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Pastagens

Paulo Toledo
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Programa quer recuperar pastagens da região

Texto: Paulo Toledo

O escritório de Bauru da Coordenadoria de assistência Técnica Integral (Cati), órgão da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, está lançando um programa, inédito em São Paulo, que visa obter um crescimento na produção de carne do Estado, por meio da recuperação das pastagens. Luiz César Demarchi, agrônomo assistente técnico da Cati-Bauru, afirma que essa recuperação vai se dar com o plantio de soja na região, por arrendatários do Paraná, que já demonstraram interesse.

Demarchi destaca que existe uma grande potencial de exportação de carne, com a decretação da zona livre de aftosa com vacinação. Para ele, isso se reforça

à medida em que há um grande interesse pelo chamado

"boi verde", que é aquele criado a pasto. Alguns grande produtores utilizam grãos para alimentar o gado e, com a ampliação do cultivo dos transgênicos, começam enfrentar resistências.

O agrônomo da Cati destaca que os últimos levantamentos da Secretaria da Agricultura do Estado mostram que no Oeste do Estado de São Paulo predomina a pecuária. Porém, a pastagem está degradada e suporta menos de um animal por hectare (ha), o que é considerada uma lotação muito baixa, já que o normal seria cinco animais por ha.

"Não há como produzir carne com uma lotação dessas. Nesse modelo, mal dá para abastecer o mercado interno do Estado", afirmou.

A recuperação das pastagens, segundo Demarchi, pode ser feita de duas formas: com adubação química ou orgânica, que são práticas caras; ou com plantio de leguminosas, que produzem matéria orgânica boa, com um índice de nitrogênio, que seriam adicionados ao solo recuperando-o.

A soja é considerada uma boa opção para fazer esse papel de recuperação. O problema é que o pecuarista, em razão dos custos de implantação desta cultura, que exige um certo grau de mecanização, provavelmente não faria esse tipo de trabalho. Assim, a Secretaria pensou em ser um agente do arrendamento dessas terras, que seriam recuperadas, ao passo que os tradicionais produtores do Paraná teriam uma terra adequada em uma distância menor, já que tem optado por Estados mais distantes.

O contato com os produtores de soja já foi realizado e houve o interesse. Agora, a Cati está conversando com proprietários de terras da região em busca de adesões ao programa. O problema é que esse arrendamento tem que ter um prazo mínimo de dois anos para se tornar interessante para o produto de soja.

Mas, neste período, com sistema de plantio direto, no que

é necessário palhada para plantar em cima, o próprio pasto pode fornecer. Em seguida, seria necessário fazer um cultivo para produzir a palhada para a próxima safra de soja, que seria uma gramínea, criando um ciclo de rotação gramímea-leguminosa. O milheto ou a aveia seriam os mais indicados.

Demarchi destaca que o produtor passa receber essas gramíneas, que seriam utilizadas para alimentação do gado na entressafra, o que seria muito interessante para o pecuarista.

"Será extremamente interessante, pois vai recuperar o solo e, depois de três ou quatro anos vai poder recuperar a pastagem, que terá excelente qualidade, que suportará alta lotação, de até cinco unidades animal por ha", afirmou.

Demarchi disse que já existem proprietários de terras interessados em participar do programa na região. A Secretaria que iniciar o piloto em Bauru com, pelo menos, mil hectares.

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