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Josefa Cunha
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Adesão ao PDV da CPFL assusta sindicato

Texto: Josefa Cunha

O balanço inicial do Plano de Demissão Voluntária

(PDV) implantado pela CPFL de Bauru surpreendeu o Sindicato dos Eletricitários, que esperava um número de adesões bem inferior ao constatado no último dia 20, data de encerramento do programa. Dos 4.080 funcionários da Companhia, 1.200 optaram pelo desligamento incentivado, que, entre outros, oferece 0,60% de ganho real sobre cada ano trabalhado, assistência médica por 12 meses e subsídios de até R$ 3 mil per capita para requalificação profissional. A entidade trabalhista acha que a empresa não tem condições de atender a demanda com o número de empregados remanescente e prevê queda na qualidade dos serviços.

O PDV da CPFL está previsto em acordo fechado entre empresa e funcionários. Na cláusula 22, a qual trata da política de emprego da Companhia, ficou ajustado a implantação do plano voluntário de desligamento, seguido pelo PDI, este já autorizando cortes conforme a nova estrutura organizacional da empresa. Encerrado o PDV, cuja homologação tem data indicativa para ocorrer nesta próxima sexta-feira, inicia-se o PDI, que deverá se estender até o dia 30 de setembro. O acordo prevê a garantia de 100% dos postos de trabalho que estiverem ocupados a partir de 1 de outubro.

"Se ninguém aderir ao PDI e se todos os PDVs forem homologados, a CPFL estará obrigada a garantir 2.880 vagas, podendo demitir, desde que depois substitua, apenas 5% desse universo. Isso, por um período de dois anos. O problema é que esse número é insuficiente para a demanda de trabalho", preocupa-se Jesus Garcia, diretor licenciado do Sindicato dos Eletricitários.

Segundo afirmou, a expectativa inicial da entidade era de que apenas 500 funcionários aderissem ao PDV. "Fechamos o acordo com essas cláusulas porque não nos restou outra alternativa. Se negássemos, a empresa, que agora

é privada, poderia demitir sumariamente quantos bem entendesse. Dentro das poucas opções, ficamos com a menos ruim. A questão aí é que muitos aderiram ao plano sob pressão da chefia. Recebemos denúncias sobre esse tipo de conduta e tomamos providência, através do cancelamento das adesões", informou.

Quando passou ao comando da iniciativa privada, a CPFL reduziu, de cara, 24% do quadro de pessoal. Computando-se as possíveis novas 1.200 demissões, o enxugamento salta para 76%. O reduzido número preocupa o sindicato dos trabalhadores em dois pontos: a inevitável queda na qualidade dos serviços prestados à população e a sobrecarga de trabalho aos que ficarem.

De acordo com Jesus Garcia, a Companhia já vem lançando mão de empreiteiras de trabalho antes mesmo das demissões previstas, o que, na opinião dele, deixa explícita a necessidade de incremento na mão-de-obra. O pessoal terceirizado, agrava ele, também não possuiria qualificação específica para as atividades que exerce. "A sobrecarga de trabalho já está acontecendo e, obviamente, tende a piorar. Para a população, isso significa um sistema vulnerável de abastecimento e riscos mais latentes de interrupções. Quando as chuvas chegarem, então, a coisa ficará ainda mais complicada, porque a empresa não terá gente suficiente para fazer a devida manutenção e muito menos para garantir reparos rapidamente", prevê.

Enquanto os prognósticos nada positivos não se concretizam, o Sindicato dos Eletricitários espera contar com ações do Ministério do Trabalho, em termos de fiscalização, e do poder público, que estaria devendo empenho na constituição do Conselho Municipal de Energia.

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