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Redação
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Sindicato pede punição ao presidente do Banespa e diretor do BC

Sindicato dos Bancários entra com representação no MPF contra declarações levianas e gestão temerária do diretor do Banco Central e do presidente do Banespa

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região protocolou representação junto ao Ministério Público Federal (MPF), em Bauru, pedindo a imediata responsabilização do diretor de finanças públicas do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, e do presidente do Banespa, Eduardo Guimarães, por declarações levianas e gestão temerária, respectivamente. O pedido da representação foi feito pelos diretores do sindicato, Marcos Silvestre e Marcos Lenharo, que foram orientados pelo advogado da entidade, Sandro Luiz Fernandes.

De acordo com os diretores, em recente entrevista amplamente repercutida pela imprensa nacional, Freitas teria feito comentários descabidos e que, propositadamente, podem causar sérios danos à imagem do Banespa, o maior banco estadual do País.

"No afã de tentar convencer o Judiciário a cassar as liminares que impedem o processo de privatização do Banespa, Freitas, que tem a missão principal de privatizar o banco, afirmou, leviana, inconseqüente e infundadamente, que as ações do banco podem virar pó se a privatização não ocorrer até o final desse ano. Essa afirmação é desprovida de fundamentos sólidos, já que, mensalmente, o Banespa acumula lucro de cerca de R$ 100 milhões", destaca Silvestre.

De acordo com os diretores do sindicato, ao contrário do que afirma Carlos Eduardo de Freitas, o valor do Banespa não vem do interesse de bancos em adquirí-lo. "A tradição, a marca Banespa, os cerca de três milhões de correntistas, o funcionalismo altamente qualificado, a enorme e estratégica rede de pontos de atendimento no Estado mais rico da Nação e a baixa inadimplência é que fazem o lucro e o valor do Banespa, que tanto interesse desperta aos grandes bancos privados nacionais e internacionais", diz Lenharo.

Com relação ao presidente do Banespa, Eduardo Guimarães, Lenharo diz que o diretor do Banco Central deixou claro que ele imprime uma gestão "passiva" e que não investe em estratégias de crescimento para a instituição. Segundo o sindicalista, desde a intervenção, ocorrida em 94, para cá, a participação do Banespa entre os 20 maiores bancos em depósitos totais foi reduzida de cerca de 8% para algo em torno de 4%. Na opinião de Lenharo e Silvestre, isso deixa claramente exposta a gestão temerária dos interventores do Banco Central.

Quanto à representação apresentada pelo Sindicato dos Bancários, o Procurador da República do MPF, Rodrigo Valdez de Oliveira, diz que, em tese, o diretor do Banco Central e o presidente do Banespa podem ser enquadrados nos crimes tipificados pela Lei 7492/86, que dispõe sobre o sistema financeiro nacional.

Essa lei diz que um administrador não pode dar declarações que prejudiquem a ordem econômica e abalem a credibilidade das instituições financeiras. Segundo Oliveira, o MPF irá encaminhar, imediatamente, a representação do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região à Procuradoria da República em Brasília, que é a competente para iniciar o processo contra Freitas e Guimarães.

"Essa representação é totalmente plausível, mas como as declarações foram prestadas em Brasília, uma eventual apuração sobre o teor das declarações deverá ser feita lá, ou em São Paulo", diz Rodrigo Oliveira.

O Sindicato dos Bancários espera que Freitas e Guimarães sejam afastados de seus cargos e devidamente responsabilizados por suas declarações. (PZ)

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