Donas de casa unem-se para mudar de vida
Texto: Adriana Rota
Por iniciativa própria, o grupo resolveu unir-se para gerar renda e tentar instalar uma creche no Parque Jaraguá, que atenderia também a região
Um grupo formado por cerca de 45 mães reuniu-se ontem, no Parque Jaraguá, visando buscar melhores condições de vida. Elas querem ensinar umas às outras aquilo que sabem, gerando renda, e providenciar uma creche que abrigue entre 100 e 150 crianças do bairro e das imediações.
A idealizadora do projeto, a vendedora Maria Cristina da Silva, 33 anos, afirmou que conseguiu mobilizar todas essas mulheres pelo sistema "boca a boca". Elas teriam em comum o fato de serem discriminadas quando buscam um emprego, pelo simples fato de morarem nessa região.
Maria é presidente da Sociedade Beneficente Exemplo de Vida, entidade sem fins lucrativos e sem vínculos religiosos ou políticos, segundo ela, que presta atendimento à população local procurando encaminhar para emprego e "socorrendo" nos momentos difíceis, como escassez de comida.
A Sociedade ainda não tem sede própria e uma reunião com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), a ser agendada, vai definir sua linha de atendimento, bem como de uma creche que o grupo pretende montar. Maria afirma que já teria um terreno, cedido, para sua instalação.
A idéia de reunir as mulheres teria surgido há pelo menos dois anos. "Chega uma hora que não dá mais para adiar", disse Maria. Ela afirmou ter percorrido as creches das imediações (Vila Nova Esperança e Fortunato Rocha Lima), mas não vislumbrou possibilidade de conseguir vagas para as crianças de 0 a 6 anos, em número de 100 a 150, conforme seus cálculos.
A construção ela pretende que ocorra através de doações do empresariado bauruense, bem como a equipagem do aparelho. Os profissionais seriam voluntários
(ainda não totalmente definidos) e profissionais encaminhados pela Sebes e universidades da cidade. Na sua opinião, é necessário ter "coragem e firmeza para encarar".
Enquanto os filhos permanecerem na creche, as mães poderiam gerar renda, produzido produtos conforme capacidade de cada uma.
"Precisamos valorizar nós mesmas e nosso trabalho", disse.
A Sebes confirma que existe falta de vagas em creches de toda a cidade, mas avisa que iniciativas do gênero necessitam passar por sua avaliação antes de serem colocadas em prática. "Para montar uma creche são necessários pelo menos R$ 250 mil, fora os equipamentos e os funcionários.
É preciso, também, receber orientações sobre as diretrizes da política de assistência e educação", disse a titular da Sebes, Sandra Scriptore.