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Deficientes

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru não tem número exato de deficientes

Texto: Andréia Alevato

O município realizou um censo em 1996 para saber quantos eram os portadores de deficiência na cidade. Comude descorda dos números apontados

Bauru não sabe com exatidão quantas pessoas formam a comunidade de portadores de deficiência. Um censo foi realizado, mas o número apontado é considerado baixo pelo Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência

(Comude).

Estatísticas mundiais apontam que 10% da população, de qualquer comunidade, possui algum tipo de deficiência. Segundo o presidente do Conselho, Francisco Takao Kajino, o censo realizado em Bauru, em 1996, apontou que a cidade tem pouco mais de 3700 pessoas portadoras de deficiência. O Comude discorda desses números, que os considera baixos.

"10% da população de qualquer cidade do mundo

é portadora de deficiência. Ter 3.700 pessoas portadoras de deficiência numa comunidade que em 1996 tinha mais de 280 mil habitantes, é muito pouco. Achamos que esse número

é muito abaixo do que a realidade", disse o presidente do Comude.

A secretária municipal do Bem-Estar Social, Sandra Scriptore Rodrigues, afirmou que não participou do processo do censo, mas que sabe que ele foi feito de casa em casa e não baseados em alunos das entidades que atendem a pessoa portadora de deficiência. Takao discorda.

"Esse censo não foi feito de casa em casa, porque a maioria das pessoas portadoras de deficiência que conversamos diz que nunca receberam a visita de recenseadores para saber se eram ou não portadores de deficiência. Nós achamos que essa pesquisa foi feita apenas nas entidades que cuidam das pessoas portadoras de deficiência e por isso o número

é baixo", afirmou Takao.

O censo 2000 que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE) realizará este ano irá ter uma pesquisa separada para as pessoas portadoras de deficiência. Além do número de brasileiros, a pesquisa também apontará quantos são portadores de deficiência.

"Mas nós não temos acesso a informações básicas como endereços dessas pessoas. Por isso

é que seria interessante que se fizesse um censo na própria cidade", comentou o presidente do Comude.

Para Takao, o censo será importante para que o município consiga verbas para atender a população portadora de deficiência.

"Com números certos, o município vai ter mais força para reivindicar verbas para atender a população portadora de deficiência", completou.

Entidades

Bauru tem cinco entidades que atendem pessoas portadoras de deficiência cadastradas na Secretaria do Bem-Estar Social e mais cinco cadastradas no Comude. Essas entidades atendem apenas uma pequena parte da população portadora de deficiência.

"Bauru tem 10 entidades que atendem as pessoas portadoras de deficiência, mas mesmo assim, a grande maioria não consegue tratamento. A Apae atende mais de 370 pessoas, mas 90 pessoas estão na fila. E isso acontece com todas as entidades. Faltam verbas para aumentar o atendimento", afirmou o presidente do Comude

Transporte coletivo

A lei garante que empresas de transporte coletivo devem ter carros adaptados. Bauru tem apenas três ônibus, um de cada empresa, adaptado para a pessoa portadora de deficiência que fazem todas as linhas da cidade, de acordo com o presidente do Comude. Para ele, isso acontece em função da própria lei.

"A lei diz que a empresa tem que ter o transporte adaptado para a pessoa portadora de deficiência. Ela diz que a empresa tem que ter a unidade adaptada. A unidade é singular. Então, as empresas estão cumprindo a lei, mas sem se preocupar com a quantidade. Mesmo porque, adaptar um ônibus custa caro, mais de R$ 30 mil", explicou Takao.

Além de não ter muitos ônibus adaptados, muitas vezes o elevador dos carros está quebrado, dificultando ainda mais o transporte do portador de deficiência física. As ruas também não são adaptadas. As calçadas que têm rampas na região central da cidade são irregulares, fora dos padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

"Fecho os olhos e sonho ver toda a cidade adaptada para os portadores de deficiência. Um dia sei que conseguiremos isso", comentou.

Avanços

Apesar de diversas barreiras, o presidente do Comude destacou algumas conquistas dos portadores de deficiência de Bauru, como a lei municipal de acessibilidade e o Balcão de empregos para as pessoas portadoras de deficiência, mas isso não

é suficiente, segundo Takao.

A lei municipal de acessibilidade n.º 4475/99 é uma das principais conquistas das pessoas portadoras de deficiência. Ela diz que o município terá que fazer uma série de adaptações para os portadores de deficiência, como a pista tátil para os cegos, sinais para os deficientes auditivos, acessos para os cadeirantes e muletantes. No caso do Balcão de Emprego, instalado no Ministério do Trabalho, mas ainda não existe a qualificação profissional.

"O empresário quer um trabalhador qualificado, independente de ser ou não portador de deficiência. A lei garante uma reserva de vagas para pessoas portadoras de deficiência, desde que elas sejam capacitadas para a função que foi designada. A empresa não é obrigada a contratar simplesmente para colocar uma pessoa portadora de deficiência nela. A empresa contrata desde que a pessoa seja capacitada para o cargo. Temos o Balcão de Emprego, mas ainda falta a qualificação profissional", ressaltou.

No caso da educação inclusiva, todas as Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) já estão preparadas para aplicar o processo. Na rede estadual, a prática da educação inclusiva está aumentando gradativamente. Para Takao, os direitos das pessoas portadoras de deficiência estão sendo conquistados porque os governantes estão mais conscientes.

"Os governantes estão mais conscientes, tentando cumprir, cada vez mais, a Constituição, e construindo uma sociedade inclusiva. As Emeis de Bauru estão preparadas para praticar a educação inclusiva, integrando crianças portadoras de deficiência e as não portadoras. Na rede estadual, muitas escolas também já estão fazendo a inclusão. Lentamente tudo vai se adaptando. O Teatro Municipal, por exemplo, está parcialmente adaptado, ainda faltam as placas indicando e o elevador. Mas já conseguimos alguma coisa. A educação inclusiva é fundamental, porque se a pessoa portadora de deficiência for tratada como outra pessoa qualquer ela acompanha e se torna independente", concluiu Takao.

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