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Construção

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Vazios urbanos custam caro para a cidade

Texto: Andréia Alevato

Os vazios urbanos, loteamentos ainda não ocupados e que ficam no meio da cidade, custam caro para o município e para a população. Segundo o professor de Urbanismo e História da Arquitetura no curso de Arquitetura na Unesp de Bauru, Nilson Ghirardello, isso é ruim já que o custo de vida para a população em geral aumenta.

Ele explicou que isso acontece porque é preciso levar infra-estrutura e equipamentos aos bairros localizados além dos vazios urbanos. E quanto mais se constroem bairros afastados, mais o custo de vida aumenta, porque esses bairros também precisam de acesso, transporte, água, esgoto, transporte, escolas e núcleos de saúde.

"Esses vazios urbanos custam muito caro para a população e também para o Poder Público, porque em bairros distantes ele é obrigado a levar acesso, transporte, água, esgoto, creches, núcleos de saúde. Manter essa área imensa de cidade custa muito caro. A população acaba sofrendo também porque paga por isso", explicou o professor.

Bauru não é a única cidade que tem grandes vazios urbanos, ou seja, áreas que ainda não foram loteadas e loteamentos sem ocupação. Isso pode ser constatado em todo o Brasil. Em Bauru, esse processo começou nas décadas de 40 e 50 porque o solo é de má qualidade e arenoso e os proprietários não viam vantagem em plantar. Por isso, eles contratavam um topógrafo, dividiam a área em ruas e lotes, que eram vendidos sem qualquer tipo de infra-estrutura, como rede de água, esgoto e calçamento. Muitos desses loteamentos ficavam em regiões afastadas da cidade. Na época, a falta de leis municipal, estadual e federal que estabelecessem regras para fazer loteamentos causou essa explosão. Até hoje, a cidade tem áreas não ocupadas e que foram loteadas entre os anos 40 e 50.

"Os donos de loteamentos não viam vantagem em plantar num solo ruim como o de Bauru. Então, loteavam. Esse processo, nos anos 40 e 50, foi explosivo na cidade. Tem-se áreas loteadas e não ocupadas e glebas, hoje, próximas

à região central da cidade", contou Ghirardello.

Houve também a expansão dos limites da cidade nos anos 80, com a construção de diversos núcleos habitacionais. As áreas de fazendas, até então muito afastadas da área central, eram transformadas em bairros.

"Os limites da cidade foram crescendo de maneira caótica e há áreas no Centro que não foram ocupadas", disse.

O plano diretor de Bauru, criado em 1996, limita a área de expansão urbana da cidade, para que não se crie mais loteamentos além desses limites da cidade. A idéia

é que se ocupe esses vazios urbanos.

Para o professor de Urbanismo e História da Arquitetura, a verticalização controlada é uma das formas de adensar os vazios urbanos, já que é possível fazer um maior número de moradias em uma área menor.

"A verticalização pode ajudar a acabar com os vazios urbanos e a não criar bairros tão distantes do Centro. O Núcleo Gasparini, por exemplo, poderia ser feito em forma de prédios, como o Parque Residencial das Camélias, ocupanmaido uma área mais central da cidade, dotada de infra-estrutura e numa área menor. A verticalização

é positiva, desde que controlada, porque com ela consegue-se adensar os vazios urbanos. A verticalização compensa porque coloca mais gente numa área menor", explicou.

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