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Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Política no sertão é retrada em livro

Texto: Tânia Fonseca

Livro dedica um estudo sobre legislação eleitoral e funcionamento dos currais eleitorais na região no começo do século

O desenvolvimento das atividades políticas que marcaram o passado de Bauru e região é tema de mais um livro do especialista em Administração Pública e Assentamentos Humanos, Irineu Azevedo Bastos. O trabalho detalha as modificações dos sistemas a partir da implantação da República no País.

Em "Sertão Noroeste: O Poder Municipal na República Velha", o autor relata que o vilarejo de Bauru, institucionalmente, esteve vinculado a vários municípios, que foram brotando em direção ao desconhecido sertão paulista.

Em torno de 1890, o povoado da então Bahurú era o ponto avançado do Sertão Noroeste e seus limites chegavam às barrancas do rio Paraná. Estava vinculado ao município de Espírito Santo da Fortaleza, mas como crescesse mais depressa do que aquele, acabou absorvendo-o e a sede foi transferida para ele, sendo que tornou-se legalmente município a partir de 1 de agosto de 1896.

No livro "Sertão Noroeste", Irineu Azevedo Bastos vivencia os primeiros tempos do povoado, sua expansão, a chegada dos mineiros e fluminenses principalmente, e de estrangeiros

(primeiro portugueses e em 1908 50 famílias de japoneses), em busca de terras para praticar a lavoura do café.

O ciclo do ouro, nas Gerais, havia se esgotado... as famílias que dele dependiam procuraram novas alternativas. E foram principalmente os tropeiros de Minas, que vinham negociar na feira de Sorocaba que, no retorno, levavam as notícias sobre a nova e próspera região, com povoados e cidades como Botucatu, Lençóis, São Domingos, Fortaleza, São Paulo dos Agudos e Bauru. O livro documenta também a violência gerada pelo confronto entre os índios caigangs e o pioneiro desbravador, onde, cada um, de sua maneira, procurou defender-se e sobreviver da agressão resultante desses encontros.

Em Bauru, com a chegada da Sorocabana e a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, ao longo da linha que avançava rumo ao Estado de Mato Grosso, foram nascendo ou se consolidando povoados e cidades: Presidente Tybiriçá, Nogueira, Avahy, Presidentes Alves, Cafelância, Pirajuhy, Albuquerque Lins, Biriguy, Pennapolis, Araçatuba.

No livro, o professor conta, por exemplo, que o arruamento de Araçatuba, foi determinado pela Câmara Municipal de Bauru. Foi nessa Câmara também que foi feita e escritura dos terrenos doados para a formação de Albuquerque Lins.

E no Sertão Noroeste a política do Partido Republicano Paulista, com seus coronéis, imperou até os anos 30, quando os revolucionários colocaram no Poder Getúlio Vargas. Cada povoado tinha o seu coronel comandando os cordéis da política regional. Os desmandos e as façanhas desses políticos são narrados no livro de Irineu, bem como as tramas políticas, a violência e assassinatos, a ocupação do sertão e os hábitos da época, e toda evolução do povoado até transformar-se numa das principais comarcas da região.

O livro dedica também um estudo sobre a legislação eleitoral do período e como que os currais eleitorais funcionavam. Traz ainda dados econômicos e sociais das principais cidades e povoados que circunvizinhavam a então Bahurú.

O autor, Irineu Bastos, também já publicou, em forma de livro, um outro trabalho que relata a violência no contexto histórico de Bauru.

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