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Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 13 min

Primeiro debate esquenta campanha

Texto: Nélson Gonçalves

A municipalização da saúde e educação foi o tema mais citado pelos candidatos a prefeito realizado na

última sexta-feira

O Primeiro Debate dos Candidatos a Prefeito de Bauru, coordenado pela TV Câmara, Jornal da Cidade e rádio Auri Verde, foi marcado por expectativas. Antes do início do encontro entre os sete candidatos a prefeito, no plenário da Câmara Municipal, na noite da última sexta-feira,.alguns assessores alimentaram especulação sobre a não presença de todos os concorrentes. A maior dúvida era mantida em relação a Pedro Tobias (PDT). Outra expectativa foi gerada pelo atraso no início do debate. Exceto Carlos Sandrin (PT do B), os demais concorrentes não respeitaram o horário mínimo estabelecido para o comparecimento ao local do evento (20 horas). Ao contrário, a maioria dos candidatos compareceu quase no horário de início do debate, às 21 horas. O carro de som instalado na avenida Rodrigues Alves também causou problemas técnicos para a transmissão de rádio e televisão. Assim, o debate começou às 21h30, com as presenças de Tuga Angerami (PSB), Tidei de Lima (PMDB), Pedro Tobias (PDT), Estela Almagro (PT), Nilson Costa (PPS), Carlos Sandrin (PT do B) e Thomaz Zamonaro (PRN). O debate foi dividido em quatro blocos, sendo dois com perguntas formuladas pelos profissionais de imprensa Franco Jr. (Auri Verde) e Daniela Bochembuzo (Jornal da Cidade) e outros dois bloco com perguntas diretas entre os candidatos.

O mediador do debate, jornalista Nélson Gonçalves

(representando a TV Câmara), repassou as regras com os candidatos e o público e iniciou o debate com pergunta de Daniela Bochembuzo a Tidei de Lima, por sorteio. A repórter indagou que o final da gestão de Tidei de Lima apresentou problemas financeiros e servidores acabaram ficando sem dinheiro com a falta de pagamento dos salários. Daniela Bochembuzo questionou Tidei de Lima (PMDB) sobre a perda do planejamento financeiro no final de sua gestão. O candidato do PMDB confirmou que seu governo teve dificuldades financeiras no final do último ano, mas argumentou que deixou 80% do 13º salário pago. Tidei também disse que o secretário de Finanças da época, Raul Gomes Duarte Neto, não alertou sobre dificuldades financeiras. Tidei finalizou que o assunto foi produto de divulgação por parte de Antonio Izzo Filho naquela oportunidade. O radialista Franco Jr. perguntou a Pedro Tobias qual sua previsão de investimento na área de tratamento de esgoto. O candidato do PDT respondeu que está preparando um projeto com o ex-presidente do DAE, Anésio Imperador. Tobias prometeu fazer a rede de interceptores de imediato. Sobre a estação de tratamento, disse que vai buscar recursos junto ao Governo Estadual e financiamento no BNDES. Tobias prometeu não privatizar o DAE.

Na sequência das perguntas do primeiro bloco, Daniela Bochembuzo perguntou a Estela Almagro (PT) como é possível administrar a cidade de Bauru sem ter conseguido solucionar brigas internas dentro do próprio partido. Estela disse que o PT não está rachado, mas é um partido plural, com várias tendências. Assim, a candidata disse que no PT ocorre a "liberdade de idéias". Franco Jr. perguntou para Carlos Sandrin (PT do B), qual sua proposta para o término do Viaduto. Sandrin defendeu que os motoristas devem contribuir com dinheiro, jogando moedas em uma cabine por exemplo, para financiar o término da obra.

No primeiro bloco, Daniela Bochembuzo questionou porque Nilson Costa (PPS) não implantou o passe integração ou os terminais no sistema de transporte coletivo. O candidato do PPS disse que já foram implantadas linhas de ônibus bairro a bairro, com o usuário pagando uma passagem para se deslocar entre bairros diferentes. Nilson Costa disse que também trabalhou para manter a tranquilidade no sistema. O radialista Franco Jr. perguntou a Tuga Angerami (PSB) se seu programa de governo contempla índice de mortalidade infantil. Tuga disse que quando esteve na Prefeitura reduziu em 50% o índice de mortalidade infantil na cidade. O candidato disse que são necessárias várias iniciativas para a redução da mortalidade infantil. Tuga disse que a última Conferência Municipal de Saúde é a base de seu plano de governo para a saúde, em comum acordo com os representantes do setor. Daniela Bochembuzo finalizou o primeiro bloco indagando Thomaz Zamonaro (PRN) sobre a promessa de asfalto de graça. Thomaz disse que cumprirá essa promessa. O candidato disse que a medida só não é cumprida por má administração pública.

