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Anemia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 6 min

Anemia ferropriva é a mais comum

Texto: Sabrina Magalhães

As causas da carência de ferro variam conforme a faixa etária e o sexo do paciente. Alimentação adequada é fundamental

O tipo de anemia mais comum e muito prevalente principalmente entre as populações de baixa renda, é a anemia carencial - quando falta determinado nutriente ao organismo. A carência de ferro (anemia ferropriva) é a mais freqüente. E de acordo com a hematologista Maura Valério Ikoma, as causas desta carência variam muito conforme a faixa etária.

Nos bebês, a principal causa da anemia ferropriva é a não amamentação. Já é sabido que o leite materno é o único alimento verdadeiramente completo para o recém-nascido. O bebê deve mamar no peito pelo menos nos primeiros seis meses de vida.

"Mas às vezes a mãe não tem leite para amamentar", ressalta a nutricionista Simone Tonelli Grassi.

"E não tem condições de comprar um leite apropriado. Ela passa a dar à criança o leite de saquinho. Só que nos primeiros meses de vida, o organismo do bebê não produz determinadas enzimas, que iriam digerir as proteínas do leite comum, o que acaba lesando o estômago da criança e provocando pequenas hemorragias. Em pouco tempo, o bebê está anêmico."

Outras vezes, a mãe até amamenta, mas ela tem deficiência de ferro e o leite torna-se insuficiente. Neste caso, a mãe teria que tomar um complemento e manter a amamentação. Ou continuar oferecendo o peito ao bebê, alternando as mamadas com leites especiais.

Crescimento

Por volta dos seis meses, as papinhas começam a ser introduzidas na alimentação do bebê. Nos primeiros dias, a tendência é que ele rejeite tudo, principalmente os alimentos salgados, já que o leite é adocicado.

"Por falta de informação, as mães começam a substituir esses alimentos e a criança acaba entrando num processo de anemia", explica a nutricionista.

Segundo ela, é preciso ir introduzindo novos sabores à alimentação da criança dia após dia e insistir. "Não de um modo que crie um trauma na criança, mas ir colocando. Mesmo que ela não coma carne, a mãe tem que colocar um pedaço para cozinhar junto. Se ela tomar o caldo já é suficiente."

Também tem o caso das mães que não têm condições de comprar uma variedade adequada de alimentos para a papa. "Como toda mãe, ela quer ver o filho engordar. Então, ela dá fubá, amido de milho... a criança engorda que é uma beleza, só que vai fazer um exame, ela está com deficiência de um monte de nutrientes."

O pediatra Felinto dos Santos Neto salienta que gordura não

é sinal de nutrição. A criança pode ser gordinha, mas não estar absorvendo a quantidade necessária de ferro. Estando anêmica, a defesa da criança contra todas as doenças fica comprometida.

A partir de 1-2 anos de idade, a criança já sabe o que quer, o que gosta ou não. Vem outro problema.

"O ideal é que a mãe persista, ponha na mesa, mostre que toda a família come, fale que é importante. E se, de tudo, ela não conseguir, temos algumas artimanhas, como cozinhar um pedaço de fígado ou outra coisa no molho do macarrão. A mãe amassa o fígado ou a verdura e a criança come sem nem perceber. O importante

é criar mecanismos para que a criança tenha fontes de todos os nutrientes em sua alimentação."

Mas não é só a alimentação. A hematologista Maura Ikoma afirma que o próprio crescimento físico consome uma quantidade muito grande de ferro e outros nutrientes. E o pediatra acrescenta: as verminoses também resultam em sérias perdas sangüíneas e nutricionais. A falta de um tratamento específico pode levar à anemia ou mesmo à morte.

Adolescência

Na adolescência, além das verminoses e do crescimento, que continuam, existem mais duas causas importantes de anemia: a má alimentação e, nas meninas, o início das menstruações.

Segundo Ikoma, "por uma imaturidade dos eixos que regulam os hormônios (hipotálamo, tireóide e ovários), nos primeiros ciclos, algumas meninas perdem mais sangue do que o fisiologicamente suportável e anemizam. São as chamadas hipermenorragias. E outra coisa que está acontecendo muito é que a competitividade dos dias de hoje está levando muitos jovens a apresentar gastrites e até úlceras. Aí eles perdem sangue e anemizam."

Quanto à alimentação, o principal obstáculo

é a rebeldia dos adolescentes, que começam a comer fora de hora e optam por lanches, salgadinhos, balas e refrigerantes, recusando-se a manter uma alimentação balanceada. Ele ingere uma grande quantidade de calorias, mas com valores nutricionais muito abaixo do necessário.

Adultos

Para os "marmanjos", a alimentação inadequada continua sendo sempre um fator causador de anemias. Mas nesta faixa etária, é razoavelmente freqüente o aparecimento de anemias também por problemas no trato gastrointestinal

(úlceras, gastrites, hemorróidas).

Entre as mulheres, continua havendo um risco pelas perdas menstruais. Segundo a hematologista, mesmo mulheres que mantêm uma alimentação equilibrada podem anemizar nestes períodos: "Quando elas perdem mais de 70, 100 ml de sangue por ciclo, que seria um ciclo maior que cinco dias, quando a troca de absorventes é maior que quatro vezes ao dia (excetuando-se as trocas por higiene), quando a mulher chega a usar dois absorventes de uma só vez. Estes sangramentos são muito importantes e ela pode anemizar".

Vale ressaltar que, ao engravidar, todas as necessidades nutricionais da mulher aumentam. Afinal, além de sustentar seu próprio metabolismo, ela tem que estar "abastecida" para permitir o bom desenvolvimento do feto.

Fontes de ferro

De acordo com a nutricionista Simone Tonelli Grassi, as principais fontes de ferro na alimentação são as carnes

(vermelhas e brancas), principalmente fígado e as lingüiças feitas com sangue.

"Alguns pacientes têm me questionado sobre os hormônios, já que os animais têm sido tratados com hormônios e estas substâncias se concentram no fígado. Neste caso, você tem que pesar pelo custo-benefício, porque se hoje o problema da pessoa é a anemia, vamos tratar anemia. A questão do hormônio é a longo prazo e o fígado é riquíssimo em ferro."

As folhas verdes, couve, espinafre, acelga, brócolis, folhas de mandioca, de beterraba, de cenoura, os ovos, cereais integrais, frutas secas também são fontes importantes de ferro e outros nutrientes e devem estar sempre presentes na alimentação de todas as pessoas. Mesmo nos casos em que a dieta não influencia no tratamento da anemia. Uma boa nutrição ajuda o organismo a se defender de infecções e outras doenças.

Mitos

Algumas pessoas costumam dizer que cozinhar os alimentos em panelas de ferro ou com um prego dentro ajuda no tratamento das anemias. Grassi afirma que isto é um grande mito. Segundo ela, as panelas de ferro e o prego liberam o ferro férrico, que não é absorvido pelo organismo. Para a anemia só teria valor o ferro ferroso (da ferrugem, por exemplo). "A comida feita em panela de ferro é uma delícia e não há contra-indicação, mas não tem qualquer valor para o tratamento da anemia."

E ela dá uma dica: o alumínio é um material que dificulta a absorção do ferro. Por isso, alimentos que contêm ferro não devem ser guardados em panelas ou vasilhas de alumínio. Podem até ser cozidos, mas, para levá-los à geladeira, o ideal é usar utensílios de plástico ou vidro.

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