Uma conseqüência, não uma doença
Texto: Sabrina Magalhães
Uma parcela considerável da população chega aos consultórios médicos com quadros de anemia. Felizmente, na maioria das vezes o problema é corrigido com uma simples adequação alimentar. Mas nem sempre.
De acordo com os especialistas, a primeira coisa que é preciso esclarecer quanto à anemia é que ela não
é uma doença, mas um "sintoma", um sinal de que algo não vai bem. É, na verdade, a conseqüência de alguma alteração que está prejudicando a qualidade do sangue e debilitando o organismo. O sangue é responsável, principalmente, pelo transporte de oxigênio e nutrientes para todas as células do corpo. Quando ele
é deficiente, o "abastecimento" destas células torna-se insuficiente, dificultando o funcionamento de órgãos e sistemas.
"Isso vai traduzir-se em fraqueza e dores musculares, falta de ar, cansaço, palpitações cardíacas durante pequenos esforços. A diminuição de oxigênio no cérebro também pode levar à sonolência e episódios de tontura. E pode haver uma diminuição da filtração renal, com redução do volume de urina diário", comenta a hematologista Maura Valério Ikoma.
A grosso modo, pode-se afirmar que anemia é uma diminuição da quantidade (ou qualidade) de glóbulos vermelhos do sangue. Por isso, um dos sinais mais conhecidos da anemia é a mudança na cor da pele e das mucosas, que podem ganhar um aspecto levemente amarelado.
Além das deficiências alimentares, "essa diminuição da hemoglobina pode acontecer por três motivos: ou o paciente não está produzindo sangue adequadamente por algum motivo, ou ele está perdendo sangue por algum motivo, ou ele está consumindo demais e muito rápido. Então, há inúmeros tipos de anemia e para cada um, um tratamento", explica o médico geriatra Júlio Horta Filho.
As anemias mais comuns são as chamadas carenciais, quando falta alguma substância no organismo, como o ferro ou certas vitaminas. Isso pode acontecer por um erro alimentar, quando realmente a pessoa não ingere a substância, ou por uma maior necessidade dessa substância, como no caso das mulheres grávidas, que precisam aumentar o consumo de vários nutrientes. Nesses casos, o uso de um complemento alimentar ou simplesmente a adoção de uma dieta adequada já
é suficiente para sanar o problema.
Existem também as anemias por doenças adquiridas, como as gastrites, úlceras ou os tumores, que resultam em sangramentos. O tratamento da doença vai minimizar ou acabar com a hemorragia, fazendo os níveis de hemoglobina voltarem ao normal.
Porém, existem anemias bem mais complexas, como as congênitas
(de nascença) ou as geradas por doenças na medula
óssea, em que o tratamento é difícil ou mesmo inexistente. Para alguns desses pacientes, há indicação do transplante de medula. Para outros, quimioterapia. Mas muitos têm mesmo que aprender a conviver com a anemia crônica.