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Beatificação

Ieda Rodrigues
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Grupo de Bauru assistirá beatificação de padre Chaminade

Texto: Ieda Rodrigues

Cinco marianistas de Bauru vão participar, no próximo dia 3, em Roma, da cerimônia de beatificação do padre francês Guilherme José Chaminade, fundador do Instituto das Filhas de Maria Imaculada e da Companhia de Maria. Em Bauru, as duas paróquias cujos padres são marianistas

- a São Sebastião e a Maria Mãe do Redentor

- estão em festa: haverá tríduo nos dias 2, 3 e 4, para comemorar a beatificação e os 25 anos de presença Marianista no Brasil.

Os marianistas são conhecidos por valorizarem muito a partilha e a acolhida. Além de participarem de programas sociais, denominado de missão, cada marianista, na sua realidade profissional, familiar e matrimonial tem uma postura diferenciada, evidenciando o espírito de fraternidade.

Os marianistas estão presentes em vários países e muitas cidades do Brasil. Em Bauru, a Família Marianista conta com a Companhia de Maria (CM), formada por religiosos, e com dois grupos da Congregação Leiga Mariana (CLM)

- formada por leigos e leigas -, num total de cerca de 100 pessoas. O terceiro grupo integrante da família, as Filhas de Maria Imaculada (FMI), composta por religiosas, não tem representante em Bauru.

Os leigos marianistas de Bauru, com a colaboração de voluntários, desenvolvem projeto social no Ferradura Mirim (bairro carente na região Sudeste da cidade). Conforme explicou Sílvio Carlos de Lima Pereira, integrante da CLM, são oferecidos reforço alimentar, acompanhamento escolar e orientação a cerca de 300 crianças do bairro.

Por enquanto, o atendimento é realizado num galpão improvisado, localizado na avenida Santa Beatriz, uma vez por semana. Mas Pereira adianta que quando o prédio próprio estiver pronto - a CLM já comprou o terreno - o projeto será ampliado e além dos serviços oferecidas pelos marianistas, outras entidades poderão atuar no bairro para que mais pessoas sejam atendidas e diariamente.

De acordo com Pereira, os marianistas de Bauru aguardam com muita expectativa a beatificação do padre Chaminade. Mais pessoas da CLM gostariam de assistir, pessoalmente, a solenidade em Roma. Mas devido a dificuldades financeiras e compromissos de trabalho apenas cinco marianistas de Bauru poderão estar presentes, unindo-se a marianistas de outras cidades e de outros países.

Os demais marianistas de Bauru, quase cem, vão fazer, nas paróquias de São Sebastião e Maria Mãe do Redentor, o tríduo da beatificação, semelhante ao de Roma, nos dias 2, 3 e 4. O tríduo é uma celebração especial que, neste caso, é voltada para a beatificação.

Na celebração do dia 2, na Paróquia de São Sebastião, será lançado um carimbo comemorativo em honra à beatificação de padre Chaminade e dos 25 anos da presença da Família Marianista no Brasil, numa parceria com os Correios. As celebrações dos dias 2 e 3, sempre às 19 horas, são abertas

à toda a população que queira homenagear e conhecer mais o padre. Já a celebração do dia 4 é mais voltada à Família Marianista.

A história do beato

Padre Chaminade nasceu em Périgueux (França) em 1761, 14.º filho de uma família muito cristã

- além dele, outros três irmãos tornaram-se sacerdotes. Aos 14 anos fez os votos privados de pobreza, castidade e obediência. Foi ordenado sacerdote com 24 anos e três depois doutorou-se em Teologia.

Em 1790, já iniciada a Revolução Francesa, Chaminade mudou-se para Bordéus, onde passou a maior parte de sua vida. Em 1791, negou-se a aceitar e a jurar a constituição civil do clero e exerceu clandestinamente o ministério sacerdotal, colocando a sua vida em contínuo perigo e expondo-se a morrer na guilhotina.

Em 1797, com 36 anos, foi obrigado a ir para o exílio na Espanha, onde ficou por três anos na cidade de Zaragoza, famosa pelo santuário nacional da Virgem do Pilar. Lá, a oração, a reflexão e o estudo levaram às suas grandes convicções missionárias e marianas e recebeu a inspiração de fundar uma família de leigos e religiosos dedicados a Maria.

Em novembro de 1800, quase com 40 anos, regressou a Bordéus e começou a reconstruir seu projeto sobre os antigos alicerces da Congregação Mariana. Em 1816, junto com Adela de Batz de Tranquelléon, fundou, em Agen, o Instituto das Filhas de Maria Imaculada e, um ano depois, em Bordéus, a Companhia de Maria.

Os últimos dez anos de sua vida foram de provações: Chaminade teve problemas de saúde, dificuldades financeiras, deserção de alguns de seus discípulos e obstáculos no exercício de sua missão. Padre Chaminade morreu em 22 de janeiro de 1850. O papa João XXIII considerou-o precursor da participação de leigos na vida da Igreja.

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