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Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Ajudante confessa que crime do Chapadão foi acidental

Texto: Rita de Cássia Cornélio

O ajudante geral Eduardo Clemente de Souza, 18 anos, se apresentou ontem à polícia. Ele confessou ter efetuado o disparo que matou o adolescente Fábio Toledo Medeiros, 15 anos, na última sexta-feira, num campo de futebol do Jardim Chapadão.

"Infelizmente matei um grande amigo numa brincadeira", lamentou. Ele confirmou que o grupo brincava de roleta russa quando o crime aconteceu.

O crime, que vinha sendo investigado pela equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), foi esclarecido ontem, quando uma equipe do Tático-4 encaminhou o autor dos disparos para a delegacia. Segundo o tenente Jorge Duarte Miguel, comandante do Tático, a família de Souza o procurou para pedir orientação. "Eu pedi para o pai apresentar Eduardo à polícia, disse.

O ajudante geral entregou a arma do crime, que será periciada e motivo de novas investigações. Ele alegou que adquiriu o revólver, o Taurus cano curto, cinco tiros, recentemente de uma pessoa chamada Celso, que teria adquirido a arma de um policial militar.

Ao se apresentar para o delegado, Eduardo Clemente de Souza tentou fazer alegações evasivas, porém foi alertado a contar a verdade. Ele acabou contando que todas as testemunhas decidiram por uma versão que foi apresentada no dia do crime. "Eu não suporto mais essa situação. Vou me entregar e contar a verdade. Eu matei o Fábio acidentalmente", disse antes de apresentar-se à polícia.

Ele lembrou que no dia do crime, em companhia de seus amigos, decidiram jogar uma partida de futebol, num campinho do Jardim Chapadão. Ele estava armado e todos os amigos dele estavam curiosos para ver a arma. "Revolvi mostrar o revólver para eles. Eu comprei o revólver do Celso, que mora no Núcleo Bauru 21, por R$ 250,00. Ele disse que havia comprado o Taurus de um PM. Queria a arma para acertar as contas com um grupo que freqüenta a casa noturna Som Brasil. Eles brigaram com a gente e nos agrediram", disse à polícia.

Todos viram a arma na roda de amigos e o ajudante geral contou que decidiu brincar com ela. "Retirei as cinco balas e percebi que uma estava picotada. Coloquei as cápsulas de volta e acionei o gatilho, mas a cápsula não detonou. O Fábio sugeriu a roleta russa. Deixamos apenas uma bala no tambor. Ele girou o tambor e apontou a arma para sua própria cabeça. Acionou o gatinho e a bala não detonou", contou.

Como a arma não detonou por duas vezes, a brincadeira prosseguiu.

"O Fábio passou a arma para mim. Ele estava sentado e eu em pé. Eu engatilhei e disparei. Desta vez, a cápsula detonou e acertou a cabeça dele. Quando vi não acreditei. Ele era meu melhor amigo", lamentou.

O desespero tomou conta de todos os garotos que aguardavam a partida de futebol. "Ficamos desesperados, não sabíamos o que fazer. Eu peguei a arma e corri para chamar o resgate e a polícia. Nisso, combinamos uma história, aquela que apresentamos na delegacia, que dois rapazes tinham chegado no bairro à procura do Fábio", afirmou.

O ajudante geral alega que desconhecia o fato de o tambor girar em sentido contrário. "Eu imaginava que o tambor do revólver girasse em sentido horário. Mas o Taurus gira ao contrário. Eu não queria matar o meu amigo", afirmou.

Crime

O adolescente Fábio Fernando Toledo Medeiros, 15 anos, foi morto na última sexta-feira, no Jardim Chapadão. Ele foi atingido por um tiro na cabeça e nem chegou a ser socorrido, morreu no local.

No dia do crime, testemunhas alegaram que ele havia arrumado uma briga em uma casa noturna da cidade e que essas pessoas é que teriam ido ao bairro para matá-lo.

Investigações

Embora o crime tenha sido esclarecido, o caso não está encerrado. Cabe à Polícia Civil localizar quem vendeu o revólver, que seria Celso, e verificar a procedência dessa arma, que pode ser clandestina ou legal. Segundo o delegado J.J. Cardia, titular da DIG/Garra, o revólver vai passar por perícia técnica.

O policial que teria vendido a arma para Celso também será identificado. "Todas as testemunhas serão ouvidas para ver se essa versão apresentada por Eduardo Souza é verdadeira", disse Cardia. Por ter se apresentado espontaneamente, Souza não ficou preso. "O estado de flagrância já havia terminado e ele responderá pelo crime, em liberdade", afirmou o delegado

Conseg Noroeste/Oeste se reúne hoje

O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) das regiões Noroeste e Oeste de Bauru se reúne hoje,

às 19h30 na rua Campos Salles, 9-43, Vila Falcão, prédio da Diretoria de Ensino. O convidado da noite é o atual comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar Interior, tenente-coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges. Na pauta, o policiamento preventivo e as atividades da PM naquela

área da cidade. A reunião é aberta a todos os interessados em segurança, especialmente aos moradores dessas áreas.

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