Frente a frente

No segundo bloco, os candidatos formularam perguntas entre si, por sorteio, conforme as regras assinadas pelos representantes dos candidatos . Tuga Angerami perguntou a Carlos Sandrin o que ele pensa sobre a municipalização da educação. Desatento, Sandrin respondeu que não concorda com a municipalização da educação. Sandrin entende que esta atribuição

é atribuição do Estado. Tuga lembrou Sandrin que a educação infantil é atribuição do Município, definida na Constituição. Tuga quis saber de Sandrin sua opinião sobre a municipalização do ensino fundamental. Novamente, Sandrin teve que ser lembrado sobre a questão. Sandrin disse que no ensino fundamental há inversão de valores e no passado a educação era muito melhor.

Em seguida, Tidei de Lima foi sorteado para formular pergunta a Pedro Tobias. Tidei perguntou a Tobias quanto o projeto de lei estadual 412/99, que alterou a lei 9361/96, rendeu para a saúde. Tobias lembrou que o projeto estabeleceu que 2% das privatizações seria passado para a saúde, o que rendeu R$ 8 milhões, distribuídos para as Santas Casas do Estado. Tobias disse que é contra as privatizações no setor e que a saúde é sua bandeira. Tidei questionou que o deputado estadual tem dito que este projeto resolveria os problemas da saúde. Tobias argumentou que para Bauru veio R$ 360 mil. Tobias atacou que não vai fazer como o governo de Quércia (PMDB), que começou o Hospital Regional e não terminou.

Thomaz Zamonaro, no sorteio, perguntou a Tidei de Lima porque o valor da tarifa das passagens do transporte coletivo não foi cumprido. Tidei lembrou que o preço das passagens inicial era de R$ 0,50 e a licitação estabeleceu R$ 0,60.

"Entretanto, a dupla Izzo-Nilson da época não recolheu a diferença para a Câmara de Compensação". Thomaz rebateu que se a licitação estabeleceu R$ 0,38, foi um absurdo o preço aplicado da tarifa ser outro. Tidei alfinetou que Thomaz sofre de algum desequilíbrio.

"Levou três anos para a quebra do monopólio. As empresas cobravam R$ 0,50, mas tinham que recolher a diferença na Câmara de Compensação". Sorteado para fazer pergunta a Thomaz Zamonaro, Nilson Costa reclamou que não teve responsabilidade pela gestão de Izzo Filho. "Se fosse assim, o Moussa Tobias seria responsável solidário pelos problemas da gestão do Tidei e não é verdade", disse. Nilson acabou esgotando o tempo para a pergunta a Thomaz, que não quis usar seus dois minutos. Em sua réplica Nilson tentou fazer a pergunta sobre o quadro político reduzido do PRN. Thomaz comentou que administraria a cidade com toda a população.

No sorteio, Pedro Tobias perguntou a Nilson Costa: "Prefeito você foi eleito com Izzo Filho com a bandeira de asfalto de graça, mas não fez isso". Nilson disse que

"asfalto de graça não existe, o custo é dos recursos do erário. Quem prometeu asfalto gratuito foi Izzo Filho, do qual discordei frontalmente. Ao assumir nós procuramos procurar uma via com o asfalto comunitário e temos encontrado boa vontade nos bairros". Tobias rebateu que "o prefeito enganou a população com Izzo. Vamos fazer asfalto social não pago, tudo é pago, não é gratuito. O senhor foi prefeito graças a Izzo, tem que cumprir a promessa". Nilson disse que "se apoiar o Izzo foi um pecado, o Pedro Tobias cometeu pecado antes, porque o Tobias apoiou o Izzo para prefeito quando era candidato a vereador", citando que Tuga lançou Izzo prefeito. Tuga teve direito de resposta e disse que rompeu com Izzo já no início de seu primeiro mandato. "Eu rompi com ele, mas o senhor não", disse Tuga.

