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Exportação

Patrícia Zamboni
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Exportação é fundamental para o Brasil, diz presidente da Fiesp

Texto: Patrícia Zamboni

Presidente da Fiesp/Ciesp diz que o setor industrial precisa buscar a exportação para elevar o superávit comercial do Brasil

Exportação e reforma tributária são os principais alvos que devem ser buscados e conquistados pelo setor industrial brasileiro para o seu crescimento. "A questão da exportação é fundamental para o Brasil". As afirmações são de Horácio Lafer Piva, presidente da Fiesp/Ciesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo/Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Segundo ele, o Brasil ainda tem uma dependência muito grande do mercado externo e, na sua opinião, isso só será resolvido a partir do momento em que houver um superávit comercial muito bom.

De acordo com Piva, o Brasil precisa voltar a ter um superávit da ordem de US$ 15 bi, o que corresponde a 2% do Produto Interno Bruto (PIB). "Para isso, precisamos fazer duas coisas. Primeiro, criar produtos que atualmente estamos comprando lá de fora. Segundo, ter uma ofensiva exportadora muito forte, encorporar as pequenas e médias empresas e conseguir exportar para melhorar o nosso saldo", afirma. Para ele, sem exportação o Brasil é um País "sem chances".

De acordo com o presidente da Fiesp/Ciesp, essa ofensiva exportadora e o crescimento do saldo industrial só serão alcançados a partir do momento em que os processos forem simplificados, que se consiga financiamento para as exportações e que seja feita mais promoção comercial dos produtos com a "marca" Brasil. "Eu tenho absoluta certeza de que se nós conseguirmos resolver esses três nós, o Brasil vai dar um novo salto de qualidade e também, obviamente, de quantidade. Porém, esses temas precisam estar na agenda do dia. Nós não podemos esmorecer", ressalta Piva.

Para ele, o Estado de São Paulo - incluindo a região de Bauru, por sua posição estratégica - tem papel fundamental para que esses objetivos sejam levados adiante, já que se trata do Estado mais industrializado da Federação Brasileira das Indústrias. Por esse motivo, os benefícios para São Paulo e para o Interior do Estado serão muito maiores do que para qualquer outro.

Questionado sobre a rentabilidade registrada pelo setor industrial no primeiro trimestre deste ano, que foi considerada a maior dos

últimos dez anos, Piva discorda, dizendo que a base de comparação é ruim. Porém, confirma o crescimento."Eu diria, em primeiro lugar, que a base de comparação que está sendo feita é ruim porque os anos anteriores foram muito fracos para a indústria. De qualquer forma, não podemos subestimar o crescimento e estamos vendo esse fato com muita satisfação", diz o presidente.

De acordo com Piva, os fundamentos da economia estão melhores e cita a mudança cambial ocorrida em 99 como fator muito importante para o setor. "Nós tivemos uma mudança cambial no começo do ano passado que foi muito importante para a indústria porque, de alguma forma, ela realinhou a política econômica. O que acontece é que boa parte desse crescimento que vem sendo registrado agora está acontecendo em cima do setor exportador", afirma Piva.

PIB x indústria

De acordo com ele, este ano o PIB geral do Brasil deve crescer por volta de 3,5% a 4%. Já o PIB da indústria, deve crescer em torno de 5% a 5,5%. Ou seja, uma considerável parte do PIB será puxada pelo setor industrial. A preocupação, no entanto é com a sustentação desse crescimento.

"É claro que estamos vendo todos esses índices com muita satisfação. Porém, nós temos uma preocupação que é importante registrar, que é a sustentação desse crescimento. A economia brasileira é muito volátil, portanto, fica difícil fazer um planejamento a longo prazo. Alguns setores já estão atingindo o teto da sua capacidade instalada, ou seja, precisarão entrar numa fase de investimento. Só que, para fazer investimentos, precisamos irrigar o mercado com crédito abundante e com taxas de juros internacionais, iguais às dos nossos concorrentes que também estão fazendo investimentos", afirma.

Na opinião do presidente da Fiesp/Ciesp, se essa questão não for "atacada" de forma intensa, o Brasil entrará novamente na fase dos círculos viciosos, e não virtuosos. Por isso é que Piva destaca a importância do crédito, da exportação e da reforma tributária.

"Quanto à questão da reforma tributária, nós perdemos uma batalha recentemente, mas não vamos deixar de continuar nessa guerra porque ela é fundamental. Essa reforma tem haver com a competitividade do produto brasileiro", ressalta Piva.

Horácio Lafer Piva concedeu entrevista coletiva à imprensa durante sua visita a Bauru, ontem, para comemorar os 50 anos do Ciesp local e da escola Senai "João Martins Coube". Na ocasião, também ministrou palestra intitulada "A nova economia".

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