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Despesas

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Vamos rachar?

Texto: Gustavo Cândido

O nível do compromisso durante o namoro, na maioria dos casos, não é o mesmo do que no casamento. Mesmo assim a questão financeira está presente no momento de pagar a conta em um restaurante ou o ingresso do cinema. E nessa história, embora acreditem que hoje em dia dividir as despesas é uma coisa comum, os homens ainda preferem arcar com as despesas por cavalherismo ou "porque é o papel do homem" na relação. As mulheres, por sua vez, não acham ruim rachar a conta mas ficam muito mais felizes quando só os namorados abrem a carteira. A etiqueta existe também para esses casos.

"Acho que o papel do homem é pagar a conta", diz o estudante Ricieri Mattiazzo Simonetti, de 19 anos, seu amigo Gustavo Lima da Silva, de 17 anos, concorda: "o homem tem de ser cavalheiro", afirma. Mas os dois não são completamente avessos à idéia de dividir as despesas com as namoradas. "É até legal, de repente, uma vez ou outra pode até ser, tudo depende da situação financeira na hora", explica Gustavo. Ricieri pensa da mesma forma mas faz uma ressalva, "pode até ser, mas existem situações em que nem fica bem pedir para a namorada pagar, com num jantar por exemplo", diz.

O estudante Fernando José Martinez também acredita que pagar as contas durante o namoro é mais uma função dos homens, mesmo que sua namorada, Letícia de Simone Foganholi, esteja sempre disposta a rachar a conta, "quando os dois concordam, tudo bem", ela diz. A opinião do casal representa, no geral o que pensam os homens e mulheres quando se deparam com essa situação. Enquanto os homens entrevistados disseram que pagar as contas é um papel masculino, as mulheres sempre propõe a divisão das despesas.

"Por uma questão de igualdade de condições", explica Andreia Cristina Lima, de 20 anos. Na opinião da vendedora Luciane Lourenço de Paula, a divisão das contas é uma questão de comunhão, "o casal deve dividir tudo desde que estão juntos", acredita.

Apesar disso, a maioria das mulheres entrevistadas confessou que, mesmo aceitando dividir as despesas, se o namorado insistir muito em pagar a conta elas não achar ruim. "Vou adorar", diz Andreia Lima. Um diferencial na opinião feminina veio da jornalista Tereza Guedes, que afirmou odiar que alguém pague suas contas. Tereza conta que nunca se preocupou com a questão financeira nos seus relacionamentos e em certo momento até pagou contas para o namorado, "tive um namorado para quem pagava a passagem de ônibus", diz sem o menor constranginento. O namoro terminou mais tarde, mas não por causa do dinheiro, ele mudou de cidade.

Etiqueta

Segundo a jornalista Cláudia Matarazzo, autora do livro

"Etiqueta sem Frescura", franqueza, bom senso e pontualidade são os pontos essenciais para que as questões financeiras não atrapalhem um relacionamento. Ela lembra que dinheiro

é sempre um assunto muito delicado e que se torna um verdadeiro motivo de guerra num caso de separação, por exemplo, mesmo quando um casal já tem mais de 20 anos de união. No namoro, muito mais vulnerável do que o casamento, é preciso ter muito cuidado com a questão do dinheiro, para que a relação não chegue ao fim.

O primeiro toque da especialista em etiqueta é sobre o medo que os parceiros têm de falar sobre a situação financeira. Segundo ela isso é besteira porque se duas pessoas que se gostam, não faz sentido esconder o jogo. A parte que possui melhores condições não precisa ostentar ou jogar na cara. Porém, com tato, é perfeitamente possível mostrar que determinadas despesas não vão pesar e ela faz questão de pagar. No caso inverso, a dica é deixar claro os limites: a outra pessoa não pode simplesmente tentar adivinhar que, apesar se seu salário razoável, você paga a faculdade de seus irmãos e ajuda os pais em casa, além de estar pagando a prestação do apartamento, ou algo parecido, tudo sem que isso precise ser detalhado. A situação deve ser explicada suavemente, sem agredir.

No caso de um dos dois estar sem emprego, nem se discute: a outra parte arca com as despesas, sem clima e sem ressentimentos. Se não der, pode-se sempre sugerir outro programa, evitando jogar na cara as razões. Aliás os programas devem ser escolhidos pelos dois de acordo com as suas possibilidades e, se ambos têm mais ou menos a mesma renda, não há o menor motivo para não rachar as contas. Assim mesmo, dividindo sempre. Com o tempo, as coisas se ajeitam, mas, pelo menos no começo, se perceber que seu par está pagando sozinho algumas noitadas, é legal retribuir em outras ocasiões.

Outras situações

Em caso de empréstimos, Cláudia Matarazzo acredita que seja sempre melhor pedir a um amigo ou à família algum dinheiro emprestado do que para o (a) namorado (a). A não ser que ele (a) ofereça, mostrando. Ainda assim, em quaisquer dos casos, é imperativo devolver no prazo determinado, na opinião da especialista. Isso porque, no momento em que se pede emprestado, é importante dizer quando será possível devolver a quantia. Se achar que não vai conseguir, deixe claro que acha que só conseguirá devolver uma parte até tal data. E o prazo deve ser cumprido. Se, por algum motivo, se percebe que está chegando o dia e que não vai dar para pagar, é preciso dar uma satisfação. Não é porque está com a pessoa todos os dias que simplesmente pode-se "esquecer" a dívida.

No caso de uma viagem, se por algum motivo, um dos dois está pagando tudo, o outro deve maneirar na programação e ficar atento ao que sugere ou escolhe. Afinal, ele (a) pode ter feito um esforço extra para pagar tudo, mas isso não quer dizer que dê para deitar e rolar com uma programação milionária. E legal o outro se oferecer para pagar a condução, o pedágio, a gasolina, pequenos passeios, refeições... Não é apenas a intenção que vale, mas o gesto em si. Se um dos dois usar o cartão de crédito ou um cheque pré-datado para pagar uma conta do outro. A data da devolução desse dinheiro não pode ser esquecida de jeito algum, recomenda Cláudia.

Fim de namoro

É uma situação embaraçosa terminar um namoro e ainda ter uma dívida para receber. Por isso

é sempre importante não deixar para pagar as contas com o namorado (a) a perder de vista. Em todo caso, nessa situação a jornalista diz que a dívida deve ser cobrada, não importa como. Mas, claro, que dependendo da quantia. Muitas vezes numa situação como essa é melhor se livrar logo da pessoa mesmo que com isso se perca algum dinheiro.

Cláudia ainda alerta sobre como o dinheiro remete ao poder muito freqüentemente e por isso muitas pessoas se intimidam acreditando que quem tem dinheiro tenha necessariamente poder e é feliz. Para a especialista em etiqueta, convém o casal não perder a perspectiva do que significa ter ou não dinheiro e saber que ele é um fator que pode fazer a maior diferença na sua vida, mas, não essencialmente, no que eles são.

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