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Transporte coletivo

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 7 min

Transporte coletivo pode ter terminal

Texto: Daniela Bochembuzo

Proposta é defendida por quatro candidatos a prefeito; implantação de passe-integração é citado por peemedebista e petista

Quatro dos sete candidatos à Prefeitura de Bauru defendem a implantação de um terminal de integração para o transporte coletivo na cidade. A medida é considerada necessária para melhorar o sistema de transporte de ônibus urbanos, garantindo um atendimento mais cômodo e barato para os usuários, estimados em 1,3 milhões de passageiros, de acordo com dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Atualmente, os usuários são atendidos por 80 linhas. Destas, 56 fazem parte do sistema de integração bairro a bairro, que interliga várias regiões da cidade por meio de uma mesma linha. Esse sistema é uma das principais bandeiras do governo Nilson Costa (PPS) em relação ao transporte urbano. Outro ponto positivo, na avaliação do prefeito, é o valor do passe: R$ 0,90, apontada pela Emdurb como uma das tarifas mais baratas do Estado de São Paulo.

Apesar do sistema bairro a bairro contemplar 70% de todas as linhas urbanas, Nilson Costa considera necessário implantar o terminal de integração. "Isso representa uma facilidade para o usuário, que poderia trocar de ônibus em um ponto intermediário sem a necessidade de pagar novo passe", afirma.

A implantação do terminal integração, acredita o candidato à reeleição, deverá ser apontada no estudo sobre sistema de transporte coletivo em realização atualmente pela Oficina Consultores Associados S/C Ltda, empresa de São Paulo licitada recentemente pela Emdurb para realizar o trabalho.

A radiografia a ser feita pela Oficina indicará o melhor sistema de transporte coletivo para Bauru, se feito com passe-integração ou por meio de terminais de integração. O trabalho deverá ser concluído até o final do ano, antes disso, porém, Nilson Costa já arrisca um veredicto.

"Em relação a cidades do mesmo porte, temos maior número de coletivos circulando, o que mostra uma boa oferta à população", analisa.

Mas nem todos os usuários concordam com a opinião do prefeito. Pesquisa feita pelo Jornal da Cidade, nos dias 28 e 29 de julho, aponta que 62% dos bauruenses classificam o transporte coletivo entre péssimo e regular. O levantamento, que entrevistou 200 pessoas e foi publicado na edição de aniversário da cidade, indica a insatisfação da população com o sistema de ônibus urbanos. Do total de entrevistados, apenas 35% consideram o serviço de coletivos bom, contra 3% que o avaliam como muito bom.

O candidato Thomaz Zamonaro (PRN) está entre os bauruenses que consideram o sistema de transporte coletivo péssimo. Usuário de ônibus, o prefeitável reclama da precariedade dos veículos e dos itinerários, que acredita não contemplarem muitas regiões da cidade. Por essa razão, ele afirma ser importante implantar um terminal de integração.

"Se eleito, gostaria de implantá-lo. Seria uma forma de facilitar a vida do trabalhador, que poderia economizar pagando uma passagem apenas para utilizar mais de um ônibus. Conheci o terminal de Campinas e achei a idéia ótima", diz.

Zamonaro, no entanto, é contrário à construção do terminal no Centro da cidade. O Altos da Cidade ou outro bairro da Zona Sul poderia abrigar o imóvel, na sua opinião.

"Seria uma forma de descongestionar o trânsito, permitindo um planejamento viário melhor para Bauru", aponta.

Carlos Sandrin (PT do B), também favorável ao sistema de integração, aponta outra área para abrigar a obra: o cruzamento das avenidas Rodrigues Alves e Pedro de Toledo, considerado por ele como o quarteirão-símbolo de Bauru. "Foi nessa região que a cidade começou. Atualmente, a área está abandonada e a construção poderia revalorizá-la", comenta.

Para o terminal, Sandrin já conta com um projeto na cabeça. O prédio, de acordo com os sonhos do prefeitável, ocuparia a parte térrea da construção. O andar superior abrigaria um shopping, cujas lojas seriam dadas aos antigos proprietários do terreno localizado no quarteirão-símbolo.

"Essas pessoas seriam beneficiadas, assim como a população, que ganharia um centro de serviços e lazer", opina.

