Homens buscam tratamentos práticos
Texto: Sabrina Magalhães
Calosidades e outras lesões nos pés merecem atenção especial dos dermatologistas. Identificar o problema e sua causa
é fundamental
As técnicas ambulatoriais de tratamento estético
- aquelas que são feitas em poucos minutos e dispensam afastamento do trabalho ou repouso - estão atraindo mais homens aos consultórios. A afirmação é de Luiz Carlos Cucé, que abordou o "Rejuvenescimento facial masculino".
De acordo com o especialista, os peelings são os procedimentos mais procurados pelos homens, principalmente pelos jovens, que querem se ver livres das cicatrizes de acne. Logo atrás vem o implante capilar, "que todo careca quer fazer", brinca. Ele comenta que as técnicas mais modernas já preconizam o implante fio a fio e não mais em tufos, como foi feito inicialmente. "Em tufos, fica parecendo cabelo de boneca."
"O terceiro procedimento que os homens fazem e aceitam com uma certa facilidade é a toxina botulínica, porque
é uma aplicação só. O sujeito não precisa voltar e o tratamento não o tira do trabalho. Ele vai ao consultório, faz e dificilmente alguém percebe que ele fez um procedimento estético. Vão achar que ele deu uma melhorada, que está mais bem disposto e pronto."
Neste sentido, Cucé também ressaltou o cuidado que se deve ter com o ponto de aplicação, mostrando fotos de pacientes que tiveram sua fisionomia totalmente modificada.
"Mas não se impressione", ironizou. "Se isso acontecer, com o tempo melhora. Depois de um mês ele fica bem. Ele só vai te xingar bastante."
O levantamento de cicatrizes de acne também é um problema que leva homens ao dermatologista com certa freqüência. Depois, bem menos comum, são as técnicas de preenchimento do sulco nasogeniano. "Dermoabrasão localizada são casos excepcionais e ficam restritos aos casos em que, depois do levantamento, a cicatriz fica profunda ou feia."
Ele concluiu apresentando fotos de um paciente mais velho que,
"num exemplo de vida, procurou fazer tudo a que tinha direito, desde peeling até dermoabrasão".
Lesões dos pés desafiam o médico
Outro aspecto bastante discutido durante o Congresso foi a "Cirurgia dos pés - soluções para um desafio diário", tema de simpósio. Entre os principais tópicos, foi abordada a dificuldade que os médicos encontram na hora de distinguir o tipo de lesão que o paciente apresenta, que pode ser um calo, um clavus ou uma verruga. Cada uma é causada por um fator diferente e requer tratamento específico. Em alguns casos, podem ser muito parecidas e exigem do médico uma avaliação extremamente minuciosa, com exames laboratoriais ou mesmo radiografias.
Exceto pelas verrugas, que são causadas por vírus, as demais lesões nada mais são que uma resposta protetora da pele contra uma pressão exagerada sobre aquele ponto. Essa pressão pode ser pelo uso de sapatos inadequados, por um vício no modo de andar ou por uma anomalia óssea.
"Tive uma paciente com uma calosidade que eu não sabia o que fazer. Até que pedi para ela calçar o sapato e descobri que ela usava dois números abaixo do dela, porque não queria ficar o o sapato grande. Trocou o sapato, o calo desapareceu", ressaltou Benjamin Golcman.
Unha encravada
Mas o destaque foi a apresentação de novas técnicas para a cirurgia da unha encravada, quando a unha cresce em formado irregular e perfura a carne dos dedos. Segundo Cássio Martins Villaça Neto, presidente do Congresso e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, quando diagnosticado inicialmente, pode ser facilmente resolvido com a adaptação de uma placa acrílica corretiva (chamada clips de unha), que é colada à base da unha forçando-a a um crescimento correto.
"Mas quando o problema chega a um processo inflamatório crônico, que provoca dor intensa e sangramento, recomenda-se o procedimento cirúrgico que, ao extrair a matriz que fabrica a unha encravada, cura totalmente o problema."
Tumores
Segundo Luiz Guilherme Castro, é muito raro o aparecimento de tumores nos pés, mas eles podem aparecer e, geralmente, vêm acompanhados de dor e incômodo intoleráveis. A maioria é benigna, mas alguns podem exigir cirurgias muito agressivas, como a fibromatose plantar, que se desenvolve em cordões e requer uma intervenção maior.
Quanto aos tumores malignos (câncer), Castro chama a atenção para o sarcoma de Kaposi, para os tumores espinocelulares e para o melanoma, que é o tipo mais agressivo de câncer de pele. Nesses casos, além da extração do tumor, o tratamento pode exigir complemento de radio e quimioterapia, destacando que é importantíssimo o repouso após a cirurgia, pois o paciente não pode apoiar-se sobre o pé operado por pelo menos duas a três semanas.