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Patrícia Zamboni
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Trabalhadores da CTEEP e Cesp suspendem greve

Texto: Patrícia Zamboni

Durante a assembléia de ontem, a decisão pela suspensão da greve foi unânime, diante do julgamento do TRT. Sindicato continua aberto a negociações

Os trabalhadores da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) e da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) suspenderam, ontem, a greve iniciada na última segunda-feira. A decisão foi tomada por unanimidade pelos funcionários durante uma votação realizada de manhã e coordenada pelo Sindicato dos Eletricitários

(Sinergia-CUT) de Bauru.

De acordo com o diretor licenciado do sindicato, Jesus Garcia, todos os trabalhadores decidiram aceitar a posição defendida pelo juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que, na terça-feira, julgou o dissídio coletivo, pedido pelas empresas. De acordo com a decisão do TRT, a greve foi considerada não abusiva e ambas as empresas devem oferecer reposição da inflação de 7%, manter as conquistas sociais da categoria e o mesmo índice de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 99 aos funcionários. Porém, segundo Garcia, os diretores da CTEEP e da Cesp já anunciaram que irão recorrer dessa decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o julgamento do dissídio, o TRT também decidiu que os trabalhadores devem receber pelos dias parados, já que os serviços essenciais foram mantidos, e garantiu a estabilidade de emprego aos funcionários das duas companhias durante 90 dias. Enquanto isso, os militantes do Sinergia-CUT vão continuar tentando uma negociação com as duas empresas para discutir outras reivindicações que fazem parte da pauta inicial da campanha salarial 2000 da categoria, como a extensão do acordo coletivo para até 2005, em lugar de terminar em 2002.

"Os trabalhadores acabaram aceitando, por unanimidade, a proposta do juiz do TRT porque durante a assembléia nós consideramos que, apesar de não ser o acordo ideal, era o possível para o momento. Durante esses 90 dias que o TRT deu de garantia para os trabalhadores, nós sabemos que as empresas vão entrar com recurso para suspender essa decisão no Supremo Tribunal Federal. Por outro lado, vamos aproveitar esse prazo para continuar tentando uma negociação para tratar de outros pontos do acordo coletivo, como a sua extensão até 2005", observa Garcia.

O diretor licenciado do Sinergia-CUT ressalta que o sindicato está, e sempre esteve, aberto a negociações.

"Nós sempre quisemos negociar. O que não pode acontecer é que as empresas simplesmente continuem negando tudo o que a categoria está pedindo e não apresentem nenhuma contra-proposta. Foram as empresas que decidiram partir para o dissídio, e não os trabalhadores. Aí, o governo estadual banca essa proposta do TRT e, mesmo assim, a situação continua sem acordo. Não dá para um lado só ceder. Ainda podemos negociar", avalia Jesus Garcia.

Na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Elektro e Duke, o acordo coletivo já foi negociado.

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