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Márcia Buzalaf
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Demissão no comércio cresce 20%

Texto: Márcia Buzalaf

De acordo com dados do Sindicato dos Comerciário, comerciantes demitem mais do que em anos anteriores; empresários afirmam que quadro é estável

O número de rescisões contratuais no comércio bauruense aumentou 20% este ano. Nos primeiros seis meses deste ano, foram homologadas 1.150 rescisões no Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru, contra 959 no ano passado e 995 em 1998.

Na opinião do presidente do sindicato, Antônio Pereira de Lima, não há motivo para tal crescimento, já que o primeiro semestre do ano passado foi um dos piores do comércio

- depois da desvalorização do real, em janeiro - e que se o discurso dos comerciantes foi o de contratação durante a campanha pelo horário ampliado, não haveria motivo para tal demissão. "As lojas já estão enxutas, já demitiram muita gente no ano passado, com a crise", questiona Lima.

O lado empresarial contesta a situação dos comerciários, mas não tem dados do número de contratações. Para eles, a situação está estável.

Na opinião de Walace Garroux Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), o quadro de contratações está estável.

Já a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) afirma que as rescisões são frutos de mudança de pessoal, não de demissão propriamente dita. Apesar disso, Sérgio Evandro do Amaral Mota, recém eleito presidente da entidade, reconhece que várias lojas do centro optaram por compensar as horas extras feitas pelos funcionários do comércio.

O presidente da Associação dos Lojistas das Empresas do Calçadão, Francisco Alberto Franco de Bernardis, afirma que não houveram contratações significativas porque a ampliação do horário de atendimento do comércio ainda é experimental. Para ele, está havendo pouca contratação.

Comerciários

O sindicato dos comerciários conta que, de acordo com as informações dos próprios comerciários que chegam à entidade, todos os trabalhadores estão esticando o horário do trabalho, compensando estas horas em dias de baixa, como as segundas e terças-feiras, geralmente no final do mês. De acordo com o representante dos comerciários, não há pagamento de horas extras por parte dos lojistas.

Horário ampliado ainda deve ser discutido

Os representantes do comércio em Bauru ainda devem discutir o horário ampliado de abertura das lojas. Algumas reclamações do novo horário são de que nem todas as lojas estão permanecendo abertas até as 19 horas. Segundo o presidente da Associação dos Lojistas das Empresas do Calçadão, Francisco Alberto Franco de Bernardis, aproximadamente 90% das lojas estão abrindo além do horário tradicional.

Uma reunião no final dos 90 dias de experimentação deve decidir se o novo horário continua ou não. Na opinião de Bernardis, não dá para fazer uma avaliação do que está ocorrendo, até porque o novo horário começou em 9 de junho e, desde então, encarou períodos de pouco movimento.

O inverno, por exemplo, é citado pelos representantes do comércio como um dos problemas das lojas, que investiram em novas coleções, mas que não conseguiram um retorno porque o frio ainda não chegou.

Bernardis afirma que a associação deve avaliar o número de consultas feitas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) para checar se teve aumento nas vendas.

"Até agora, nossa função tem sido investir no marketing do horário", conta.

Para o representante dos lojistas do calçadão, a atitude de algumas lojas abrirem apenas até as 18 horas, o que ele acredita ser 10% de todo o comércio central, não é positiva. Para ele, não dá para entender empresários que votaram pela ampliação da abertura comercial fechando suas portas no horário tradicional.

EVOLUÇÃO DAS DEMISSÕES

Período N.º de rescisões 1.º semestre 2000 - 1.150

1.º semestre 1999 - 959

1.º semestre 1998 - 995

Fonte: Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru

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