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Redação
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Enfim, "Dois Córregos" chega a Bauru

Carlos Reichenbach apresenta hoje, no Sesc Bauru, filme rodado na região; após a exibição, diretor participa de bate-papo

Depois de um ano, finalmente "Dois Córregos", o elogiado filme de Carlos Reichenbach chega a Bauru. É uma pena que não venha ao cinema, com sua bela fotografia e a música envolvente, mas a mostra de vídeo do Sesc Bauru é uma justa homenagem a um dos pais do cinema brasileiro marginal. A exibição acontece às 16 horas, seguida de um bate-papo com o diretor.

Diretor, produtor, roteirista, diretor de fotografia e ator, Reichenbach estudou cinema no primeiro curso de nível superior no Brasil, a Escola Superior de Cinema São Luiz, que durante os anos 60, reunia o meio cinematográfico emergente de São Paulo.

A escola era freqüentada por nomes como Fauzi Mansur e José Mojica Marins. Essa convivência, pode-se dizer, gerou o Cinema Marginal da Boca do Lixo.

Em 1966, Carlos Reichenbach realizou seu primeiro filme curta-metragem em 35 mm, "Esta Rua Tão Augusta". Apesar de sua formação literária, trocou o curso de neo-latinas na USP pelo de cinema e foi cada vez mais se desinteressando pelo texto e se aproximando da técnica cinematográfica.

Fundou a Xanadu Produções Cinematográficas com João Callegaro e Antonio Lima, colocando de lado todos os conceitos estéticos, políticos e culturais. Nesse momento, nasce o "cinema cafajeste", com filmes de teor exclusivamente comercial. Na verdade, nascia um cinema absolutamente sintonizado com seu tempo.

Relendo Fausto, de Goethe, sob o impacto da capital paulista de fim de

século, Carlos Reichenbach dirige, em 1985, o "Filme Demência". Por essa obra recebeu o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado. Como diretor de fotografia, foi premiado em duas ocasiões: em 76, recebeu o Prêmio APCA pela fotografia do filme "Excitação", de Jean Garret; e em 1983, pela iluminação do filme

"Doce Delírio", de Manoel Paiva.

Considerado um dos mais importantes realizadores paulistas, Reichenbach teve sua obra reconhecida internacionalmente em 1985 no Festival de Rotterdam, Holanda, onde participou com seus filmes por cinco anos consecutivos. Foi duas vezes premiado pela Cinemateca Real de Bruxelas e recebeu com "Alma Corsária" (1994), o prêmio dos 30 anos do Festival do Novo Cinema de Pesaro. O seu último trabalho é o filme "Dois Córregos

- Verdades Submersas no Tempo."

O filme

"Dois Córregos", conta a história de Ana Paula, uma mulher que volta ao sítio herdado do pai para retomar a posse da propriedade atualmente invadida por grileiros. Lá, relembra o ano de 1969, quando acompanhada de sua amiga Lydia vai a cidade de Dois Córregos para passar um final de semana na companhia de sua meia-irmã Tereza, despertando sentimentos inesperados pelo tio de Ana, homem que vive escondido no sítio por razões políticas.

O filme foi rodado na cidade de Dois Córregos e revela a beleza da região, cortada por três grandes rios. E conta com trilha sonora de Ivan Lins e arranjos de Nelson Ayres.

Estão no elenco do filme: Carlos Alberto Riccelli (Hermes), Beth Goulart (Ana Paula - adulta), Ingra Liberato (Teresa), Vanessa Goulart (Ana Paula - jovem), Luciana Brasil (Lydia), Luiz Damasceno

(Dr. Armando Sumaqueiro), entre outros. Direção e roteiro Carlos Reichenbach.

Serviço

Mostra de Vídeo Especial, hoje, às 16 horas. Grátis. Inscrições antecipadas. O Sesc Bauru fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71, Vila Cardia. Informações: 235-1750.

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