Se eleito, Pedro Tobias (PDT) trabalhará para implantar o terminal de integração de passageiros na antiga sede da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). "São prédios localizados na região central da cidade, que podem garantir uma excelente localização para a população que utiliza o sistema, um baixo custo de investimento para a Prefeitura de Bauru e, outro aspecto dominante, será a oportunidade de reativar e revitalizar um importante patrimônio histórico de nosso município", planeja.

A proposta do pedetista é que o terminal faça parte de um Centro de Serviços Públicos, no qual os moradores teriam acesso a serviços prestados direta e indiretamente pela Administração, além de um centro comercial, que ofereça oportunidades a micro e pequenos empresários, e um centro cultural, difusor de trabalho de artistas bauruenses e de campanhas educativas para a população.

"Queremos dinamizar a Administração e os passageiros dos coletivos são um público potencial para uma série de atividades", sinaliza Tobias, que deseja implantar o terminal de integração aliado à remodelação das linhas de transporte coletivo, para reduzir o custo da população com o sistema.

Para Tuga Angerami (PSB), a implantação ou não do terminal de integração passa pela avaliação do Conselho de Usuários do Transporte Coletivo de Bauru, implantado em 1984, quando o candidato era então prefeito da cidade.

Na ocasião, técnicos em trânsito e controle de tarifas vieram a Bauru para ensinar os conselheiros a levantar o custo do passe e a fazer auditoria das linhas de ônibus. O resultado, afirma Tuga, garantiu aos usuários bauruenses a segunda menor tarifa do Estado de São Paulo por cinco anos. "Até hoje, sou lembrado por esse trabalho que, na verdade, foi feito pelo conselho. Eu apenas homologuei uma deliberação de representantes da população", relembra.

Por essa razão, Tuga planeja, se eleito, recuperar o papel deliberador do conselho, requalificando tecnicamente seus membros.

"Quero que eles me assessorem", afirma. Para que o conselho se torne um órgão deliberador, o candidato do PSB considera fundamental que a Emdurb seja reequipada para se tornar uma referência técnica em transporte coletivo.

"Na medida em que abrir o debate com o conselho de usuários, acredito que muitas alternativas para o sistema de transporte coletivo sejam levantadas. Ao invés do terminal, por exemplo, os conselheiros poderão considerar mais viável a implantação de um bilhete único. O usuário

é quem deve ser sujeito da escolha, não objeto", discursa.

Estela Almagro (PT) é outra candidata que defende a abertura de canais para que a sociedade controle e participe da formulação e da implementação de uma política municipal de transporte, a qual deverá incluir projetos específicos para portadores de necessidades especiais e usuários com dificuldade de locomoção.

Para a candidata petista, definir uma política municipal de transporte significa garantir e ampliar o exercício da cidadania através da mobilidade e da acessibilidade de toda a população. "A melhoria da qualidade de vida também se traduz em melhores condições de transporte, mobilidade, segurança e acessibilidade", afirma.

Mas essas condições, pondera Estela, não passam pela implantação de um terminal de integração. O projeto é considerado pela candidata um modelo obsoleto, caro, e que implica na construção de grande estrutura e movimentação no trânsito central. Em seu lugar, a petista propõe a criação do bilhete

único.

"O bilhete único permite a integração, após o primeiro embarque, com as linhas necessárias ao deslocamento do cidadão até um determinado horário, que deve ser pré-definido. Esse sistema beneficiará os trabalhadores das regiões mais afastadas, integrando-os em qualquer ponto, sem a necessidade de terminais", avalia.

Tidei de Lima (PMDB) também acredita que a democratização do sistema de transporte coletivo passa pelo passe-integração.

"A tecnologia de bilhetes atual dispensa a implantação de um terminal urbano. O sistema de bilhetes magnetizados ou com código de barras possibilita ao cidadão fazer vários trajetos com um único passe", descreve.

De acordo com o peemedebista, a implantação do passe-integração

é possível graças às mudanças efetuadas por sua administração (1993-1996) no transporte público. Entre as alterações, Tidei enumera a quebra do monopólio dos coletivos, a implantação da câmara de compensação e o estabelecimento de itinerários traçados tecnicamente pela Emdurb.

"Antes de meu governo, havia uma empresa que tinha autonomia e soberania para traçar linhas de ônibus e emitir e operar passes livremente. Isso mudou com a quebra do monopólio, garantindo à Emdurb mais mecanismos para controlar técnico e financeiramente o setor. Com a implantação de uma política municipal de transportes, a população saiu ganhando", garante.

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