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Financiamento

Paulo Toledo
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Mudanças em financiamentos desagrada setor habitacional

Texto: Paulo Toledo

A decisão da Caixa Econômica Federal (CEF) de alterar as condições de financiamentos para imóveis usados, restringindo para as famílias que têm renda superior a R$ 1,812 mil, e aumentar as taxas de juros de várias linhas de crédito habitacional deve ser um inibidor para construção de novas moradias e mais um fator de dificuldades para o mercado imobiliário, avaliam entidades dos setores.

Para comprar um imóvel usado, o futuro mutuário terá que aderir ao Poupanção, no qual deverá aplicar por 12 meses o valor da prestação do financiamento pretendido. Financiamento no ato só será concedido para imóvel na planta ou que acabou de ficar pronto e nunca foi ocupado. O valor limite é de 80%, dependendo do valor do imóvel.

No novo sistema, o mutuário só recebe a carta de crédito após os 12 meses de participação no Poupanção. Mesmo assim, o dinheiro acumulado ficará mais 24 meses na instituição e só então poderá ser usado para amortizar ou quitar o imóvel.

A Caixa elevou de 1% para 1,5% ao mês a taxa cobrada no programa Construgiro, destinado a assegurar a antecipação de recebíveis (créditos a receber) pelas empresas da construção civil. Nos financiamentos pelo convênio Caixa-Trabalhador os juros subiram de 10,5% ao ano para 12%. Além disso, o financiamento de imóveis comerciais teve sua taxa elevada de 13,5% para 15% ao ano

José Regino Júnior, o Juca Regino, diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil

(SindusCon), disse que as mudanças afetam diretamente às construtoras, que vão pagar mais caro para utilizarem-se do Construgiro em empreendimentos que estejam construindo com recursos próprios, mas que precisam de adiantamento daqueles créditos que seriam pagos pelos futuros moradores. Esse expediente era utilizado para dar velocidade ao ritmo da obra.

O problema, afirma Juca Regino, é que as construtoras vão ter que pagar mais 6% de juros ao ano nesse tipo de linha de crédito. Para ele, isso vai inibir a produção de novas unidades, pois criaria problemas para os condôminos, com o encarecimento.

O diretor regional do SindusCon destaca que nas outras linhas em que os juros foram aumentados, os mutuários serão muito atingidos, pois terão mais acréscimos nos valores pagos nos financiamentos. "Vai aumentar a prestação e, como conseqüência, vai ter um aumento da renda para poder financiar. Restringirá mais a faixa de mutuários. Num total de 25 anos, essa mudança dá um reflexo elevado", afirmou.

Para Juca Regino, a medida da Caixa se torna mais grave à medida em que a instituição é o maior agente financeiro do sistema de habitação. O diretor do SindusCon disse que é preciso destacar que, como banco estatal, a Caixa tem uma função social a ser cumprida na área de habitação, que não está sendo realizada integralmente. "Não é subsidiar, mas tem que ser um banco social, tendo lucro, mas um lucro razoável. Do jeito que está aí, tanto faz você ir num banco particular ou na Caixa. Talvez, em banco particular você vai encontrar coisa mais acessível", afirmou.

Imobiliário

José Martinho Teixeira da Silva, diretor da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), diz que a mudança nas regras de financiamento pela Caixa vai inviabilizar uma série de negócios.

De acordo com Martinho, a maioria das pessoas que busca o financiamento de imóveis quer parar de pagar aluguel e não tem condições de realizar o Poupanção e pagar aluguel ao mesmo tempo.

O diretor da Aciba disse que, pelo que se sabe, a Caixa tem dinheiro disponível para realizar financiamentos com regras mais elásticas que facilitem a geração de negócios e a possibilidade das pessoas terem acesso à casa própria, de acordo com suas necessidades e desejos. "Não dá para entender o por quê dessa mudança no financiamento", afirmou.

Martinho destaca que a dificuldade para financiamento de imóveis usados tira, inclusive a possibilidade da pessoa escolher em que bairro quer morar, pois terá que comprar uma casa nova ou na planta onde tiver disponível, sem contar que, nem sempre o imóvel será exatamente aquilo que o futuro morador quer. "Vai ser ruim para o mercado imobiliário", destacou

Outro lado

A Assessoria de Imprensa da Caixa informou que as alterações foram uma decisão da diretoria com o intuito de fomentar a construção de moradias para a classe média e de baixa renda, para aliviar o déficit habitacional.

Na visão da Caixa, quando se fomenta a construção, não há a aquisição de imóvel usado. Além disso, segundo a assessoria, isso teria a função de aumentar o número de empregos diretos gerados.

A instituição acredita que as mudanças na carta de crédito Caixa, que usa recursos do banco, não vão afetar as pessoas de baixa renda, já que não houve alterações em relação à carta de crédito com recursos do FGTS.

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