20 mil litros de diesel vazam em descarrilamento
Texto: Adriana Rota
A precariedade dos dormentes teria provocado o acidente, que não teve feridos. A empresa acredita ter minorado o impacto ambiental
Vinte mil litros de óleo diesel vazaram após um acidente com nove dos 74 vagões de um trem da Novoeste, que aconteceu às 4h05 de ontem no quilômetro 15 da ferrovia. A via vai permanecer interditada até, pelo menos, as 12 horas de hoje. O laudo contendo as causas do acidente deve estar concluído amanhã. Acredita-se que o estado precário de conservação dos trilhos tenha provocado o problema.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por um funcionário da empresa por volta das 9 horas de ontem, para garantir a segurança das pessoas que trabalhavam na recuperação dos trilhos. A área foi isolada e o combustível coberto por espuma. A empresa já havia tomado as medidas emergenciais de segurança ainda durante a madrugada, procurando minorar impactos ambientais e evitar incêndios.
De acordo com a assessoria de imprensa da Novoeste, o trem de 74 vagões seguia de Bauru em direção a Campo Grande, com carga de uma empresa particular (o nome não foi divulgado). Chegando no quilômetro 15 da ferrovia (próximo
à estação de Val de Palmas), sete deles tombaram e dois descarrilaram. Dos 350 mil litros de óleo diesel, 20 mil vazaram.
A via foi interditada e deve permanecer assim, pelo menos, até as 12 horas de hoje. O laudo sobre as causas do acidente só sai 48 horas depois que ele ocorre. O valor do prejuízo também não havia sido calculado até a tarde de ontem. Uma composição que estava chegando em Bauru, composta por 31 vagões, tem de aguardar a liberação da ferrovia.
O diretor do Sindicato dos Ferroviários, José Carlos da Silva, suspeita que o acidente tenha sido causado pela precariedade da via. Segundo ele, pequenos acidentes acontecem praticamente todos os dias, especialmente na região do Mato Grosso. Embora nenhum problema tenha sido causado diretamente aos funcionários da empresa, Silva salienta que eles sentem muito medo e que a recuperação tem de ser agilizada.
A assessoria de imprensa admite que a causa pode ter sido essa, porque antes da privatização havia sido constatada a precariedade. Ela garante que a Ferronorte Participações S.A., holding que controla e administra a Novoeste, está buscando alternativas para realizar os investimentos necessários
à melhoria da ferrovia.
Indagada sobre a freqüência de acidentes nos últimos tempos, a assessoria informou que, após a privatização, houve "uma sensível redução": dos 346 por ano registrados em 1995, eles caíram para 243 no ano passado. Até o último dia 19, aconteceram 104 acidentes, o que permitiria a projeção de 210 ocorrências até o final deste ano.
De acordo com o Sindicato dos Ferroviários, são 1.800 quilômetros de linhas de Bauru a Corumbá, passando pelas cidades de Três Lagoas e Campo Grande, onde há um ramal para Ponta Porã.