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Policiamento

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

4.º BPMI está sob novo comando

Texto: Rita de Cássia Cornélio

O novo comandante, tenente-coronel Eclair, quer implementar o policiamento e atacar nos setores mais frágeis

O 4.º Batalhão da Polícia Militar/Interior

(4.ºBPM/I) está sob novo comando. O tenente-coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges assumiu o comando no último dia 24. Bem-humorado, ele diz que chegou com o pé direito.

"Pela primeira vez o 4.º BPM/I, nos seus quase 100 anos, vai ter o seu efetivo completado", anuncia.

Eclair, como é chamado, explica que o efetivo do Batalhão

é de 1.067 homens para os 19 municípios que atua.

"Temos um claro de 132 homens. A partir de 14 setembro, este claro será coberto. Vamos receber 132 homens que serão distribuídos, especialmente, em Bauru", disse.

As novidades não param por aí. O tenente-coronel anuncia, ainda, que em agosto o Batalhão vai receber novas viaturas. "Vamos trocar todas as Blazer do Tático, num total de seis. As Blazers usadas vão para as Bases Comunitárias usá-las como apoio. Vamos receber, também, veículos Vectra e Santana, num número que varia entre 8 e 10, mais algumas motos", enumerou.

Na opinião do novo comandante, o policiamento de Bauru vai sofrer uma injeção de material humano e de material operacional. "Há dois anos a Fundação Seade fez um levantamento nas 14 regiões administrativas do Interior. Bauru é a sétima e foi a que apresentou menor índice de violência em comparação

às outras regiões. Queremos manter o nível de trabalho e os índices. Vamos atacar naqueles setores que estão mais fragilizados", explicou.

Dos 19 municípios sob a jurisdição do 4.º Batalhão, Bauru é a cidade que mais recebe recursos.

"Bauru é o centro. Dos 565 mil habitantes da nossa região, a cidade tem mais de 50% dessa população, o que não quer dizer que as demais não mereçam atenção", ressaltou.

O policiamento de Bauru é exemplo até para a Capital, segundo o comandante. "Bauru foi a primeira cidade a adotar o policiamento ciclístico. O curso para o Estado de São Paulo é ministrado em Bauru. Temos, ainda, o policiamento de trânsito, o Proerd (Programa Educacional de Resistência

às Drogas) e o Jovens Contra o Crime. No começo do ano a cidade ganhou mais uma companhia de policiamento", disse.

O tenente-coronel acha que os crimes mais graves estão deixando de acontecer em Bauru. "Em relação a homicídios, por exemplo, o número está caindo. No primeiro semestre do ano passado tivemos 18; neste ano, 15. Houve uma redução. O número de roubos também apresentou decréscimo. No primeiro semestre do ano passado foram registrados 467, contra 455 neste ano", ressaltou.

Força-tarefa

Para combater o furto de veículos, especialmente os mais antigos, o tenente-coronel Eclair propõe uma força-tarefa, formada pelas duas polícias - Militar e Civil-, Prefeitura, Receita Federal e Receita Estadual. "Fomos buscar experiência em Sorocaba, onde um trabalho semelhante foi desenvolvido e resultou na diminuição desse tipo de crime", disse Eclair.

Segundo o tenente-coronel, a ação conjunta está sendo estudada com a Polícia Civil. "Vamos pegar os policiais especializados na identificação de chassi adulterado. Na Prefeitura, vamos checar se os desmanches estão legalizados, assim como nas receitas Estadual e Federal. Se o desmanche for clandestino, será fechado", afirmou.

Para que nenhum estabelecimento comercial que atua com peças de veículos usadas fique fora da fiscalização, já está sendo feito um levantamento na cidade. "Estamos mapeando a cidade para saber quantos desmanches existem. Vamos fiscalizar todos. Sabemos que não são todos que estão na clandestinidade", salientou.

Para observar os desmanches feitos em propriedades rurais, será usado um helicóptero. "Vamos receber um helicóptero para fazer o rastreamento de chácaras e propriedades rurais, onde podem estar havendo desmanches de carros", revelou. Segundo Eclair, o ataque será feito na ponta final. "Se os marginais não tiverem para quem vender as peças, para que vão desmanchar os veículos? Ao mesmo tempo, vamos agir no policiamento preventivo", disse.

O tenente-coronel citou um artigo da Constituição Federal para fazer um alerta à população. A segurança é dever do Estado e responsabilidade de todos. Pedimos para que a população tome os devidos cuidados com seus veículos e deixem de adquirir peças usadas de desmanches clandestinos. "Quando você compra uma peça usada de um desmanche clandestino está incentivando o furto de veículos, nossa maior preocupação", orientou.

Segundo o comandante, o furto comum, no primeiro semestre do ano passado, somou 2.305 casos. Neste ano, mesmo período, resultou em 1.840 casos. "O furto que nos preocupa é o de veículos. No primeiro semestre de 99 foram 66 carros. Este ano, mesmo período, 214. Com um detalhe, 60 a 70% deles são recuperados. Chamamos isso de furto de uso", disse.

Ele conclama a população a participar mais das ações.

"Estou disposto a receber os presidentes de associações de bairros para que, juntos, possamos discutir estratégias que resolvam os problemas de segurança daquele setor da cidade. Se os presidentes das associações preferirem, posso ir até lá", encerrou.

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