Habitação e saúde dominam 2.º debate
Texto: Daniela Bochembuzo
Candidatos criticaram a ausência de Pedro Tobias, que deixou de ir ao debate para participar de showmício de campanha
Questões ligadas à habitação, saúde, inserção social da mulher, tratamento de esgoto e continuidade das obras do viaduto dominaram o segundo debate entre candidatos a prefeito de Bauru, realizado anteontem à noite pela TV Preve em parceria com o Jornal da Cidade. Dos sete prefeitáveis, participaram do evento Carlos Sandrin
(PT do B), Estela Almagro (PT), Nilson Costa (PPS), Thomaz Zamonaro
(PRN), Tidei de Lima (PMDB) e Tuga Angerami (PSB). A ausência de Pedro Tobias (PDT) foi amplamente criticada pelos participantes.
Em carta enviada aos organizadores, Tobias justificou a ausência dizendo que não participaria por não ter concordado com a realização do debate de prefeitáveis antes do de candidatos a vice-prefeito. Em razão disso, o pedetista preferiu participar de um showmício realizado no mesmo horário do debate, 20h30, na Vila Nova Esperança. A cadeira destinada ao candidato no local da gravação do evento, no entanto, foi mantida vazia.
A justificativa de Tobias não foi aceita pelos demais candidatos
à Prefeitura. Alguns deles aproveitaram o primeiro bloco do programa, destinado a considerações gerais, para criticar o pedetista. Tidei de Lima, por exemplo, disse que a ausência do candidato do PDT era sintomática. "Ele está querendo sonegar informações à população", disparou. Tuga Angerami afirmou que Tobias não pode se esconder atrás de campanha milionária, deixando de lado o debate de propostas. "A população está cansada da pobreza de idéias. Por isso, parabenizo os presentes pela clara demonstração de interesse em informar a população, garantindo a ela oportunidade para fazer uma boa escolha", finalizou.
No segundo bloco, os candidatos responderam a perguntas formuladas por João Jabbour, gerente de produtos editoriais do JC, e Gerson Trevizani, diretor-presidente do Grupo Preve. A ordem de respostas dos prefeitáveis foi definida previamente entre os assessores dos partidos e coligações por meio de sorteio, realizado na última sexta-feira na redação do jornal.
O primeiro a formular a pergunta foi Jabbour, que questionou Tidei de Lima a respeito da câmara de compensação tarifária da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), implantada ao final da gestão do peemedebista e que encontra-se com déficit de R$ 2 milhões. Tidei respondeu que a câmara foi uma ações propostas com a quebra do monopólio dos transportes coletivos na cidade e a cobertura do valor não deve ser feita com recursos do Município, mas por meio da própria Emdurb.
"Se não fosse através desse sistema, a população de Tibiriçá nunca poderia pagar a mesma tarifa das demais linhas de ônibus", explicou.
Em seguida, Trevizani questionou Zamonaro sobre a formação dos quadros de governo, uma vez que o PRN conta com poucos filiados. O candidato respondeu que iria convocar a população a participar do governo, algo que considerava mais justo do que fazer lobby partidário. "Mas, se puder, também quero contar com a participação de outras legendas", emendou.
Em resposta sobre a formação do Fundo Municipal de Previdência, elaborada por Jabbour, Nilson Costa comentou que aguarda propostas sobre o assunto elaboradas por uma comissão municipal e que a inclusão de servidores aposentados e o pagamento da parcela patronal atrasada dependerá do equacionamento do orçamento municipal.
Em questão levantada por Trevizani, Sandrin disse a razão de ter se candidatado à Prefeitura com 70 anos. Citando Abraham Lincoln e Jânio Quadros, o candidato afirmou querer administrar o Município para sanear seu orçamento sem a necessidade rolar dívidas, levando idéias democráticas à população. "Meu partido tem as cores da bandeira, não a cor vermelha, de Fidel Castro, assassino que matou 20 mil pessoas", argumentou.
Estela Almagro respondeu a João Jabbour sobre o inchaço do quadro de servidores municipais e a possibilidade de assumir o ônus de ter que demitir funcionários. A candidata afirmou não temer a abordagem do assunto, uma vez que entende ser necessário reduzir o número de cargos de confiança na Administração e em autarquias. Adepta da gestão participativa, ela garantiu que irá tratar o assunto junto ao Sindicato dos Servidores. "É preciso rever a grade salarial e reduzi-la não significa necessariamente demitir,
é necessário uma discussão global", analisou.
Questionado por Trevizani a respeito da aliança do PSB com o PPB, considerado um partido de direita, Tuga Angerami assumiu sua paixão por Bauru e disse que a coligação foi motivada por propostas comuns de buscar a Justiça Federal.
