Cerveja de Bauru ganha medalha de ouro
Texto: Patrícia Zamboni
A Cervejaria dos Monges ganhou uma medalha de ouro em um concurso de cervejas realizado recentemente em São Paulo. A competição reuniu cerca de 20 membros da Associação Brasileira de Microcervejarias (ABMIC), vindos de diversos Estados do Brasil.
De acordo com Ricardo Sampaio, da Cervejaria dos Monges e um dos diretores da ABMIC, 50 produtos competiram no concurso, que foi dividido em três categorias: cervejas claras (elaboradas com o malte tipo pilsen, que fornece a coloração amarelada), escuras (feitas com maltes especiais, que podem ser de cevada ou de trigo e, geralmente, são fortes e encorpadas) e diferenciadas (que trazem em sua fórmula polpa de frutas). A cervejaria de Bauru ganhou com a cerveja clara, a única que fabrica até o momento. Em cada categoria, os participantes podiam concorrer com dois produtos.
De acordo com Sampaio, a banca de jurados do concurso foi formada por quatro mestres cervejeiros, sendo três estrangeiros vindos da Alemanha, dos Estados Unidos e da Alemanha. O quarto,
é um antigo mestre cervejeiro da Brahma e não possuía vínculos com nenhum participante, como faz questão de ressaltar Ricardo Sampaio. Os outros três jurados eram jornalistas especializados na área de gastronomia, que já participaram de outros concursos como esse.
A ganhadora da medalha de prata na categoria de cerveja clara foi a cervejaria Alles Bier, de Campinas (SP). A medalha de bronze ficou com a Krug Bier, de Belo Horizonte (MG), que também ganhou bronze na categoria escura. Na categoria diferenciada, não foi conquistada nenhuma medalha. Houve somente uma Honra ao Mérito pela participação da microcervejaria.
Ricardo Sampaio diz que a Cervejaria dos Monges já tem projetos para começar a produzir cervejas diferenciadas.
"Nós temos o objetivo de entrar no ramo da fabricação de cervejas diferenciadas. No momento, isso não está sendo economicamente viável porque teremos que adquirir tanques menores do que aqueles que possuímos atualmente para a produção dessa cerveja, já que o consumo delas também é menor. Talvez, no concurso do próximo ano nós já possamos participar em mais essa categoria", observa Sampaio.
Perfeição
Segundo Ricardo Sampaio, para ser considerada uma cerveja perfeita e merecer a premiação máxima, os jurados analisam critérios como a cor, a consistência da espuma e o sabor da bebida. "Para nós, foi muito gratificante ter recebido a medalha de ouro porque a Cervejaria dos Monges tem apenas pouco mais de dois anos de existência e era a caçula entre todos os participantes do concurso", comenta. Segundo ele, este foi o primeiro concurso entre microcervejarias realizado em âmbito nacional.
De acordo com Ricardo Sampaio, esse evento não é extensivo às grandes cervejarias porque a intenção da ABMIC é fortalecer a atuação das micro no mercado. "Queremos fortalecer o mercado das microcervejarias no Brasil, porque ele ainda não está totalmente estabilizado. O próprio público brasileiro ainda não tem o hábito de tomar cerveja em microcervejarias e prestigiar os seus produtos. Queremos mudar isso", diz Sampaio. Segundo ele, no Brasil existem, atualmente, cerca de 40 microcervejarias, enquanto que nos Estados Unidos, passam de 3 mil.
Apesar desses números, o crescimento que vem sendo constatado no Brasil, neste segmento, é considerado grande por Sampaio. Porém, para que as microcervejarias possam investir no lançamento de novos e diferenciados produtos, será preciso, primeiro, que esse mercado alcance uma posição de estabilidade. "Primeiro, nós precisamos fazer com que o público se habitue com o consumo de cervejas mais tradicionais fabricadas pelas microcervejarias para, depois, incrementar e completar o leque de opções de produtos oferecidos", analisa Ricardo Sampaio.
Curiosidades
De acordo com informações passadas pelo mestre cervejeiro da Cervejaria dos Monges, Nikolaus Bauernebel, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa a cerveja não é originária da Alemanha. Segundo o mestre, ela teria aparecido há milhares de anos na Mesopotâmia e, um pouco depois, no norte da Europa ou da África.
"Sem querer, alguém deixou um grão de malte fermentar na água e depois teria bebido. Gostaram do resultado e foram aperfeiçoando a bebida com o tempo", conta.
De acordo com o mestre, nos anos 40 a pilsen teria sido criada na Tchecoslováquia. De lá, teria se espalhado pelo mundo todo. Em 1979, na Inglaterra, foi inventada a cerveja gastronômica, ou seja, tipos especiais da bebida para serem consumidos com os mais diversos alimentos.
Atualmente, segundo Nikolaus, estaria voltando à moda a cerveja hidromel, que já teria sido muito saboreada na Idade Média. Nos Estados Unidos, é comum saborear a cerveja com insumos animais, como é o caso da cerveja de ostra, que no Brasil é proibida.