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Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Trabalhadores reclamam e recebem pagamento

Texto: Patrícia Zamboni *

Funcionários diziam estar há dois meses sem pagamento. Prefeitura nega atraso de repasse de verbas e empresa diz que tudo foi regularizado ontem

Os 60 funcionários contratados pela empreiteira Catar para construir escolas municipais nos bairros Bauru 2000, Jardim TV e Santa Edwirges, receberam, ontem, por volta do meio-dia, o pagamento referente ao segundo mês de trabalho nas obras. Antes, porém, do fato consumado, cerca de 20 funcionários fizeram um protesto em frente à sede da Prefeitura Municipal de Bauru. Com faixas e cartazes, os trabalhadores reivindicavam o pagamento atrasado de dois meses, pelos serviços já executados nesses três bairros. A Catar foi contratada pela Prefeitura para executar as obras.

A questão se tornou polêmica por envolver três versões: o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil diz que a Catar teria atrasado o pagamento dos funcionários porque a Prefeitura não teria efetuado o repasse das verbas

à empresa. A Prefeitura nega o não repasse das verbas e afirma estar em dia com todos os pagamentos. Já o diretor comercial da Catar, Haroldo Soares da Silva, diz que somente o segundo pagamento foi efetuado aos funcionários com atraso

(ontem), que a Prefeitura não atrasou o repasse das verbas e que ele não entendeu a razão do protesto por parte dos funcionários.

De acordo com a versão do diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes, ontem a Catar teria efetuado o pagamento referente à primeira medição das obras. "Hoje (ontem), depois do protesto dos funcionários, ao meio-dia a Catar fez o pagamento referente ao mês passado. O segundo pagamento deve ser efetuado até o dia 25 desse mês. Nós entramos em contato com a empresa e foi isso que apuramos. A Catar diz que atrasou os pagamentos porque a Prefeitura não repassou as verbas. Mas em casos assim, a empresa tem que arcar com o compromisso de pagar os empregados; isso está no contrato. Os funcionários estão numa situação difícil", diz Gomes.

De acordo com ele, diante do acerto do pagamento ocorrido ontem, hoje os funcionários deveriam retomar as obras nas três escolas, que estariam paralisadas desde o último dia 16

(Bauru 2000) e 17 (Jardim TV e Santa Edwirges). Segundo Gomes, os salários dos trabalhadores contratados pela Catar variam de R$ 365,20 a R$ 451,00.

Consultado pela reportagem, o diretor comercial da Catar nega todas as informações passadas pelo diretor do sindicato.

"O diretor do sindicato está totalmente equivocado com as informações que está passando. O primeiro pagamento dos meus funcionários já tinha sido efetuado corretamente em dia. O único que atrasou foi o referente ao segundo mês de trabalho, que foi pago ontem. Não existe essa história de dois meses sem pagamento", afirma Silva.

De acordo com ele, o atraso no pagamento aos funcionários, referente à segunda medição das obras, foi reflexo de um problema de caixa da empresa. "O atraso desse mês foi resultado de um problema de caixa da empresa; não teve nada haver com o repasse de verbas da Prefeitura. A Prefeitura de Bauru está seguindo o contrato e está em dia com a empresa. O que o Secretário de Finanças disse na outra matéria que o Jornal da Cidade publicou, está correto", diz Haroldo Silva.

O diretor comercial da Catar diz que as cláusulas do contrato estão sendo seguidas entre empresa e Prefeitura. "Eu tenho um contrato com a Prefeitura que diz exatamente o dia que o repasse de verbas tem que ser feito à empresa. A Prefeitura não pode efetuar o pagamento antes da data especificada no contrato, que é o quinto dia útil após as obras terem sido apresentadas e devidamente liberadas pela Secretaria de Obras (medição). O primeiro pagamento eu efetuei no dia correto, eu tenho todos os recibos. Somente o segundo pagamento eu efetuei com um atraso de 12 dias. O sindicato está mentindo. Eu estou até analisando a viabilidade de entrar com uma ação contra o sindicato, porque o que o diretor diz não corresponde à verdade", afirma Silva.

De acordo com ele, o pagamento que será efetuado no próximo dia 25 - que segundo o diretor do sindicato dos trabalhadores seria referente à segunda medição -, é, na verdade, o pagamento do vale dos funcionários, segundo o diretor da Catar. "O pagamento do dia 25 vai ser o vale dos funcionários. Todos os outros pagamentos já estão em dia. O diretor do sindicato está falando coisa errada para vocês. Outra coisa, se a empresa atrasou um pouco algum pagamento, isso é responsabilidade da empresa, que no meu caso foi um problema de caixa. Mesmo que a Prefeitura não tivesse pago a empresa, eu teria que me virar para pagar os funcionários", afirma Haroldo Silva.

O Secretário de Finanças da Prefeitura, Raul Gomes Duarte Neto, procurou a reportagem para reafirmar as declarações fornecidas ao Jornal da Cidade na semana passada, de que a Prefeitura estava "rigorosamente em dia com os pagamentos

à empresa Catar" e disse que foi surpreendido com a manifestação dos funcionários, ontem.

"Assim como eu já tinha declarado a vocês anteriormente, todos os repasses da Prefeitura à Catar estavam rigorosamente em dia desde a semana passada. Hoje (ontem), nós fomos surpreendidos com aquela manifestação. Eu acho que foi mais uma ação política com o objetivo de agredir a atual administração. Os pagamentos foram feitos pelo Banco do Brasil e o gerente do banco está aqui ao meu lado, confirmando os créditos à Catar no dia 17 desse mês, conforme eu já tinha informado a vocês. No dia 17 de agosto a Prefeitura pagou à Catar o valor de R$ 92.776,39", afirma Duarte Neto.

A empreiteira Catar tem sua sede matriz situada em Registro, no Vale do Ribeira.

*Colaborou Fabiana Teófilo

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