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Deficientes

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 8 min

Entidades ajudam a romper barreiras

Texto: Andréia Alevato

As entidades assistenciais da cidade ajudam na formação, reabilitação e reintegração da pessoa portadora de deficiência

Reintegrar as pessoas portadoras de deficiência à sociedade, sem que elas sejam vistas como algo diferente e estranho. Fazer com que essas pessoas se tornem capacitadas para enfrentar o mercado de trabalho. Essas são alguns dos objetivos das entidades assistenciais em Bauru.

Cinco entidades estão cadastradas na Secretaria Municipal do Bem-Estar Social e outras cinco no Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude). Todas essas prestam atendimentos gratuitos à população.

Sorri-Bauru - A Sociedade para a Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri-Bauru) é uma associação civil, sem fins lucrativos. A entidade oferece vários serviços, entre eles, a profissionalização. Tem marcado presença nos mais diferentes segmentos da sociedade na busca de sua finalidade que é a integração social da pessoa com deficiência, no pleno exercício de sua cidadania.

No atendimento direto às pessoas com deficiência, a Sorri oferece programas que visam a integração social através do desenvolvimento pessoal e social, do trabalho, de produtos especiais, de adaptações ou modificações ambientais e de informações, encaminhamentos e orientações. Os serviços oferecidos são Programas de Reabilitação Profissional, Educação Básica, Serviços de Apoio, Projetos Comunitários e Desenvolvimento de Produtos Especiais. Nos programas de atendimento direto aos usuários

(Programas de Reabilitação Profissional, Educação Básica e Serviços de Apoio), os serviços são prestados de forma individualizada, o que garante a cada pessoa ser atendida em função de seu perfil peculiar de objetivos pessoais, sociais, profissionais e necessidades.

Nos Projetos Comunitários, são desenvolvidas ações que favoreçam a compreensão da deficiência pela sociedade e a responsabilidade de cada um no processo de integração das pessoas com deficiência. No programa de Desenvolvimento de Produtos Especiais, a Sorri desenvolve e vende para todo o País e exterior, o Estesiômetro, um kit para Teste de Sensibilidade, além de oferecer serviços de assessoria quanto a adaptações ou modificações no ambiente público e privado de forma individual ou a pedido de organizações.

Antes de serem atendidas na Sorri, os portadores de deficiência atendidas na Sorri, passam por triagem social, médica e psicológica. Informações pelo telefone 230 3864.

Apae - A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru atende alunos portadores de deficiência mental (moderada, severa e profunda), com distúrbio global de desenvolvimento, deficiência grave, distúrbios de aprendizagem e com deficiência múltipla. Esses alunos, do sexo masculino ou feminino, vêm para a entidade a partir dos três meses de idade e ficam até a idade adulta.

O objetivo da Apae é promover e articular ações de defesa de direitos, prevenção, orientação, prestação de serviços, apoio à família, direcionadas à melhoria da qualidade de vida da pessoa portadora de deficiência.

A entidade oferece serviços de Educação infantil, Pré-Escola, Ensino Fundamental, Educação Complementar, Educação Especial para o trabalho, Educação Profissional (que inclue oficinas profissionalizantes e estágios), atividades na área de saúde

(atendimento médico em diversas áreas, serviços de psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, pedagogia, nutrição e odontológico e realiza o Teste do Pezinho.

Outras atividades realizadas pela Apae são o Programa Qualidade de Vida (destinado às pessoas adultas e idosas portadoras de deficiência mental, física e sensorial e que tem como objetivo a prevenção, recuperação das incapacidades ou manutenção do quadro clínico realizado por uma equipe multidisciplinar), Teatro, Dança e Expressão Corporal, Grupo de Mães, Programa de Pais, Informática, Equoterapia e Musicoterapia.

As atividades são mantidas por subsídios governamentais e doações de colaboradores, que nem sempre são suficientes.

Informações 234 3064 ou 223 2834.

Apiece - Associação de Pais para a Integração Escolar da Criança Especial (Apiece) é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em novembro de 1.989. A entidade atende crianças, jovens e adultos portadores de deficiências físicas, mentais e múltiplas, com idades entre 5 e 35 anos. As famílias dos alunos que freqüentam a entidade também recebem apoio.

O auxílio que a Apiece presta aos seus alunos não se restringe apenas no educar e sim, cuidar dele como um todo, dentro e fora da escola Oferece atendimentos psicológicos, fonoaudiológico, neurológico, fisioterapêutico e odontológico. Atende também as áreas pedagógica, sócio-cultural e profissionalizante, com o objetivo de inserir o aluno na sociedade e incluí-lo em escolas de ensino fundamental. Os alunos se dividem nas salas de Estimulação, Pré-Alfabetização, Alfabetização, Atividades de Vida Diária e Oficina Abrigada, onde os alunos aprendem a fazer trabalhos manuais. Alguns alunos da Apiece já estão freqüentando escolas de ensino regular.

Informações pelo telefone 222 0368

Santa Luzia para Cegos - O Lar Escola Santa Luzia para Cegos é uma instituição filantrópica, fundada em 1969. Atende deficientes visuais, com cegueira completa ou visão sub-normal, homens e mulheres de baixa renda, com idades entre 18 e 75 anos. Realiza atividades como Educação

(alfabetização pelo sistema Braille e datilografia Braille em máquina própria); Artesanato (empalhar cadeiras de diversos tipos e com material plástico); Tricô; Cultura (aulas de teatro); Alimentação; Psicologia; Biblioteca; Grupo de Voluntários; e Cidadania.

