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Novos cursos

Adriana Rota
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Unesp estuda implantação de novos cursos

Texto: Adriana Rota

A Coordenadoria de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe),

órgão técnico da Universidade Estadual Paulista

(Unesp), estuda a possibilidade de implantar novos cursos de graduação no câmpus local. Os primeiros seriam o de Licenciatura em Química e o Curso Normal de Ensino Superior, destinado

à formação de professores para as quatro primeiras séries do ensino fundamental.

O professor e diretor da Faculdade de Ciências, José Misael Ferreira do Vale, acredita que até o final do ano haja uma resposta da Reitoria. Caso seja positiva, um ou ambos os cursos podem aparecer como alternativa no exame vestibular de 2002. Na sua opinião, a implantação desses cursos seria positiva para a comunidade em geral, representaria mais uma possibilidade de acesso à escola pública e a implementação de pesquisas na área.

A Unesp local já conta com departamentos de Educação e de Química, mas seus professores ministram aulas complementares a outros cursos. Indagado sobre as adaptações necessárias, Vale afirmou que seria necessária a contratação de, no mínimo, dois professores para cada curso, de modo a não haver sobrecarga aos que estão em atividade.

Outra necessidade pendente é a contratação ou remanejamento de funcionários para o período noturno, quando as atividades ficam comprometidas. "O câmpus de Bauru foi pensado para funcionar durante o dia", explicou. Quanto à estrutura física, o professor afirmou que o novo bloco com 12 salas de aula, cuja construção será iniciada brevemente, contribuirá para abrigar eventuais novos cursos.

Na opinião de Vale, a Reitoria aparenta estar priorizando a implantação de licenciaturas e cursos de formação em seu quadro. Necessidades antigas, como a construção de uma piscina para os estudantes de Educação Física, devem ser atendidas posteriormente. Por enquanto, a universidade continuará arcando com o aluguel de uma academia da cidade, que custa R$ 450,00 ao mês.

O professor salientou, no entanto, que aos poucos estão sendo obtidas melhorias para o curso: R$ 500 mil já teriam sido destinados para a construção de dois prédios

(um, já pronto), cobertura das duas quadras poliesportivas, reforma do prédio do pólo esportivo, dentre outras.

Projeto tem dois anos

O diretor da Faculdade de Ciências explicou que o primeiro estudo referente à implantação dos novos cursos foi apresentado dois anos atrás à Reitoria, que na ocasião prorizava a vinda de cursos de Odontologia e Farmácia para Bauru.

Além de mais tradicionais, eles ajudariam a universidade a atender uma determinação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, que obrigava a destinação de pelo menos 33,33% das vagas no período noturno.

O Ministério Público (MP) teve de intervir para que houvesse o cumprimento da determinação, fosse pelo desdobramento dos cursos já existentes ou a criação de outros. A Unesp conseguiu atender às exigências e, na última reunião do Cepe, Vale disse ter percebido que houve um aceno no sentido de implantar a Química e o Curso Normal de Ensino Superior na cidade.

O primeiro combateria a falta de professores para atuarem no ensino médio da área e, o segundo, atenderia a um novo contingente de alunos que não mais devem contar com o curso de Magistério a partir de 2007 (leia quadro).

Segundo o entrevistado, o trâmite para implantação de um novo curso é o seguinte: prepara-se o projeto pedagógico, que estabelece quantas e quais disciplinas terá o curso, conteúdo, bibliografias, estágios, duração, dentre outros itens; o resultado é colocado para apreciação dos Conselho Departamental e da Coordenação, órgãos colegiados da universidade; se aprovado, é enviado a São Paulo, para o Cepe; após a votação, volta para a unidade com as devidas sugestões e adaptações.

É nessa etapa que está a proposta de Bauru.

Estudantes de magistério se mobilizam

Alunos do Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefam), que junto com a Escola Estadual Christino Cabral são as únicas que formam professores de primeira a quarta séries do ensino fundamental na cidade, estão colhendo assinaturas visando a criação do Curso Normal de Ensino Superior na Unesp. Eles entendem que essa é a única alternativa para garantir acesso ao ensino gratuito na área, no futuro.

A mobilização seria decorrente de um item constante da LDB que determinaria a obrigatoriedade da formação de professores de primeira a quarta séries do ensino fundamental somente por curso superior a partir de 2007. A Secretaria Estadual de Educação ainda não teria se posicionado sobre o destino das escolas de Magistério.

De acordo com a coordenadora pedagógica do Cefam, Marisa A. P. Santos, a LDB teria mesmo dois artigos que "dão margem" à interpretação de que a formação de professores passaria a ocorrer no ensino superior, mas falta a definição da secretaria. Ela salientou, ainda, que a iniciativa do abaixo-assinado não teria sido de membros do Cefam, mas de pessoas da Unesp. Os alunos teriam apenas pedido autorização para pegarem as assinaturas.

Diferenças

Vale entende que o Curso Normal de Ensino Superior seria uma espécie de "Magistério aperfeiçoado", garantindo uma formação mais ampla e aprofundada para o aluno. Ele diferiria da Pedagogia, destinado à formação de especialistas no ensino. As pessoas formadas em Magistério teriam garantido o direito de trabalhar, embora precisem buscar aperfeiçoamento caso sejam de fato implantados os cursos superiores.

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