Lotes de área anexa ao Nicéia devem ser doados aos ocupantes
Texto: Adriana Rota*
Cento e cinqüenta e dois lotes que compõem uma área anexa ao Jardim Nicéia, na zona sudeste da cidade, deverão ser legalmente doados aos moradores que a ocupam. A decisão foi tomada ontem, durante uma reunião entre o prefeito Nilson Costa, lideranças comunitárias do bairro e representantes dos proprietários.
A doação da gleba, que é um espólio do pioneiro Felicíssimo Antônio Pereira e de Benedita Madureira, será possível porque seus proprietários abriram-mão desses lotes. A formalização legal da medida deve ser aprofundada numa reunião programada para a próxima segunda-feira, onde estarão presentes os advogados dos proprietários. Depois o processo seguirá para outras instâncias, até a legalização definitiva.
De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Jardim Nicéia, Apparecido Benedito Vasconcellos, a ocupação teve início com 56 barracos, em 1990. Quatro anos depois, nomeado delegado do Comitê de Cidadania de Bauru num evento realizado em Brasília, ele teria feito contato com setores da Igreja Católica que deram subsídios para tentar resolver a questão do assentamento.
"Se os estadistas pensassem um pouco mais, não haveriam favelas. Você sabe que a Organização das Nações Unidas (ONU) destina uma verba para isso, mas ela não é usada?", questionou.
Na volta do evento, procedeu à triagem das famílias
(cerca de 40 ficaram de fora) e procurou uma das proprietárias, Isaura Braga, que teria fornecido um documento de doação.
Contatada pela reportagem, Isaura prefere aguardar a próxima reunião antes de falar. No encontro de ontem, Isaura teria deixado claro que a doação seria referente aos 152 lotes somente e que não admitiria ocupação de outras áreas de sua propriedade.
Para Vasconcellos, a resolução da questão vai representar um alívio. "Vou poder respirar aliviado. Para mim, era um pesadelo. Ficavam na minha cabeça aquelas imagens que a gente vê na TV de máquinas entrando no terreno e derrubando tudo", disse. No ano passado, algumas famílias chegaram a ser retiradas de uma outra área ocupada. "Falta de aviso não foi", finalizou.
(*Colaborou Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal)