Ladrões fazem motorista e ajudante reféns
Texto: Ieda Rodrigues
O motorista Antônio Francisco Brasil, 48 anos, e o ajudante Adriano Ferreira dos Santos, 22 anos, ambos moradores em Rio Claro, passaram momentos de muito medo ontem pela manhã em Bauru. Eles foram assaltados por dois homens, que o mantiveram como reféns por mais de uma hora sendo ameaçados de morte, até serem liberados.
Os ladrões levaram mais de R$ 5 mil em dinheiro e cheques, mas abandonaram o caminhão, com a carga, na rodovia Bauru-Marília, na altura do recinto do Boi Bravo. Motorista e ajudante foram liberados, em locais diferentes, sem ferimentos. Até ontem não havia pistas da identidade dos ladrões.
Brasil, acompanhado por Santos, dirigia o caminhão-baú placas BMU 4101, de Rio Claro, na Vila Independência, com cerca de três mil quilos de ração. Eles contaram
à polícia que foram assaltados quando haviam terminando de fazer uma entrega e estavam na quadra 14 da rua Felicíssimo Antônio Pereira.
Um carro preto, que as vítimas não souberam precisar se era um Corsa ou Polo, com dois ocupantes, parou na frente do caminhão, impedindo a passagem. Conforme as vítimas relataram à polícia, os dois ocupantes do carro desembarcaram e aproximaram-se do caminhão, abordando Brasil e Santos ao mesmo tempo.
Um deles, armado de revólver, entrou no caminhão e obrigou Brasil e colocar o veículo em movimento enquanto o outro ladrão voltou para o carro preto. Sem exigir nada, mas ameaçando o motorista e o ajudante de morte, o ladrão determinou que Brasil saísse da cidade e seguisse pela rodovia Bauru-Marília.
O carro preto, conforme motorista e ajudante relataram, seguia o caminhão de perto. Só quando já estavam na rodovia é que o ladrão anunciou o assalto ao motorista, afirmando que se não tivesse dinheiro ele e seu colega seriam mortos. Num determinado ponto da rodovia Bauru-Marília o ladrão mandou o motorista estacionar o caminhão e desembarcou o ajudante.
O outro ladrão, que estava no carro, também armado de revólver, parou atrás e obrigou o ajudante a acomodar-se no banco do passageiro. O ladrão, segundo Santos, manteve o revólver apontado para sua cabeça e dizia que se Brasil não entregasse o dinheiro ele seria morto.
Direções diferentes
A partir do momento que o ajudante desembarcou, o caminhão e o carro tomaram direções diferentes. Santos contou que rodou um bom tempo no carro, sempre sendo ameaçado, até que o ladrão lhe mandasse desembarcar, sendo deixado na rodovia Bauru-Iacanga. Então, após pedir informações para várias pessoas, o ajudante chegou ao 2.º Distrito Policial, onde encontrou o motorista, que também havia sido deixado na rodovia pelo outro ladrão.
Brasil, que continuou no caminhão, contou que depois de seguir alguns quilômetros pela rodovia Bauru-Iacanga e entrar numa rua sem saída, o ladrão mandou ele retornar, pegando novamente a rodovia Bauru-Marília. Na altura do Recinto Boi Bravo, o ladrão, que ainda pedia dinheiro, mandou que ele descesse e corresse.
O motorista cumpriu as ordens do ladrão e quando olhou para trás, após cerca de 500 metros, constatou que o caminhão continuava no acostamento, mas não viu qual direção tomou o ladrão. Após pegar uma carona, ele encontrou o ajudante no 2.º DP.
Os dois foram levados para o 2.º Distrito Policial, onde a ocorrência foi registrada. Mais tarde, em companhia do delegado Marcelo Haddad, o motorista seguiu até o local da rodovia Bauru-Marília onde foi deixado pelos ladrões e encontrou o caminhão no acostamento, com a carga. Apenas o dinheiro - mais de R$ 5 mil - e algumas notas foram roubados.