Atividade física é o melhor antídoto
Texto: Sabrina Magalhães
Cuidados com a alimentação e respeito aos momentos de lazer são essenciais para o ser humano driblar o estresse da vida moderna
Infeliz ou felizmente, é impossível fugir ou eliminar o estresse da vida de qualquer espécie animal. E na opinião da maioria dos especialistas consultados, ainda bem, pois sem ele a espécie humana não teria sobrevivido e nem, muito menos, evoluído. No entanto, existem algumas práticas que, seguidas regularmente, ajudam a minimizar os efeitos negativos desse estresse persistente. Dentre elas a atividade física
é considerada o principal antídoto.
"O exercício físico é um anti-estresse natural", observa a psicóloga Sandra Leal Calais. Isso porque, ao praticar um esporte, o organismo libera endorfinas, o chamado hormônio do prazer, que garante ao indivíduo uma enorme sensação de satisfação. Apesar de todo o cansaço físico, as endorfinas são capazes de anular completamente a tensão. Mas vai uma dica: que seja uma atividade não competitiva, para evitar que haja mais estresse.
"Outra coisa é a alimentação. A maioria dos estressados está sempre correndo e nem almoça direito. Não tendo os nutrientes necessários, você não tem o equilíbrio físico e vai ter mais facilidade para se estressar", lembra Calais. Além disso, vale ressaltar que alguns produtos, como chocolate, café, chá mate e refrigerantes têm propriedades estimulantes, que podem agravar os sintomas do estresse.
A psicóloga cita também o relaxamento, condição indispensável para o ser humano lidar com as situações de estresse: "E não estou falando do relaxamento que se faz em clínicas, mas do lazer. Chegar em casa e colocar uma música tranqüila, deitar no tapete, apagar a luz, fazer palavras cruzadas, qualquer coisa que ajude você a tirar os problemas da cabeça, esquecer o chefe, o serviço que ficou pela metade, esvaziar a mente mesmo. E nisso, as atividades manuais (tricô, crochê, bordar, desenhar) ajudam muito".
A psicóloga lembra que algumas pessoas nunca se estressam e que isso está diretamente ligado ao modo como elas encaram as situações. "É preciso que a pessoa preste atenção no modo como ela lida com o problema e tentar mudar isso. Então, se a coisa já aconteceu e não dá para mudar, não adianta se estressar. Se você já está atrasado, não adianta brigar no trânsito. É como o jovem diz: desencanar. Porque só não se dá jeito para a morte. O resto, mesmo que se perca tempo, dinheiro, emprego, tudo se resolve, de um jeito ou de outro."
No futuro
Uma dica bastante interessante adotada por vários psicólogos
é ensinar o paciente a pensar no futuro. A regra é, diante de qualquer situação de estresse, perguntar a si mesmo: "O que é que isso vai interferir na minha vida daqui a um ano?" Então, uma pessoa que está atrasada para a reunião do mês e ficou presa no trânsito vai perceber que em um ano aquele pequeno (ou mesmo grande) atraso não vai significar mais nada.
O mesmo serve para avaliar a discussão com o chefe, a nota baixa na escola, a dificuldade em aprender como funciona aquele programa novo do computador da empresa ou os dois quilinhos a mais adquiridos naquele final de semana.
Por outro lado, uma pessoa que descobre ser portadora de diabetes e faz a mesma pergunta, vai logo concluir uma infinidade de mudanças para sua vida em um ano: novos hábitos alimentares, restrição de doces, adoção da prática de exercícios físicos, fazer exames de sangue periodicamente. Esse sim
é um fator de estresse importante - quando serão necessárias adaptações. Perto disso, a briga com o chefe e aquela "unha quebrada" tornam-se menores que um grão de areia.
Infância
Para as crianças, o pediatra Donizete Troijo reforça a necessidade de esportes e uma boa alimentação, destacando também a necessidade de se construir um ambiente familiar agradável e confiável para seu crescimento.
"Quando o problema da criança encontra uma solução nos pais, ele não vai para a frente, o estresse para, porque está muito ligado ao modo como a criança vê as coisas, ao otimismo, entusiasmo. Sem essas coisas, diante de qualquer situação mais desfavorável, ela vai descompensar."
Ele defende também que, apesar do mundo moderno exigir uma qualificação profissional cada vez maior, os pais não devem ir matriculando seus filhos em todos os cursos que aparecem. "A criança tem que ter o tempo de brincar. Nós estamos colocando as crianças para fazer muitas coisas que nós, pais, desejávamos fazer e não pudemos. Ela faz inglês, natação, musica, academia. Mas ela precisa do tempo de brincar. Ela precisa ter o tempo dela, um tempo para relaxar, extravasar as emoções e é com o brinquedo que ela vai conseguir isso."
O pediatra ressalta que, muitas vezes, os pais incentivam os filhos a aprenderem tudo o que podem, preocupados com o futuro deles.
"Mas esquecem que a criança tem que viver o presente. Então, tem que dar uma folga para ela. Ela vai ter uma vida melhor se tiver um tempo livre, só para ela. É assim que ela vai conseguir se definir", conclui.