Polícia descobre estelionato virtual
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Os pais devem ficar atentos com os adolescentes e crianças que passam horas no computador porque eles podem estar cometendo um crime
Um hacker, mais comumente conhecido por "rato" de computador, conseguiu descobrir as combinações usadas por dois cartões de crédito para identificar os titulares dos cartões. Com os números, ele passou a fazer compras como se fosse o titular de um dos cartões. O golpe de estelionato virtual foi descoberto pela Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), que já identificou o autor do crime.
O estudante bauruense A.L.N.C.S., 18 anos, admitiu que costuma ficar horas na frente do computador, navegando pela Internet, e se interessou em descobrir as combinações usadas por dois cartões de crédito. Após estudar a situação, com a ajuda de um anúncio de cartão de crédito publicado numa revista, ele conseguiu chegar aos números de cartões de crédito que pertencem a uma determinada pessoa.
Para testar se a seqüência de números estava certa, ele usou os sistema de atendimento on-line do cartão crédito, checando o saldo e pedindo extrato. Ao descobrir que podia agir como se fosse o titular do cartão, o hacker percebeu que podia fazer todas as compras que quisesse sem ter que pagar a conta.
A primeira compra feita por ele foi um microcomputador, vendido posteriormente, através de um anúncio de jornal, por R$ 1 mil. Com o dinheiro em mãos, ele comprou um fac-símile e, com o troco, fez compras menores. Entusiasmado com a descoberta, o estudante continuou as compras e adquiriu um nootbook e uma antena parabólica.
O titular do cartão, ao descobrir a dívida referentes
às compras na administradora do cartão, reclamou. A empresa administradora do cartão de crédito procurou a DIG/Garra e pediu providências. Os nomes dos titulares dos dois cartões, assim como da empresa dos cartões, não foram divulgados pela polícia.
Serviço de Inteligência
A equipe de investigação, intitulada de Serviço de Inteligência da DIG/Garra, especializada em esclarecer crimes que exigem mais pesquisas e estudos, começou a trabalhar a partir da denúncia da empresa de cartão de crédito, quando o estudante ainda não havia feito a última compra.
Os policiais navegaram pela Internet e tentaram identificar o autor das compras e, conseqüentemente, o autor do crime, mas não conseguiram achar o estudante. Foi quando A.L.N.C.S. tentou comprar a antena, via Internet, de uma loja de Bauru. A compra foi aprovada pelo cartão de crédito, que estava atento para toda a movimentação feita com aquele número de cartão.
O estabelecimento comercial simulou a venda e foi fazer a entrega com a polícia, quando o estudante foi identificado como autor da compra. "Ele foi encaminhado para a delegacia, onde confessou o crime. Ele não foi preso em flagrante porque a compra foi simulada, mas responderá inquérito por crime de estelionato", explicou o delegado J.J. Cardia, titular da DIG/Garra.
A descoberta do estudante pode custar um processo pelo crime de estelionato, artigo 171 do Código Penal. O crime prevê pena de reclusão de um a cinco anos e multa, segundo J.J. Cardia. "Todo o material resultante do crime foi apreendido", contou. O delegado diz que o Serviço de Inteligência da delegacia continua a investigação a fim de detectar outros hackers de Bauru que possam estar cometendo o mesmo crime.