedido de entrevista sobre o assunto.

Associação das destilarias acusa mistura ilegal

Texto: Márcia Buzalaf

A Associação das Destilarias Autônomas de Bauru denuncia que o problema do álcool vai além da compra ilegal para faturar o produto na Bahia, buscando pagar menos imposto. Segundo ele, algumas distribuidoras também compram o álcool anidro, isento do ICMS, para misturar

à água e assim usá-lo como álcool hidratado - aquele usado nos carros movidos ao combustível. O álcool anidro é usado como componente na mistura da gasolina. "E não é a mesma coisa. O álcool hidratado já tem a quantidade certa", explica.

O grande problema é que as próprias destilarias não têm como prevenir a venda para faturamento em outros estados. O representante da associação afirma que os intermediários que compram o álcool têm firma registrada na Bahia, com todas as documentações em dia, e por isso não há como contestar.

Na opinião de Galli, o atual preço do álcool

é real e foi elevado nos últimos anos devido à quebra de safra - que já está na faixa de 23%. Além disso, ele explica que os produtores amargaram durante muito tempo uma falta de demanda, que fez com que o litro do álcool fosse vendido a R$ 0,14. "O álcool anidro estava subsidiando o preço da gasolina para distribuidoras e consumidores", afirma.

A primeira medida dos usineiros foi justamente valorizar o álcool, já que vários produtores estavam deixando de plantar a cana-de-açúcar por causa do preço.

Galli afirma que, a procura pelo álcool parece estar muito grande porque, hoje em dia, vários intermediários fazem a compra do produto para as distribuidoras, segundo informa a associação. Além disso, tem também o incentivo ao carro à álcool feito no ano passado

- que isentou o IPVA por dois anos e deu um bônus de mil litros do combustível.

Para a associação, a culpa pela atual situação do álcool no Estado é do próprio Governo Federal, que não tem feito nada para conter a Guerra Fiscal entre os Estados e, com isso, tem sido conivente como a situação.

Vale lembrar que a associação representa várias unidades produtoras da região de Ourinhos, Araçatuba e Jaú.

Gasolina pode chegar a R$ 1,50

O litro da gasolina pode chegar a R$ 1,50 em Bauru, depois do aumento de preço de 15% anunciado pelo Governo Federal para a madrugada de sábado. A estimativa é da Flag Distribuidora de Petróleo, que acredita que não há como segurar o repasse ou repassar menos do que o reajuste, como o Governo Federal indica.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (SincoPetro) de Bauru e região, Sebastião Homero Gomes, explica que os reajustes do Governo Federal são sempre repassados pela refinaria de forma gradual, ou seja, mesmo depois do aumento, as distribuidoras ainda somariam alguns centavos ao preço do litro do combustível. "Eles alegam que é para segurar a inflação. O último anúncio, foi falado em reajuste de 6% a 8% e veio 12% para nós. Só que a gente tem a nota para provar", conta. Ele acredita que o preço só estará definido na segunda-feira.

Na opinião do diretor-presidente da Flag Distribuidora de Petróleo, Francisco Simões Barbosa, o preço da gasolina na refinaria, ontem, já estava cotado a R$ 1,2888, ou seja, se a distribuidora compra a este preço, ela deve comercializar o litro do produto a R$ 1,35. Nos postos, estima, o preço deve variar entre R$ 1,45 e R$ 1,50, contando a partir do preço médio de R$ 1,30 que está atualmente sendo cobrado nas revendas.

Barbosa diz que o aumento já estava sendo sentido pelo setor. Já Gomes, do SincoPetro, conta que, só nesta semana, o reajuste foi de 3%, já que o litro do combustível passou de uma média de R$ 1,16 para R$ 1,19. (MB)

Gás de cozinha vai para R$ 20

O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o conhecido gás de cozinha, deve sofrer o reajuste integral de 18% anunciado ontem pelo governo. Com isso, o consumidor deve encontrar o gás por R$ 19,50 no balcão e, na entrega, por R$ 21,90.

Até sexta-feira, o botijão ainda deve ser encontrado por R$ 16,50 no balcão e R$ 18,50 para a entrega. Segundo Luís Carlos Afonso, presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás do Interior de São Paulo, não há como não repassar o reajuste integral. (MB)

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