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Estresse parte II

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Vestibular é período mais estressante

Texto: Sabrina Magalhães

Crianças submetidas a situações de estresse persistente têm mais chances de adoecer. Dores de barriga e xixi na cama são principais indícios

"Outro dado que nós obtivemos com a pesquisa e não estávamos procurando é que os grupos de 3.º colegial e cursinho são os que apresentam maior nível de estresse. Nós estávamos procurando um dado sobre a mulher e descobrimos que existe uma associação importante com a escolaridade também", informa a psicóloga Sandra Leal Calais.

Ela explica que, no período pré-vestibular, vários fatores desencadeiam o estresse. Além da pressão dos professores e do medo em torno da dificuldade do exame, que levam o jovem a estudar o tempo todo, abrindo mão, muitas vezes, do lazer e do esporte, existe também uma ansiedade muito grande quanto ao futuro.

Afinal, este é o momento em que o jovem vai decidir sobre seu futuro e ele começa a pensar nas mudanças que estão por vir, como conhecer pessoas novas, sair da casa dos pais, mudar-se para outra cidade, enfim, um conjunto de preocupações e hábitos que desgastam o indivíduo. "Chegamos a pegar alguns casos já em exaustão, quer dizer, níveis muito preocupantes de estresse", afirma a psicóloga.

Segundo Calais, comparando os grupos de alunos do 1.º e 4.º ano de faculdade, a pesquisa apontou mais estresse entre os primeiros, provavelmente por todas essas mudanças citadas. "Ainda assim, os universitários se estressam bem menos do que os alunos do curso pré-vestibular, que apresentaram níveis de estresse realmente muito chocantes, índices muito altos. Agora, imagine um jovem às vésperas do vestibular, estressado e com problemas de memória, tendo 'brancos'... Imagine o estresse (ainda maior) que isso causa", conclui.

Estresse na infância deve ser acompanhado de perto

Sabendo-se que o estresse é um mecanismo natural do ser humano e que tem por objetivo permitir sua adaptação

às mais diversas situações do dia-a-dia,

é fácil perceber que qualquer pessoa, em qualquer idade, está sujeita a ele. Isso não exclui as crianças. Pelo contrário. Algumas vezes, a repercussão do estresse é ainda mais séria nelas do que seria, por exemplo, num adolescente.

De acordo com o pediatra Donizete Troijo, é preciso considerar que cada pessoa tem um limite e uma interpretação própria para o estresse, não importando se é uma criança, adulto ou idoso. "Na verdade, depende de como você vê o estresse. Se como uma situação que você não consegue se adaptar, não consegue resolver, dar a volta ou, ao contrário, como uma situação em que você vai aprender, vai superar e conseguir ultrapassar a dificuldade."

Neste sentido, o médico ressalta que o estímulo constante de situações adaptativas pode deteriorar o equilíbrio natural do organismo, resultando em prejuízos físicos (como a insônia, falta de apetite, dificuldade de concentração) e emocionais (irritabilidade, raiva, medo, insatisfação).

Segundo Troijo, um dos sintomas mais comuns nos consultórios pediátricos e que está diretamente ligado ao estresse em boa parte das vezes, são as dores abdominais. "Você investiga exaustivamente e não encontra um fator definido físico como causa dessa dor. Isso atinge 40% a 50% das dores abdominais chamadas idiopáticas e nós acreditamos que uma grande porcentagem delas sejam de fundo emocional, causadas pelo estresse."

Ele explica que geralmente o estresse na criança tem origem familiar ou escolar. Uma discussão entre os pais ou um trabalho da escola, por exemplo, que seriam é facilmente superados pelos adultos, podem causar um impacto bastante intenso na criança.

Além das dores abdominais, há vários outros sintomas que, na criança, podem ser indícios de estresse. Entre eles, todas a dores inespecíficas ou sem causa física aparente, reações alérgicas do tipo psoríase, eczema, urticária e acne. Algumas crianças voltam a fazer xixi na cama, perdem o apetite ou passam a comer em demasia. A médio prazo, podem inclusive chegar à obesidade.

Já sob o aspecto emocional, a criança pode apresentar uma agitação incomum, agressividade, rebeldia, irritabilidade ou, ao contrário, desânimo, melancolia, podendo até chegar a um quadro depressivo.

Questionado a respeito do tempo necessário para que os pais identifiquem o problema, o médico salientou que geralmente demora-se muito para perceber o estresse. "Inclusive o médico. Porque nós estamos muito ligados à Medicina alopática, que trabalha com medicamentos atuando sobre causas definidas. Então, a gente sempre vai, primeiro, investigar o físico da criança, o que estamos vendo. Até porque temos

'por obrigação' descartar uma causa física progressiva. E aí fazemos o diagnóstico por exclusão. Não encontrando qualquer causa física, aí começamos a pensar numa possível causa emocional. Não existe um tempo médio, mas posso afirmar que o estresse nunca vai ser a primeira tentativa investigada e nem pensada. Nunca vai ser o primeiro diagnóstico."

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