CVV oferece amizade provisória diariamente
Texto: Adriana Rota
Ser um amigo sempre disponível, nos bons e nos maus momentos. Esse é o trabalho executado diariamente e em todos os horários pelos voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade filantrópica de abrangência internacional sem fins lucrativos, que atua em Bauru desde 1981.
Hoje, no Dia do Amigo, a entidade reafirma o compromisso de seus membros em oferecer afeto incondicionalmente, seja pelo telefone 222-4111 ou no atendimento pessoal, realizado na sala 50 do Terminal Rodoviário das 7 às 22 horas.
O voluntariado passa por um curso de sete aulas antes de começar a fazer os plantões, de 4h30 de duração (uma vez por semana) ou 9 horas (quinzenal). São eles que contribuem na manutenção do posto. Mantendo-se no anonimato, os membros da equipe garantem sigilo absoluto de todas as conversas. O atendido também não precisa identificar-se, caso não queira.
A filosofia de trabalho do CVV é baseada nas experiências do reverendo da Igreja Anglicana Chad Varah, que na década de 50 deu origem ao grupo Samaritanos de Londres. O intuito principal dos trabalhos do gênero é evitar o suicídio, ou os pequenos "suicídios" diários decorrentes da solidão, depressão e outros fatores negativos, aparentemente insolúveis.
No caso do reverendo, ele ficou impressionado com o suicídio provavelmente evitável de uma garota, decorrente de sua primeira menstruação. O trabalho ganhou repercussão mundial, com denominações distintas. No Brasil, atualmente, são 45 postos nos diversos Estados, com mais de 2 mil voluntários.
Em São Paulo, o trabalho foi fundado em 1962 e, em Bauru, o posto que hoje funciona na rodoviária começou a atuar 19 anos depois. Atualmente, são aproximadamente 42 voluntários, de ambos os sexos, várias idades
(a partir dos 18 anos) e profissões. Cerca de 500 atendimentos são realizados mensalmente, a pessoas com perfil variado
(de crianças a idosos).
O ponto de partida do voluntário é jamais interferir nas decisões do atendido, aprendendo a ouvir os desabafos sem opinar, sempre respeitando suas características pessoais e seus posicionamentos. Quem tiver interesse em fazer parte da
"família CVV", pode inscrever-se por telefone em qualquer época para a seleção de voluntários, que costuma ocorrer a cada três meses.