Conselhos cobram compromisso de candidatos
Texto: Nélson Gonçalves
Sete conselhos cobraram compromisso dos sete candidatos a prefeito, na ITE, com as políticas definidas pelos segmentos
O debate entre os sete candidatos a prefeito de Bauru, realizado na última quarta-feira na Instituição Toledo de Ensino (ITE), foi marcado por cobranças em relação ao compromisso com a área social pelo próximo governo municipal. Os candidatos desfilaram a promessa de alguns programas que pretendem implementar, se eleitos. Por outro lado, o que os sete candidatos a prefeito mais ouviram dos conselhos municipais
é o pedido de compromisso com as prioridades definidas por cada setor.
O encontro entre os candidatos começou às 19h30. Cada representante dos sete conselhos municipais presentes ao evento fez uma abordagem inicial de oito minutos. Com isso, o primeiro bloco teve duração de cerca de uma hora. Debora Cristina, do Conselho Tutelar, lembrou que os conselhos foram criados a partir da década de 90, com incumbência de discutir e formular políticas para as diferentes áreas de atuação, apesar de, na maioria, serem consultivos.
Em seguida, a secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, falou como representante do conselho da área. Eliane Fetter indicou as prioridades para o setor definidas na 3ª Conferência Municipal de Saúde. Entre elas, estão gestão plena, a promoção e prevenção da saúde, a aquisição de ambulâncias com rádio comunicador, reforma e ampliação do PS Central e Núcleos de saúde de vários bairros e outras diversas prioridades.
Djalma Pacheco falou em nome do Conselho Municipal de Educação. Ele reforçou o caráter consultivo do órgão e defendeu a municipalização no setor. Ele alertou que o critério atual, onde o Município assume os novos alunos da rede, com o Estado se retirando lentamente, precisa ser revisto. Pacheco também citou três ações urgentes no setor, a integração das creches à educação infantil, a criação e regulamentação do estatuto do magistério e a mudança no currículo escolar com o combate à violência.
Já Egly Muniz destacou a área de assistência social. Ela citou que a globalização aprofunda a desigualdade social e, com isso, é preciso uma política para combater as desigualdades. Ela citou que o Estado deve conduzir as políticas sociais, mas que essa missão não deve ser sinônimo de tutela dos pobres e assistencialismo. Takao Kajino disse, em relação ao Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência que o órgão busca a inclusão social. Ele citou prioridades que devem ser implementadas pelo Poder Público para facilitar a vida dos deficientes. Entre os pontos, Takao citou a acessibilidade e as barreiras físicas nas ruas, a instalação de elevadores para deficientes em prédios públicos e outras providências.
Já Terezinha Costa Cardiolo, do Conselho do Idosos argumentou que a entidade está apenas iniciando suas atividades, tendo a executiva instituída este mês. Maria Pierroni listou necessidades da criança e do adolescente, como a casa de abrigo de meninas de ruas, enfermaria de psiquiatria infantil, acesso a medicamentos e a exames de custo elevado, amparo ao recém nascido com problemas mentais e outras prioridades.
Bloco dos candidatos
Em seguida, cada candidato expôs sua proposta para a atuação nas diferentes áreas de assistência social. Por sorteio, Thomaz Zamonaro (PRN) foi o primeiro a falar. Ele disse que vai ouvir todos os conselhos e trabalhar para que as prioridades apresentadas pelos representantes de cada órgão sejam efetuadas. Thomaz disse que, se eleito, vai implantar o Projeto SIM, com escola, alimentação e lazer para crianças. Zamonaro também prometeu trabalhar pelo término do Hospital Regional e implantar um programa de cestas básicas, assim como tirar todas as crianças das ruas.
Carlos Sandrin (PT do B) argumentou que vai trabalhar por mais saúde, cultura e educação. "Têm mendigos nas ruas, eu apresentei um projeto específico para isso e não fui ouvido pelos prefeitos anteriores. Esse povo que está nas ruas precisa ser atendido. Vamos criar o Centro de Recuperação Humana", disse.
Pedro Tobias (PDT) comentou que as "mulheres que trabalham com assistência social são heroínas, assumem o que o Poder Público não faz". Tobias defendeu que o trabalho nas diferentes áreas sociais precisa ser integrado. O candidato do PDT criticou que o Estado e a União estão municipalizando todas as áreas e "não vem dinheiro suficiente, mas transfere todas as responsabilidades. Nós vamos cobrar esse problema". Tobias disse que vai criar o programa médico de família e instituir a gestão plena na saúde. O candidato disse que vai promover a soma de esforços entre o Poder Público, as universidades, as instituições de assistência e organizações não governamentais.
A candidata Estela Almagro (PT) centralizou sua fala na insegurança vivida pela população em relação à política social adotada no País, pelo governo do PSDB. Estela disse que as deliberações dos conselhos precisam ser cumpridas pelo prefeito municipal. "A problemática está centrada em quem vai governar a cidade, qual o compromisso que o candidato tem, com quem ele está e com quem vai governar a cidade. O partido do governador do Estado e do Fernando Henrique Cardoso é um exemplo. Não tem política e investimento na área social", discursou.
Nilson Costa (PPS) disse que encontrou a compreensão dos conselhos em sua gestão "em função da situação difícil encontrada pelos municípios. Aprendemos, nesse tempo, a valorizar ainda mais a mulher e pretendemos manter as atuais secretárias em nossos quadros. Na Lei de Diretrizes Orçamentárias para o próximo ano já fizemos constar várias reivindicações dos atuais conselhos, com o Plano de Ação Integrada. Realizamos o Primeiro Campeonato Nacional dos Paradesportivos
".
O atual prefeito comentou que estudos da Secretaria de Saúde revelam que a gestão plena de saúde geraria necessidade de R$ 42 milhões de receita, um acréscimo de 25% a mais do que é destinado hoje. "Vamos investir na ampliação de novos Postos de Saúde, farmácia de manipulação própria e uma lista básica de medicamentos. Iniciamos a semente do programa médico de família com 22 agentes de saúde que já estão atendendo comunidades carentes, vamos entregar cinco Emefes e enviar o projeto do estatuto do magistério para a Câmara Municipal", comentou.
Tuga Angerami (PSB) foi o último a falar. O candidato disse que a ordem é "descentralizar as decisões com a participação popular com os conselhos não
é modismo. A sociedade passou a exigir do Estado que se abrisse à participação da sociedade, que a sociedade tivesse papel ativo na implementação de políticas, sobretudo sociais".
Tuga disse que o prefeito eleito terá "enorme dificuldade em fazer tudo o que precisa e não será possível fazer tudo. Me assusta, nos bairros, candidatos dizerem que vão construir policlínicas. Não entenderam que a proposta de governo é incorporar propostas que vêm das conferências e dos conselhos. Ouvir o povo, os conselhos, não é modismo é a arte de governar com a população e uma necessidade".
Na sequência, os candidatos a prefeito responderam a perguntas formuladas por integrantes da platéia. Entretanto, a maioria das perguntas foi elaborada por simpatizantes dos próprios candidatos.