Mário Sabino recebido com muita festa
Texto: Leonardo de Brito
Orgulho do esporte bauruense e da Polícia Militar, o integrante da equipe brasileira na Olimpíada de Sydney teve calorosa recepção Mário Sabino Júnior foi recebido com festa ontem à tarde em Bauru, após conseguir no fim de semana, no Rio, vaga na equipe brasileira de judô que disputará a Olimpíada de Sydney, no próximo mês.
Logo ao sair do avião da Interbrasil, que chegou alguns minutos antes do previsto - 17h05, ao invés de 17h19 - Mário Sabino Júnior teve uma surpresa: viu uma grande festa feita para ele. Humilde, embora seja agora uma das estrelas do esporte brasileiro, Sabino contava com a presença dos seus familiares e alguns amigos no aeroporto, e não uma recepção que é preparada para grandes heróis, com direito a banda de música e desfile em carro do Corpo de Bombeiros.
Logo após passar pelo portão da ala de segurança, foi abraçado pela mulher Solange, pela garotinha Stéfani, sua filha e pelos pais. Emocionado, deu um longo abraço no pai Mário e na mãe Maria de Lourdes. Depois, abraçou outros parentes, cumprimentou os amigos, conversou com a reportagem e deu muitos autógrafos aos pequenos judocas, além de tirar fotos com os meninos e meninas, que vestiam uniforme de judô.
Após sair do aeroporto, a carreata fez uma parada na Academia Bejotacê, na rua Antônio Alves e depois percorreu algumas ruas principais da cidade. Ás 18h30 o peso meio-pesado Mário Sabino Júnior, já fardado, conversou com a imprensa no tradicional quartel da Vila Antártica, o CPI-4, e por volta das 21 horas foi homenageado pelos colegas do judô, com um jantar na Churrascaria Porteira do Rio Grande. Na próxima semana, o integrante do olimpismo nacional fará treinos fortes em São Paulo, na última fase de preparação para os Jogos Olímpicos de Sydney.
O bauruense Mário Sabino Júnior vai completar 28 anos no próximo mês. Aluno do Curso de Formação de Soldados do CPI-4, ele ingressou na Polícia Militar há exatamente um ano, e se formará amanhã, numa solenidade a partir das 10 horas. Na oportunidade, o soldado Sabino será homenageado pelos companheiros de turma, denominada
"Brasil 500 anos".
Sabino diz que não será coadjuvante em Sydney
Texto: David Cintra Sb.
"O judô é minha vida , faz 22 anos que eu luto, comecei com 5 ou 6 anos e se eu parar vou virar técnico. Hoje não há como falar em deixar o judô, nem daqui vinte ou trinta anos". É assim que Mário Sabino Jr, o judoca bauruense que conquistou uma vaga para Sydney superando nomes consagrados como Aurélio Miguel e Joseph Guilherme, o atual campeão sul-americano, resume o que
é o judô para ele.
Ontem, após uma festiva recepção, o campeão concedeu uma coletiva na qual falou sobre suas expectativas para os Jogos Olímpicos. "Agora é zerar tudo, porque encerramos uma etapa, que foi até a seletiva e agora vamos começar tudo de novo, uma nova etapa, mais difícil ainda, que é trazer a medalha olímpica. A categoria que eu estou, meio-pesado, fez nome no meio do judô, tem quatro medalhas olímpicas e eu quero manter esta escrita, chegar em Sydney e trazer pelo menos uma medalha".
A expectativa de subir ao pódio em Sydney, pode parecer, ilusoriamente, um sonho para quem não conhece a determinação de Sabino, que luta para chegar à uma Olimpíada desde 92, quando tinha ainda dezenove anos e disputou pela primeira vez uma seletiva olímpica. "A primeira seletiva que eu fiz, foi em 92, mas eu acho que eu não estava preparado para disputar uma seletiva olímpica. Eu tinha uns dezoito anos, lutei de igual para igual, fiquei em terceiro no geral e só foram dois classificados. Depois para Atlanta, eu havia voltado do Japão como vice campeão mundial universitário, mas tive uma lesão séria nos Abertos, quando machuquei o joelho. Ainda assim perdi nas quartas de final para o Branco, que representou o Brasil em Atlanta".
Sabino acrescentou que sentiu que a atual seletiva era seu momento.
"Esta agora foi minha chance. Inclusive eu não consegui nem chorar na seletiva, aí um repórter me disse: puxa, você ganhou? Parece que você ganhou um campeonato regional, você só levantou o braço, nem chorou como os outros. Bom, eu não senti nem frio na barriga, parece que já estava escrito que eu iria para a Olimpíada"
Perguntado sobre as expectativas de medalha, o campeão não esconde que vai lutar para ganhar. "As chances são difíceis, só que não é impossível, eu conheço alguns atletas, já lutei com alguns deles. Vou chegar lá como surpresa, porque alguns deles não me conhecem".
Quando todas as atenções estavam voltadas para Aurélio Miguel e Joseph Guilherme, Sabino foi lá e venceu. No entanto, segundo ele, a surpresa é apenas para quem está de fora do circuito do judô e para a Federação.
"Entre os seis atletas eu já havia lutado com todos, com o Joseph nos Jogos Regionais eu venci bem. O Aurélio era o único para quem eu tinha perdido quatro vezes. Para a Federação foi uma surpresa, mas para os atletas não, eles estavam me respeitando, como eu os respeito. Mas o fator surpresa pode ser um lado positivo para mim, eu corri por fora nessa e cheguei. Quem sabe lá em Sydney, quando o pessoal me notar eu á esteja na semi ou na final".
A vitória na seletiva, como não podia deixar de ser, mexeu com a vida do judoca. "É uma nova fase em minha carreira. Minha vida mudou. Eu era conhecido apenas dentro do judô nacional, hoje, o Brasill inteiro me conhece. Eu estou aí para defender bem o Brasil e trazer uma medalha, se possível a de ouro."
Lutando por Bauru desde o início da carreira e sempre conquistando medalhas para o município, neste ano, nos Jogos Abertos do Interior, que serão disputados em novembro, na cidade de Santos, Sabino estará na delegação daquela cidade e não na de Bauru, como desejaria. "Algumas pessoas não acreditaram em mim, acharam que eu deixei a desejar. Para quem já tinha lutado dez anos pela cidade e já conquistou 30 medalhas em Jogos Regionais e mais 15 em Jogos Abertos, eu acho que faltou um pouquinho de respeito", fala o judoca, quando questionado a respeito do porquê ele estar na delegação santista e não bauruense. Mas, acrescenta que não está magoado. "Eu nasci aqui, sou bauruense, se um dia der certo, as portas estão abertas, eu quero voltar a defender a cidade, pois me falta ganhar os Jogos Abertos. Acho que essa é a única competição que eu ainda não ganhei no Brasil. Infelizmente fui oito vezes vice, se eu tiver que vencer este ano por Santos, tudo bem, quem sabe no ano que vem eu possa vencer também por Bauru".
Sabino fez questão ainda de agradecer a quem lhe apoiou em todos estes anos de carreira, especialmente seus pais e ao seu técnico Artêmio Caetano Filho, ao Francisco Wilson, Paulo Henrique Azevedo, à Rosângela, nutricionista e o técnico Fittipaldi. Um agradecimento deixou claro a simplicidade do judoca número 1 de Bauru. "Quero agradecer ainda à garotada que serviu de sparring para mim, não
é fácil treinar comigo não". Com certeza, não.