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Seq³estro

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

"Pensei que ia virar macaco", diz refém

Aliviado com a libertação, pescador de Avaré disse que comeu muita banana durante os sete dias de cativeiro no Pará

Texto:TâniaFonseca / colaborou A/E

"Eu até pensei que iria virar macaco, de tanta banana que comi nesses dias", afirmou ontem pela manhã Luiz Alberto Landi, um dos reféns dos índios caiapós no Pará desde a sexta-feira da semana passada, na primeira ligação telefônica que fez para a mulher, Vera Lúcia, em Avaré. Ele falava de um telefone público em Novo Progresso (PA) e, segundo a mulher, a ligação era ruim, mas serviu para tranquilizar a família quanto ao estado de saúde do grupo.

A radialista Lady Landi, sobrinha de um dos pescadores mantido em cativeiro disse ontem ao Jornal da Cidade que todos os integrantes do grupo devem chegar a Avaré apenas na segunda-feira. Isso porque todos estão bem de saúde e querem voltar todos juntos, assim como quando partiram para a pescaria. Se algum integrante do grupo de dez turistas avareenses estivesse com problemas, a viagem poderia ser apressada através de avião, mas felizmente não é o caso, disse Lady.

Ainda ontem, eles iriam a um churrasco na casa de um companheiro de cativeiro na própria cidade e, durante a tarde, viajariam para Sinop (MT), onde se encontrariam com o médico Edson Nascimento, parente que desde o último domingo vinha trabalhando nas negociações que levaram à libertação.

Luiz Alberto disse à mulher que todos estão bem e que seu pai, Frederico Landi Filho, que sofre de diabetes, recuperou a boa forma depois que voltou a receber os medicamentos, ainda no cativeiro. André Luiz, o outro dos Landi, disse à mulher Karen que considera o grupo como os "premiados" ou "sortudos", pois com tanta gente que vai à região, os índios acharam de prender logo eles. Mas também afirmou estarem bem, embora cansados. O grupo deve permanecer hoje em Sinop e amanhã iniciam a viagem de volta para Avaré, onde a família se prepara para recebê-los na noite de segunda-feira, com festa. Ontem, familiares ainda não tinham noção de que tipo de recepção fariam, pois todos ainda estavam cansados e emocionados, mas confirmavam a comemoração da chegada.

Vera Lúcia disse que a família está muito sensibilizada pelas manifestações surgidas de amigos e até de desconhecidos durante os dias do cativeiro. "Nós, da família, ficamos reunidos aqui na minha casa, um dando força para o outro, mas pudemos também contar com missas e cultos realizados nas igrejas da cidade, correntes de oração e outras manifestações em favor da libertação deles. Isso nos ajudou muito em todos os instantes", afirmou.

A mulher também fez questão de destacar o trabalho da imprensa como um dos fatores positivos. "Nós temos a certeza de que os nossos maridos não estavam ilegalmente na área e não queriam qualquer tipo de confronto com os índios, e isso ficou bem claro no noticiário que vocês produziram", disse Vera Lúcia informando que a família vem colecionando exemplares de jornais desses dias e vai arquivá-los como lembrança do drama vivido por todos os envolvidos.

Vera Lúcia e Karen disseram que as manifestações recebidas durante a semana, além de trazer conforto à família, serviram para demonstrar o bom relacionamento das vítimas com a comunidade. Lembraram que, além das pessoas da cidade e da imprensa, também contaram com a ajuda do senador Eduardo Suplicy e do deputado Vadão Gomes que, a pedido da família, também interferiram em busca de solução.

Libertação

O técnico agropecuário Dorivaldo Pinheiro Souza, funcionário da Procuradoria da República em Santarém

(PA), que acompanhou, via radioamador, toda a negociação disse ao JC que os índios começaram definir a libertação dos reféns na noite de anteontem e só na manhã de ontem é que todos foram soltos.

As negociações só avançaram, segundo Dorivaldo Souza, depois que o procurador da República de Santarém, Cláudio Márcio Chequer, juntamente com policiais federais, mais representantes da Funai chegaram

à aldeia com a notícia de que o ministro da Justiça, José Gregori, havia determinado a demarcação que os caiapós tanto reivindicam.

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