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Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 2 min

MST é acusado de vender madeira

Sete carretas de toras já haviam saído ilegalmente de fazenda em Itapuí, hoje ocupada por sem-terras, quando a PM chegou

Texto: Tânia Fonseca

A Polícia Civil de Itapuí instarou inquérito para apurar uma susposta comercialização ilegal de madeira ocorrida na fazenda Olho D'Água, hoje ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

(MST). As investigações tiveram início na

última terça-feira quando policiais militares flagraram, nas proximidades de Bariri, uma carreta transportando aproximadamente 20 metros cúbicos de toras, sem nota fiscal. O fato levantou suspeitas e o dono da carreta, Luís Alberto Grella foi encaminhado até a Delegacia de Bariri onde acabou contando que em havia comprado a madeira na fazenda Olho D'Água, através dos sem-terra Sebastião Bonfim e Dorival Antonio Mobilon. Também foi detido e autuado por receptação, Antonio Carlos Grella, irmão e sócio de Luís Alberto.

Segundo apurações da polícia, os irmãos haviam comprado 20 carretas de toras de eucalipto pagando pelo produto R$ 5 mil. Na sexta-feira passada teriam sido retiradas da fazenda as três primeiras cargas. Na segunda-feira mais duas e na terça, quando saía o segundo carregamento, a Polícia Militar fez a abordagem próximo a Bariri, que resultou na apreensão de todo o produto.

Ainda de acordo com investigações da Delegacia de Itapuí, os irmãos já haviam efetuado o pagamento aos sem-terra, sendo R$ 2 mil na sexta-feira e R$ 3 mil na segunda-feira. Pelo acordo entre os irmãos Grella e os integrantes do MST, faltavam ser retiradas ainda da fazenda, 13 carretas de eucalipto.

A madeira comprada pelos dois irmãos, segundo a polícia, estava sendo entregue numa madeireira, em Bariri, cujo responsável, Alceu Muzardo, até a tarde de ontem não havia sido localizado pela polícia para prestar esclarecimentos.

A polícia também está à procura dos dois sem-terra para ouvi-los a respeito das acusações que foram feitas pelos irmãos. Até ontem, eles não haviam sido localizados no acampamento. O caso está sendo investigado em Itapuí, sob o comando o delegado José Roberto de Almeida Prado Marchesan, que responde pelo expediente durante férias do titular Roberval Fabbro.

Antecedentes

Essa não é a primeira vez que o sem-terra Dorival Mobilon se envolve em suspeita de transações ilegais, desde que está acampado na Olho D'Água. No final de junho, policiais efetuaram, na casa dos pais de Mobilon, em Bocaina, a apreensão de produtos supostamente retirados da fazenda. Na ocasião, o delegado titular de Itapuí, Roberval Fabbro, o indiciou por furto. De acordo com a polícia, entre os produtos apreendidos estavam uma bomba d'água com o motor e café, sendo parte em coco e parte já beneficiado, A fazenda Olho D'Água, foi invadida no dia 27 de maio último por cerca de 30 famílias integrantes do MST. Em junho eles deixaram a área por determinação da Justiça mas acabaram voltando a ocupá-la.

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