Carlos Sandrin perguntou a Tuga sobre as multas dos radares eletrônicos. Tuga disse que a multa de R$ 500,00 chega a ser um confisco e

é exagerada. O candidato do PSB disse que os equipamentos eletrônicos devem existir para função pedagógica e não para receita. Estela Almagro lembrou que o vereador Pedro Tobias defendeu até luta armada. "Como o senhor vai lidar com greve no Município se for prefeito, o senhor que hoje é aliado do PSDB?". Tobias: "sou do PDT, fui funcionário municipal, participei de greve e quase foi preso. Meu partido quando eu for prefeito é Bauru. E Bauru está destruída. Eu precisarei de ajuda do Governo Federal e Estadual. Eu vou buscar ajuda sim". Estela disse que Tobias tenta dizer que partido político não tem valor e que os vereadores tucanos se posicionam a favor do Governo do Estado, do PSDB. Tobias argumentou que "não quer fazer política partidária para a cidade de Bauru. O povo quer educação, saúde. O PT está apoiando o PSDB em Pederneiras".

Terceiro bloco

O debate entrou no terceiro bloco com os profissionais de imprensa formulando perguntas para os candidatos. Franco Jr. (Auri Verde) questionou Estela Almagro que o PT implantou a municipalização da saúde em Ribeirão Preto, do qual ela é contra. Estela disse que vê a municipalização da saúde como a última etapa no setor. A candidata lembrou que a cidade já arca com a maioria das despesas no setor. Daniela Bochembuzo questionou Tuga sobre a aliança com forças conservadoras e sua declaração sobre ter abandonado a vida pública. Tuga disse que não concorreu á reeleição de deputado federal, mas disse que gostaria de ser prefeito de Bauru novamente. "Eu continuo acreditando que é obrigação do Estado promover políticas sociais, não vou mudar", disse.

No terceiro bloco, Franco Jr. perguntou a Tidei de Lima sobre sua proposta para a usina de asfalto. Tidei, antes, ironizou que alguns candidatos estavam prometendo muito no debate. Sobre a pergunta, o candidato do PMDB comentou que a usina de asfalto tem capacidade para produzir asfalto para uma pequena quantidade. O restante, a maior parte, exige um programa mais elaborado, com concorrência pública. Daniela Bochembuzo lembrou Sandrin sobre a proposta de contratar benzedeiras para a saúde. Sandrin não prestou atenção na pergunta e disse que os cidadãos poderão ter fichas dos hospitais para hora marcada de atendimento. Franco Jr. comentou que sendo contrário às privatizações, se Pedro Tobias vai cobrar do governo do PSDB a compensação pelas perdas de pelo menos 3000 empregos em Bauru. "Vamos recuperar esses empregos perdidos. E vamos buscar compensação com o Governo do Estado. O Hospital Regional terminado é uma forma. Mas vou incentivar o empresariado de Bauru também", disse Tobias.

Daniela Bochembuzo lembrou Nilson Costa que a Emdurb já teve folha de pagamento de R$ 300 mil e virou cabide de emprego. Perguntou o que Nilson Costa fará com a Emdurb. O candidato do PPS disse que enxugou a Emdurb. Depois, respondeu que Bauru não está parada. Nilson leu uma lista de obras de seu governo. Franco Jr. perguntou a Thomaz Zamonaro se este vai solucionar o problema da Previdência Municipal. Thomaz falou em municipalização da Previdência, o que já ocorre hoje. Zamonaro prometeu pagar a Unimed em dia. Depois, Zamonaro mostrou certidões de antecedentes criminais e provocou Tidei de Lima a demonstrar o mesmo. O mediador concedeu resposta a Tidei, que disse ter vida ilibada e que a provocação não merecia resposta. O bloco foi encerrado, em seguida.

Último bloco

Sem o problema de microfonia gerado pelo caminhão de som instalado em frente a Rodrigues Alves, o debate iniciou o último bloco. No último bloco, o mediador comentou que as regras do debate não estipularam o cruzamento de pergunta e resposta entre os presentes, o que prejudicou a participação de Estela Almagro no segundo bloco. Para compensar, Estela teve uma oportunidade de participação acrescida no início do quatro bloco. Nilson Costa foi sorteado e perguntou a Estela sobre o episódio em que esta chegou a ser presa por problemas com a Justiça. Estela Almagro disse que ocorreram falhas jurídicas, que a Justiça agiu muito rápido contra ela e que o fato foi motivado por questões políticas.