"Busquei o apoio, não do PPB do Maluf, mas do PPB do grupo do deputado Carlos Braga, eleito pelo povo e compromissado com a cidade. Foi uma forma de sair do isolamento que tentaram impor a mim", afirmou.
No terceiro bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si. A ordem de perguntas e respostas também foi definida por meio de sorteio entre os assessores dos partidos e das coligações. O perguntador tinha direito a um minuto de réplica e o prefeitável questionado, a um minuto de tréplica. Os postulantes citados de maneira ofensiva também poderiam requerer um minuto para considerações.
O primeiro a iniciar a série de questões foi Nilson Costa, que perguntou se Estela era favorável a atitudes de abandono de mandato em função de candidatura para outro cargo eletivo. A petista disse ser contrária a esse tipo de situação e citou Pedro Tobias. "Ao se candidatar novamente, o deputado trai parcela significativa da população que votou nele. Isso deveria ser proibido por meio da reforma política. Já a ausência do pedetista no debate não contribuiu com o processo democrático", alfinetou.
Em seguida, Carlos Sandrin perguntou qual era a proposta de Tuga para a habitação. O candidato do PSB disse que seu grande desafio será implementar políticas para a população de baixa renda. Nesse sentido, disse ser favorável a realização de mutirões.
"Eles são a solução para o atual déficit de 2.000 habitações em Bauru. Tenho certeza que a população apoia esta idéia", garantiu.
Seguindo a mesma linha de questão, Tidei de Lima perguntou a Sandrin como iria solucionar o problema habitacional de Bauru. O candidato respondeu que iria buscar a experiência de antigos secretários e construir núcleos em lotes urbanizados e próximos à região central. "É preciso acabar com essa história de gente morando longe", finalizou.
Estela Almagro perguntou por quê Nilson Costa repôs o salário dos servidores em 6%, índice abaixo da inflação registrada no ano anterior. O candidato
à reeleição argumentou que o aumento do funcionalismo público municipal superou índices de outras categorias e lembrou que muitos servidores estaduais e federais não contam, há anos, com aumento de salário. "Como prefeito, preciso lembrar que voltei a fazer pagamentos em dia e a conceder vale-compras regularmente. O índice de aumento salarial foi o que as finanças municipais permitiam", afirmou.
Thomaz Zamonaro, enquanto perguntador, e Tidei de Lima, respondendo, protagonizaram o momento de mais baixo nível do debate, quando trocaram ofensas sobre a questão da câmara de compensação tarifária e a quebra do monopólio do transporte público municipal. Ambos se chamaram de desequilibrados.
"Você está enganando a população", disse Zamonaro a Tidei. O peemedebista revidou. "Suas considerações não merecem resposta", criticou.
Em seguida, Tuga Angerami perguntou a proposta de Zamonaro para a juventude. O candidato do PRN disse que tem dois programas para o segmento, que incluem a realização de eventos esportivos na periferia e a criação de uma escola municipal de ensino integral. O prefeitável do PSB sugeriu que Zamonaro avaliasse também a criação de um Conselho Municipal da Juventude. "Vou fazer mais: vou criar uma secretaria municipal", respondeu, na tréplica.
O quarto bloco teve a participação de João Jabbour e Gerson Trevizani. Através das perguntas dos convidados, Estela Almagro disse que ética e zelo pela coisa pública e pela população são mais importantes em um candidato do que a sua experiência; e Thomaz Zamonaro posicionou-se contra a discriminalização da maconha e favorável à proibição do cigarro e de bebidas alcoólicas. Já Nilson Costa afirmou ser candidato à reeleição por entender que 23 meses era um tempo curto para implantar o projeto administrativo que gostaria para Bauru; e Tuga afirmou que a supressão de taxas municipais foi uma atitude irresponsável e que onerou a Prefeitura. "Para ter melhorias, a população prefere pagar taxas e estou disposto a discutir isso", garantiu o candidato do PSB. Quinto a responder perguntas, Tidei de Lima tentou provar que o empréstimo para a construção do viaduto não foi a causa do endividamento do Município.
"O problema foi o não pagamento das parcelas por três anos", argumentou. Por último, Sandrin finalmente respondeu, irritado, sua proposta sobre a contratação de benzedeiras para atuação em postos de saúde.
"Não vou substituir os médicos por elas", concluiu.
A sistemática do quinto bloco consistiu em candidatos fazerem perguntas entre si. Tratamento de esgoto, propostas para a zona rural e participação da mulher na política foram temas levantados pelos prefeitáveis, que aproveitaram a última parte do programa para novamente criticar a ausência de Pedro Tobias no evento.
A TV Preve, em parceria com o Jornal da Cidade, volta a realizar novo debate com postulantes à Prefeitura de Bauru no dia 28 de setembro. Antes disso, os dois veículos de comunicação reunirão candidatos a vice-prefeito para discutir propostas de governo para a cidade.