Informações 223 1754.

Centrinho - O Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais - Centrinho -, atende pessoas portadoras de deficiências auditivas, visuais e com mal formações craniofaciais. O Centrinho realiza a reabilitação completa do ser humano, através de intervenções cirúrgicas e terápicas. Fazem parte da equipe médicos, fonoaudiólogos, dentistas, nutricionistas, assistentes sociais, pedagogos, fisioterapêutas e psicólogos. Diariamente, o Hospital atende mais de 500 pessoas, vindas de todas as regiões do Brasil, e realiza cerca de 40 cirurgias por dia.

Informações pelo telefone 235 8000.

Cedalvi - O Centro do Distúrbio de Audição, Linguagem e Visão (Cedalvi) é um serviço para diagnóstico da deficiência auditiva, indicação e adaptação de Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI). É ligado ao Centrinho. Os serviços prestados são as reavaliações e acompanhamentos dos casos já atendidos. O programa de deficiência visual está sendo reformulado. Já o de distúrbios de linguagem é desenvolvido pelo curso de Fonoaudiologia da USP. Em média, atende 100 pacientes por dia. A fila de espera é longa. O portador de deficiência espera em dois momentos. Primeiro na fila de inscrição até o primeiro agendamento (no início de 2000 eram 1.500 fichas aguardando). Após o diagnóstico e indicação do aparelho, o paciente espera que o Hospital adquira o aparelho indicado.

Informações pelo telefone 234 7884.

Cedau - Centro Educacional do Deficiente Auditivo (Cedau)

é ligado ao Centrinho. Atende crianças de 0 a 14 anos que tenham deficiência auditiva bilateral neurosensorial

(perda auditiva que não tem cura ou tratamento). O objetivo da entidade é desenvolver a fala da criança.

Informações pelo telefone 224 3548.

Rafael Maurício - O Lar Escola Rafael Maurício iniciou suas atividades no início da década de 60, com o trabalho pioneiro de Maria Dias da Silva, que se sensibilizou com o drama de meninos excepcionais pobres, que eram ignorados pela maior parte da população. O Rafael Maurício mantém sistema de internato, escola de ensino especial, presta atendimentos psicológico, assistente social, psicoterapêutas, odontológico e médico. O atendimento, na área de internato, é feito em crianças com idades entre 6 e 12 anos, podendo se estender até os 18 anos. Na área externa, o ensino se estende a meninos e meninas no ensino especial

. Uma nova sede, onde as crianças poderão desfrutar de maior conforto, deve ser inaugurada primeiro semestre do ano que vem.

Informações pelo telefone 223 1186.

Nirh - O Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação é um dos programas do Centrinho. Os usuários deste programa residem em Bauru e região, freqüentam o ensino regular e necessariamente são pacientes regularmente matriculados no Centrinho. A proposta é atender desde bebês até adultos de 25 anos.

Informações pelo telefone 235 8186.

Biofeedback já chegou em Bauru

Um dos 30 aparelhos que monitoram a parte muscular de pessoa para tratamentos de pessoas paraplégicas e tetraplégicas está em Bauru

O Biofeedback, que traduzido para o Português significa a retroalimentação da vida, já pode ser encontrado em Bauru.

O Biofeedback, que foi notícia na imprensa nacional, é um aparelho computadorizado que monitora a parte muscular do indivíduo, segundo a psicóloga Elizabeth Freitas Girola, proprietária do aparelho em Bauru.

Ela contou que cientistas descobriram que o paraplégico e o tetraplégico, durante o sono, têm movimentos involuntários, que apesar de serem conectados ao cérebro não têm passagem para a medula espinhal. Através dos estudos foi desenvolvido o Biofeedback, que monitora a parte muscular do indivíduo.

"A pessoa imagina que está caminhando. Eu encontro o centro nervoso do músculo e monitoro através do computador. Com dados, gráficos e números quanto a pessoa tem de movimento elétrico na musculatura. Através da imaginação de caminhar, a pessoa aumenta esse movimento elétrico", explicou a psicóloga.

Com o aumento do movimento elétrico, o paciente consegue um primeiro movimento mecânico. Os movimentos mecânicos são somados. Depois que o paciente deixa a clínica, não perde nenhum movimento conseguido.

Lupércio Ferraz Paley, 31 anos, está fazendo o monitoramento há um mês e já conseguiu quatro movimentos mecânicos. Ele ficou paraplégico depois de sofrer um acidente de carro em 1986. Na época, Paley tinha 17 anos, quebrou a coluna e teve achatamento da medula.

Elizabeth contou que ela apenas monitora o aparelho e que os movimentos são conseguidos pelo próprio paciente, quando imagina que está caminhando.

Apenas 30 aparelhos podem ser encontrados em todo o País. O Biofeedback custa US$ 15 mil dólares e todos os sensores são importados do Canadá. Elizabeth afirmou que Paney é seu primeiro paciente e por isso não está cobrando o tratamento. Ela não estipulou um preço para o tratamento, alegando que cada caso é estudado separadamente e por isso os preços variam. Mas, a primeira consulta custa cerca de R$ 70,00, o mesmo valor de uma consulta de psicoterapia.

"Depois dessa consulta, eu monto um pacote de acordo com a necessidade de cada pessoa, por isso o preço do tratamento pode variar de pessoa para pessoa", concluiu a psicóloga.

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