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Reflorestamento

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Projeto vai investir R$ 10 mi em reflorestamento

Texto: Paulo Toledo

Um grupo de Organizações Não-Governamentais

(ONGs), liderada pela bauruense Instituto Vidágua e pela Fundação SOS Mata Atlântica, está desenvolvendo um projeto que deve investir R$ 10 milhões em cinco anos

- R$ 2 milhões por ano - num projeto de reflorestamento de mata nativa, em todo o Brasil, nas áreas de Mata Atlântica. O dinheiro será disponibilizado por patrocinadores do site Clickarvore (http://www.clickarvore.com.br), colocado no ar pelas ONGs. Quem visitar vai plantar uma árvore. Pela primeira vez, a Internet pode ajudar a mudar a paisagem do Brasil de forma concreta, não apenas a dos escritórios.

O projeto surgiu de uma idéia antiga do Instituto Vidágua de realizar um grande projeto de reflorestamento, que vinha sendo amadurecido pelo instituto, há algum tempo, que pretendia envolver a população e a iniciativa privada. A parceria para desenvolvimento do trabalho via Internet, com a empresa bauruense PontoComPontoBr, foi a maneira inicial de fazer o projeto ganhar amplitude.

Rodrigo Agostinho, secretário executivo do Instituto Vidágua, afirma que a Internet foi uma forma de atrair as empresas patrocinadoras, já que esse apoio, agora, não vai ficar escondido

"em uma placa no meio do nada".

Assim, foi criado um mecanismo em que a população vai poder ajudar a plantar essas árvores, por meio do site. Quando a pessoa acessa a home page e vota, aparece a marca de um dos patrocinadores, que vai pagar por aquela muda de árvore de mata nativa, que será usada para o reflorestamento.

A parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, que é, atualmente, uma das maiores ONGs do meio ambiente do País, foi fundamental para atração dos patrocinadores. Além disso, vai fazer a conexão com outras ONGs de todo o Brasil, que vão trabalhar em parceria no projeto, pois as mudas plantadas serão utilizadas para recuperar áreas degradadas em todos os 17 Estados do País que tinham trechos de Mata Atlântica. Devem participar as maiores entidades ambientalistas, por regiões, para atender a todos essas áreas.

Essas ONGs serão "contratadas" para produzir as mudas das espécies nativas da região em que atuam. Mas, tudo isso vai depender dos internautas entrarem no site e fazerem seu plantio virtual, que vai se concretizar num futuro breve. O dinheiro do patrocinador entrará somente quando um internauta fizer seu plantio virtual.

Em apenas duas semanas de lançamento e sem muita divulgação, o Clickarvore já recebeu 31.640 doações (plantios) de pessoas que visitaram o site (até sexta-feira às 19 horas, um número considerado surpreendente. Cada pessoa

(e-mail) só pode clicar uma vez por dia - se tiver mais de um na família é possível plantar mais

árvores por dia. Toda essa visitação é auditada pela Ernest & Young, uma das principais empresas do setor no País. "Isso vai comprovar a seriedade da audiência", destacou Agostinho, lembrando que a auditoria foi fruto de um acordo com os patrocinadores.

Porém, esse acesso ao site deve aumentar, uma vez que todas as revistas do Grupo Abril, que está apoiando o projeto, vão trazer anúncios incentivando a visitação. Os meios de comunicação eletrônicos que o Grupo tem participação, como a MTV e o portal UOL também devem entrar na campanha.

Patrocinadores

Até agora, a Bradesco Cartões é o principal patrocinador do site e doa R$ 1,00 para cada clique. Porém, outros de peso já estão em negociação, mas não podem ser revelados, até que os contratos estejam assinados.

Quando o internauta planta sua árvore, deixa seu nome, cidade e e-mail, para que seja avisado quando sua árvore for efetivamente plantada na área de Mata Atlântica. Porém, destaca Rodrigo Agostinho, essas informações, por um contrato muito rígido (política de privacidade) elaborado entre as partes, não terão outra utilização. A única possibilidade da pessoa passar a receber malas diretas dos patrocinadores será a opção que permite tal situação, inserida na própria página. Se não quiser, basta desativar a opção.

Além do objetivo de preservar a ecologia, o Clickarvore vai ajudar, ainda, a recuperação de áreas degradadas em propriedades rurais, principalmente as Áreas de Preservação Permanente (APP). No próprio site existe um cadastro para que o produtor possa se candidatar a receber as mudas. Porém, a liberação depende de uma análise das ONGs envolvidas. Outra condição

é uma assinatura de contrato garantindo que as árvores plantadas receberão toda a assistência.

Rubens Ribeiro de Barros Filho, o Rubito, diretor da PontoComPontoBr, destaca que os servidores da empresa, que estão hospedando o site, estão preparados para o alto tráfego de visitas que deve ser gerado, com a maior divulgação.

Mata Atlântica

Originalmente, a Mata Atlântica estava distribuída em uma área superior a 1,3 milhão de quilômetros quadrados, em 17 Estados brasileiros, ocupando cerca de 15% do território nacional. Hoje em dia, seus remanescentes correspondem a

menos de 8% desse total. O Atlas da Evolução dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados da Mata Atlântica 1990-1995, produzido pela SOS Mata Atlântica em convênio com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a participação do Instituto Sócio-ambiental, apontou um desmatamento de 500 mil hectares de Mata Atlântica nesse período. O Rio de Janeiro foi o Estado "campeão" em agressão ambiental, com perda de 13,3% de remanescentes florestais nesses cinco anos, seguido do Mato Grosso do Sul (9,59%), Goiás

(9,10%), Minas Gerais (7,32%), Espírito Santo (5,47%), Rio Grande do Sul (5,38%), Paraná (4,66%), Santa Catarina

(3,64%) e São Paulo (3,62%). Uma nova atualização do Atlas será lançada neste ano pela SOS Mata Atlântica e o Inpe. (Fonte: site da Fundação Mata Atlântica)

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