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Drogas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 6 min

Casa Dia já atende mulheres em Jaú

Texto: Adilson Camargo

A inauguração da ala feminina da Casa Dia será na próxima quarta-feira em sessão solene na Câmara Municipal

Enquanto alguns grupos de pessoas lutam para induzir os jovens ao consumo desenfreado de bebidas alcoólicas e de substâncias químicas que causam dependência, outro grupo luta bravamente no sentido contrário.

Esse é o caso da instituição Casa Dia que inaugura mais um espaço em Jaú para a recuperação de pessoas seriamente afetadas por essas drogas. Uma iniciativa que procede a uma outra realizada no ano passado; a abertura da sua primeira casa de recuperação de drogados na cidade, com atendimento exclusivo para os homens.

Persistindo nessa luta e sem dar tréguas, os coordenadores da clínica, em Jaú, Édson Aparecido Barboza

(ex-drogado) e Lis Regina Agüera de Mello e Albuquerque Barboza buscam apoio na comunidade para prosseguir.

E a prova mais evidente de que eles realmente estão dispostos a combater a degeneração causada pelas drogas está na inauguração de mais uma clínica, desta vez, especializada no tratamento para mulheres.

Marcada para a próxima quarta-feira, dia 9, a inauguração será cercada de toda a formalidade que a ocasião merece. O local escolhido para anunciar mais esse avanço foi a Câmara Municipal de Jaú. Onde estarão presentes, além de autoridades municipais, o fundador da instituição, Eyn Melo Ribeiro, o padre Haroldo Rahn, patrono espiritual dos internos, e representantes da Fenacad (Federação Nacional das Casas Dias). A sessão está marcada para às 19h30 e será aberta a todos os interessados.

Édson, coordenador e presidente da instituição em Jaú, espera contar com a participação de toda a comunidade. Segundo ele, o apoio desta é de vital importância para o sucesso do projeto. "Sem esse apoio fica muito difícil o nosso trabalho".

Aliás, um trabalho que espera ser reconhecido e, mais que isso, precisa da colaboração da população e mais especificamente da família do interno. Além do mais, para que o tratamento aplicado pela clínica obtenha o sucesso desejado a família passa a ser um elemento decisivo.

"Trabalhamos diretamente com a família, para que ela possa acompanhar todo trabalho que se está fazendo e assim possa dar continuidade ao tratamento dentro de casa", disse

Édson. Durante a orientação familiar os coordenadores procuram desestimular práticas corriqueiras dentro de um lar, como por exemplo a realização de todo o serviço doméstico pela mãe. O certo, segundo eles, seria a justa divisão das tarefas entre todos os membros da família.

Liberdade/responsabilidade

O lema das Casas Dias - "liberdade com responsabilidade"

- está inserido nesse contexto. "As pessoas precisam de responsabilidade. Desde lavar uma simples xícara até limpar a própria roupa, isso é muito importante no momento de voltar ao convívio com a sociedade", acredita Édson.

Dentro do espaço a ser inaugurado esta semana, três vagas já estão ocupadas e mais duas garotas devem chegar em poucos dias. No início, a clínica estará oferecendo 15 vagas, sendo que quatro delas devem ser destinadas a quem não tem nenhuma condição financeira para se manter. Os demais deverão contar com o auxílio da família em sua recuperação física e moral. O valor da contribuição pode variar de 50 a 250 reais. A clínica não restringe o atendimento apenas para dependentes de Jaú. Ela atende toda a região.

Doações

A instituição Casa Dia é mantida por meio de doações feitas pela população e por empresários locais. Aceita-se praticamente tudo que

é doado: roupas, alimentos, móveis. Até mesmo a tinta usada para pintar o prédio que irá abrigar a ala feminina da Casa Dia foi doada. Os próprios internos, que vão de casa em casa, são os agentes recolhedores de todo esse material. Tudo o que é arrecadado é revertido para a manutenção da clínica, segundo informaram os coordenadores.

Édson faz questão de deixar bem claro que a instituição não mantém nenhum vínculo político ou religioso. Antes, defende a livre-escolha de cada interno. A única coisa que ele procura reforçar na mente de cada um é a conscientização da existência de um ser superior; de um poder maior do que eles próprios que pode ajudá-los a se reerguer.

Quando o interno é considerado apto para voltar ao convívio normal com a sociedade e longe das drogas, ele ainda recebe um acompanhamento que dura cerca de um ano. Durante esse tempo, ele passa por uma avaliação periódica como forma de se prevenir contra uma possível recaída.

De acordo com os coordenadores da unidade em Jaú, daqui a um mês aproximadamente, eles pretendem criar uma central de atendimento que irá fornecer informações sobre o funcionamento das clínicas.

Dessa forma, a Casa Dia arma toda uma estrutura para investir na recuperação de dependentes químicos. Mostrando a eles, entre outras coisas, que o poder das drogas é uma ilusão e que precisam deixar essa vida de fantasia para viver a realidade, por mais dura que ela seja.

Serviço

A Casa Dia para mulheres, em Jaú, fica à rua Marechal Bitencourt nº 591, no centro. Os telefones para contato são 624-8977, 621-1429 e 9709-0019.

Nome é referência aos primeiros dias

A primeira unidade da Casa Dia foi criada há aproximadamente seis anos em Americana, interior do Estado, e tinha como objetivo oferecer tratamento aos drogados apenas durante o dia.

À noite, a casa fechava suas portas e as pessoas que estavam em tratamento retornavam aos seus lares para dormir. Foi por esse motivo que a instituição recebeu o nome de Casa Dia. Foi uma "homenagem" a sua fase inicial. Diferentemente do que aconteceu no início, agora os internos permanecem no local o tempo todo, inclusive à noite. Segundo os coordenadores, isso torna o tratamento mais eficiente.

A instituição Casa Dia inaugurou oficialmente sua primeira clínica de recuperação de viciados em drogas, em Jaú, no dia 22 de abril de 1999. Édson Aparecido Barboza, um dos fundadores da Casa Dia em Jaú, foi um interno em Rio Claro. Na condição de ex-dependente, ele voltou a Jaú, cidade onde morava, juntou-se a um amigo e decidiram abrir uma unidade para auxiliar outras pessoas, que estavam enfrentando os mesmos problemas que eles haviam enfrentado.

Édson acredita que o fato de ter passado por essa experiência o ajuda bastante na hora de conversar com os internos. "Eu procuro usar minha experiência para ajudar outras pessoas. Eu sei o que eles estão passando e o quanto é difícil lutar contra o vício."

O balanço desse um ano e meio de atividade pode ser considerado positivo, segundo ele. Já houve até mesmo um casamento entre ex-internos.

Hoje estão em funcionamento, em todo o Brasil, 28 casas de recuperação, incluindo aí as duas de Jaú: uma para o atendimento direcionado aos homens (26 vagas) e a outra para atender às mulheres (15 vagas). Esta última com sua inauguração oficial marcada para a próxima quarta-feira, dia 9.

Todos os anos a Fenacad - federação que representa todas as unidades da Casa Dia espalhadas pelo país - realiza encontros para a troca de experiências. "Estamos sempre aumentando nosso conhecimento. A gente não pára no tempo", disse Édson.

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