No sorteio, Tuga Angerami perguntou a Pedro Tobias como ele vai tratar o setor rural da cidade. Tobias alfinetou que "o deputado aposentado nunca morou na zona rural. Vamos melhorar as vicinais, incentivar a feira do produtor e fazer uma política de incentivo para o setor". Tuga comentou que "pode até voltar a ser deputado, mas agora quer ser prefeito de Bauru. Eu não me aposentei ainda como deputado não e por isso até não disputei a eleição para deputado. Eu mudei a Emdurb e dei instrumentos para a zona rural". Tobias fechou que "a aposentadoria é de marajá".

Carlos Sandrin foi sorteado a realizar pergunta a Tuga e falou sobre núcleos habitacionais. Tuga pediu licença para falar que "foi deputado federal por dois mandatos e contribuiu para o instituto de Previdência do Congresso, que votou para extinguir depois. Eu optei por uma renda mensal a partir dos 50 anos com o que eu contribui. Não é dinheiro da União é do que eu contribui". Ao fazer o comentário, Tuga esqueceu a pergunta de Sandrin, sobre núcleos habitacionais. Não deu tempo para falar sobre o assunto. Sandrin, por sua vez, também esqueceu sobre o que tinha perguntado. Tuga concluiu que "a CEF deveria investir no financiamento de habitação, junto à Cohab, em terreno próprio, para casa própria do morador de baixa renda".

No quarto bloco, Thomaz, no sorteio, lembrou Estela Almagro que o PT votou a favor do empréstimo do Viaduto na cidade. Estela Almagro alfinetou que Thomaz apoiou Collor de Mello e era do staff de Izzo Filho. Sobre o empréstimo do Viaduto, Estela disse que o PT aprovou o empréstimo do Viaduto, na época. Thomaz comentou que Fernando Collor não

é mais do PRN e que não participou do staff de Izzo Filho. O candidato Tidei de Lima pediu resposta se sentindo citado, mesmo com o tema tendo sido a obra do Viaduto e não õ então prefeito. Tidei protestou contra o mediador.

Sorteada para questionar Carlos Sandrin, Estela Almagro perguntou qual sua saída para a educação. Sandrin novamente não prestou atenção na pergunta. O mediador chamou sua atenção e pediu para que falasse sobre educação. Sandrin disse que a educação

é responsabilidade do Estado. Estela Almagro comentou que

"a municipalização da educação

é prejudicial para a cidade".

Nilson Costa perguntou a Tidei de Lima sobre a divisão no PMDB, entre Quércia e Michel Temer. Tidei disse que

"a cidade tem um débito com o Quércia, pela estadualização da Unesp. Hoje eu tenho uma relação de amizade com o Michel Temer e eu como prefeito vou cuidar dos interesses do Município. Eu vou procurar o deputado federal e o Governo do Estado, porque o programa de privatização deu muitas perdas para Bauru". Nilson Costa concordou que Bauru ficou órfão na Câmara Federal, sem representação política. Nilson Costa disse que os deputados precisam ajudá-lo, na prática e não só no discurso.

Na sequência, Pedro Tobias perguntou a Nilson Costa o que pensa sobre a municipalização da saúde. Nilson Costa disse que o Município está se preparando para preencher todas as etapas e é a favor da municipalização plena. Nilson voltou a elencar obras de sua gestão. Tobias disse que Nilson Costa nunca o procurou o como deputado estadual, para fazer uma reivindicação. Tobias disse que o prefeito é lento. Nilson Costa contestou que procurou o deputado estadual, mas Tobias e seu partido nunca o atendeu.

A última pergunta caberia a Tidei de Lima, no sorteio. O candidato do PMDB não quis formular pergunta a Zamonaro, que também não quis fazer nenhum comentário em seu tempo. Tidei havia a provocação de Zamonaro no segundo bloco. O Primeiro Debate dos Candidatos a Prefeito de Bauru foi o pontapé inicial para a discussão dos problemas da cidade, durante a campanha eleitoral. O evento, coordenado pelo Jornal da Cidade, TV Câmara e Rádio Auri Verde, deu a primeira oportunidade para que o eleitor comece a conhecer os seus candidatos.

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